Domingo, Setembro 14, 2008
THE END
Para quem interessar possa, esta que vos digita gostaria de comunicar que as atividades acerca deste blog chegaram ao fim.
De agora em diante, vocês poderão acompanhar minhas agruras no seguinte endereço:
wonderfoool.blogspot.com
Agradeço a companhia de todos que estiveram por aqui, e espero que possamos continuar nos vendo no novo endereço!
- Ready for the Floor,
Sra. T. Beresford.
Sábado, Setembro 13, 2008
“DON’T YOU KNOW IT’S ALRIGHT TO BE ALONE/ YOU CAN MAKE IT ON YOUR OWN...”
Ou “Deve ser depressão pós-show”.
Outro dia na academia aconteceu algo engraçado: me perguntaram se eu poderia dar o nome de alguém para recomendar os serviços desta, e eu pensei, pensei, e pensei e falei “não”. Não foi para evitar uma futura encheção (nossa, essa palavra existe na forma escrita?) de saco de algum amigo por parte do malvado telemarketing: mas porque realmente eu não tinha ninguém para recomendar. Quer dizer, na atual conjuntura, meu único amigo na cidade é um homem – e a academia que freqüento só aceita mulheres.
Gostaria de saber se existem dados estatísticos ou algo do tipo para avaliar se trata-se de um fenômeno mundial ou se é só comigo: com exceção desse meu amigo velho de guerra e de minha mãe, todas as pessoas que me são importantes estão longe de mim. Longe, no mínimo uma viagem de quinze reais de distância. O Patrão, e todos os meus amigos... a maioria eu nem posso dar a garantia de vê-los ao menos uma vez por ano. E são pessoas que não consigo me imaginar sem tê-las como parte de minha vida.
Por outro lado, o fato de eu não conseguir manter ninguém perto de mim talvez seja um indício de que estou longe de ser uma pessoa legal. Afinal, se você afasta uma pessoa, talvez o problema seja dela; agora, se você afasta todas, a probabilidade de que o problema seja você é muito maior, não? E, por mais que eu adore ficar sozinha (e eu adoro mesmo), às vezes me pego desapontada comigo mesma nesse quesito. Aí, racionalmente pensamos: “mas todos acabam se separando mesmo, cada um tem que correr atrás de sua vida, e isso distancia as pessoas”. Isso até um ponto. Vejo vários conhecidos que conseguem manter laços por milhões de anos, encontrando-se regularmente, passando no trabalho do amigo para dar um oi, aquela coisa bem sitcom, e isso é algo tão longe de minha realidade que eu poderia jurar que só existia em sitcoms. Realmente, gostaria de saber se esta inaptidão social é só minha ou se acontece com mais alguém.
E a vida toma rumos tão complicados que só pioram sem ter alguém ao seu lado. Passei anos numa faculdade que nunca gostei só para ter um diploma, e ironicamente eu tirava notas boas e me formei muito bem. Agora, quando descubro algo que gosto de fazer não sou exatamente um talento nato – ou seja, estou disposta a aprender tudo o que for necessário, mas será que o mundo está disposto a esperar para que eu aprenda um mínimo necessário? Não creio. Deixo de fazer uma das coisas de que mais gosto na vida – escrever – porque me sinto culpada desperdiçando o tempo e acabo usando-o para estudar para um concurso que não dou a mínima e que quero passar só para ver se finalmente eu tomo um rumo nessa vidinha idiota que levo. Tudo o que eu queria na vida (eu e toda a torcida do Flamengo e do Manchester United juntas) era trabalhar num lugar legal fazendo o que gosto e tento uma remuneração razoável só para poder pagar as minhas contas. Conheço gente que está empregado no que gosta, e mesmo assim reclama, e não consigo entender. Digo que a pessoa é uma privilegiada e levo um fora - pronto, mais uma pessoa se afasta. Ou então, sento-me no ônibus de volta para casa e me deparo com tantas pessoas que estão fazendo o possível e o impossível para trabalhar num lugar que odeiam recebendo uma mixórdia (nossa, essa palavra existe na forma escrita? 2). Tudo bem que já passei por isso também, mas quem disse que minha cota de trabalhar em lugares horrorosos já fora preenchida? Quem sou eu para escolher tanto na vida? Por outro lado, o que posso fazer se eu quero escolher tanto ? Eu sei lá.
Resumindo, sou muito mala. Mas quem não é?
- Get Innocuous!
Sra. T. Beresford
Segunda-feira, Setembro 08, 2008
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH
Sério, meu povo. Show dos Hives em SP.
Bem, antes mesmo de mais todos os shows do universo passarem pelo Brasil este ano, posso dizer que 2008 já valeu pelo show do Muse e dos Hives.
Ver os Hives ao vivo era sonho antigo. Não sou daquelas fanáticas que têm tudo deles, mas é uma banda pela qual sempre tive um carinho muito grande, desde que a conheci lá no início deste século - e não foi por "Hate to say I told you so", diga-se de passagem. O que os tornam tão especiais para mim é o fato de que eles são uma das poucas bandas que me fazem querer montar uma banda - só para tentar ser tão divertida e estilosa como eles. Sério. Tem banda mais estilosa no mundo? As roupas, os layouts dos discos, dos clipes, dos sites?...
(inclusive, certa vez enquanto eu ouvia The Hives minha mãe comentou que as músicas que eu fazia se pareciam com "aquilo que tava tocando". Tá bom que elogio de mãe é complicado, mas ela não hesita em criticar quando, por exemplo, estou ouvindo "Freak Out/Starry Eyes" dizendo que é suuuuper chato. Então, acabo considerando o comentário de mamãe wonderfool um dos melhores elogios que já ouvi na vida, hahahaha)
Enfim, apesar de muita gente ter implicância com a banda sueca, dizendo que não fazem nada de novo e etcetera, eu os adoro, acho todos os discos acima da média e acho sim, que eles estão cada vez melhores. É humanamente impossível para mim ficar triste ou desanimada se estou ouvindo seus discos.
E o show não poderia ser diferente. Toda aquela animação e alegria tomam conta de todos, msmo porque, se a empolgação dos Hives em disco já é contagiante, imagine ao vivo? Não é de se espantar que são considerados uma das melhores bandas ao vivo.
Show incrível. Performances inesquecíveis. Dr. Matt Destruction e Vigilante Carlstroem (baixo e guitarra, respectivamente) já se destacam só pelo fato de existirem, apesar de serem os mais discretos no palco. O batera Chris Dangerous mostra porque o próprio vocalista da banda o considera o baterista mais cool do mundo com suas estripulias e pegando as baquenas no ar. O guitarrista solo Nicholaus Arson também é explosivo no palco (inclusive, um dos poucos "lances" que tenho com guitarristas é que adooooro os que tocam de pernas abertas como o Arson faz. O máximo!!!). E Pelle Almqvist, o que dizer desse homem?!?!?!!?
Ah. O cara é tão sensacional e palhaço no palco que você quase esquece que ele é um dos caras de banda mais bonitos do mundo! (Tá bom que tenho um gosto para caras de banda muuuuito duvidoso, mas dizer que o Pelle ou o Damian do OK Go são feios é caso de inveja ou sério problema de visão, só pode ser)
E ele mandou muito, foi tudo o que eu imaginara. Falou português ("tira o pé do xon", "eu te amo", ele ordenando para a platéia: "Bate Palma!" "Pára", "Grita ae"; ele batendo no peito e dizendo "vocalista!!" hahahahaha), foi animadíssimo, falava com a platéia sempre, rodou o microfone e o jogou para o alto igual eu sempre vi em clipes e videos. Todas as mickjaggerices e iggypopices.
Enfim, todas as coisas que sempre quis ver os Hives fazendo eu finalmente vi ao vivo!!! "Menos mal (1)" é que eles não tocaram "Abra Cadaver" e "The Hives - Declare Guerre Nucleaire", senão eu tinha morrido. E "Menos mal (2)" é que eles não tocaram no Circo Voador. Senão eu teria arrancado as roupas, pulado no palco, ou sei lá. Não responderia por mim.
Mas vai que isso ainda acontece um dia? Hum...
Setlist:
- Intro: A Stroll Through Hive Manor Corridors (pra deixar todo mundo desesperado)
- Hey Little World (começar com essa é golpe baixo!)
- Main Offender
- Try it Again
- A Little More for Little You
- Walk Idiot Walk
- A.K.A. Idiot (golpe baixo de novo)
- A Thousand Answers (essa é nova, é?)
- Won't be Long (\o/)
- Die, all right! (morri, all right)
- Diabolic Scheme
- You dress up for Armagedon
- You got it all... wrong
- Two timing touch and broken bones (AAAAAAAAAAAAHHHHH)
- Return the Favour
BIS (morre do coração)
- Bigger Hole to Fill
- Hate to say I told you so
- Tick Tick Boom
- Yours truly
Sra. T Beresford
Marcadores: desespero por música, menção gratuita à James Murphy
Quarta-feira, Agosto 27, 2008
SERVIÇO DE (IN)UTILIDADE PÚBLICA:
Aproveitando o espacinho e a falta do que escrever no momento para passar links de algumas musiquinhas (que já tinham sido upadas para outros propósitos) a quem interessar possa. No geral, são músicas de que gosto bastante, se isso serve de alguma referência...
1 – HOT CHIP – “Wrestlers (Sticky Dirty Pop Mix)”: A música mais esquisita de Made in the Dark, o último e ótimo disco do Hot Chip, ganhou remix e virou uma dance de padaria irresistível e ultrapop que me ganhou se vez. Tanto que virou o toque principal do meu celular. Sério. Tirado da versão digital do single “One Pure Thought”.
2 – MUSE – “Assassin (Grand Omega Bosses Edit)”: Apesar de conhecer o Muse desde o Showbiz, acredito que o Black Holes and Revelations seja o meu disco favorito deles. Pronto, falei. E “Assassin” é uma de minha faixas favoritonas do trio inglês, muito por conta dos backing vocals que ficam entre o pomposo e a zombaria: dá pra imaginar direitinho os três com aquelas caras de debochados (tá bom, nem tão debochada da parte do Christopher) cantando “Ooohhh pa pa pa pa...”... Hahahahaha. Mas não era disso que eu queria falar! O que acontece é que o Muse lança tanta coisa e tem tantos fanáticos que lançam milhões de bootlegs diariamente que fica difícil de acompanhar. Tanto que só outro dia que fui saber da existência dessa versão para “Assassin”, que na modesta opinião desta que vos digita, é mais arretada que a original! Segundo consta no last.fm (o que seria de mim sem ele?) essa versão está na edição em vinil do single “Knights of Cydonia”.
3 – MSTRKRFT – “Bounce (feat. N.O.R.E.)”: Essa versão do MSTRKRFT é a “radio version” mesmo, nada demais. Tá aqui só porque já estava upada. Mas ainda não achei ninguém que não ficasse com “All I do is party, ha ha ha ha” na cabeça e não tivesse vontade de sair pulando igual a um doido por aí depois de ouvir isso.
4 – QUEENS OF THE STONE AGE – “The Fun Machine Took a S*** and Died”: Mais uma daquelas músicas que começam estranhas, que fica meio mariachi e depois vira o que já é de se esperar: o rockão lindão que o Queens faz sempre. Essa é bônus da edição especial – e dupla – do Era Vulgaris e upei para uma amiguinha de orkut.
5 – FELIX DA HOUSECAT – “What She Wants”: Essa é veeeelha (2004) e tá aqui só porque o link já existia também. O grande atrativo dela, claro, é ser uma música super gay com a voz de nada-mais-nada-menos que James Murphy! Já falei isso antes mas não custa repetir aqui: ela lembra bastante a cover de “Satisfaction” dos Stones feita pelo Devo. Se isso é bom ou ruim, it’s up to you! :P
6 – SIX FINGER SATELLITE – “Rabies (Baby’s got the)” – Ainda nos “James Murphy-related”, essa é mais antiga ainda. Conhecia essa banda lá nos meados de 1996 porque eles gravaram um disco com o Fred Schneider, dos B-52’s. Mas não sabia mais nada sobre eles, até que um dia soube que James – antes de ser o badass lutador de jiu jitsu mais querido deste blog – costumava ser engenheiro de som desta banda. Como se não bastasse, um dos integrantes era John Mclean, hoje conhecido como Juan Mclean e um dos artistas da DFA. O 6FS é uma banda bem legal, synth-rock barulhenta, ou sei lá. Basta dizer que eles eram contratados da Sub Pop (aquele tal selo grunge, sabe? =P) e usavam terninhos tipo Duran Duran! Vale muito a pena conhecer.
De resto, espero que estejam todos bem. Para quem não sabe, amanhã será o programa número 10 do Outsiders! Ou seja, já são dois meses no ar! Quem quiser ouvir, já sabe: www.radiorpb.com.br das 17h às 19h.
- Party on, Wayne!
- Party on, Garth!
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Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Sou carioca, mas não tenho muito orgulho disso não. Nada contra os cariocas, quero deixar bem claro, mas não me sinto uma carioca – então, porque teria orgulho de algo o qual não me sinto fazendo parte?
(Na verdade, gostaria muito de saber se sou só eu ou se tem mais alguém que se sente tão deslocado assim no mundo. Há algumas exceções de lugares que acho agradáveis, mas mesmo assim não há nenhum lugar (onde eu tenha ido até agora) onde eu me sinta 100% em casa)
Não me sinto em casa no Rio de Janeiro. Até gosto de ir pra lá, mas normalmente com um itinerário pronto – ver tal show, ir a tal lugar, ir pra rádio fazer o programa – e me sinto a maior roceira do mundo andando sozinha pelas ruas do Rio, olhando desesperada para todos os lados tentando evitar um assalto que cedo ou tarde acabará acontecendo. O que mais me irrita são os que até hoje investem nessa fantasia de que “apesar de tudo, o Rio de Janeiro continua lindo”. Né por nada não, mas não consigo mais ver beleza lá – estou ocupada demais tentando escapar ilesa na multidão.
O problema da capital fluminense – bem como o problema do Brasil – é sempre se nivelar por baixo: é votar no candidato “menos ruim”, ou pensar “ah, mas as coisas poderiam estar pior, a gente não tem guerra, nem terremotos" (se bem que a natureza já está se encarregando disso...), enfim, coisas que só nos levam cada vez mais para o buraco. E, aparentemente, ninguém está interessado em tirá-los, nem Rio, nem Brasil, do buraco. Alguns pobres coitados até que tentam fazer a sua parte, mas aí me lembro de um lance típico que reparei outro dia aqui em Petrópolis: colocaram ônibus novinhos na cidade (provavelmente superfaturados etc etc, isso a gente já imagina), e nem se passou um mês deles nas ruas e vários bancos já estão pichados por estudantes-pivetes mal-educados que têm gratuidade na passagem, enquanto a gente aqui que paga inteira – ou seja, paga a passagem deles também, não é? – tem que aturar esse povo esculhambando os nossos meios de transporte. Se a população deprecia o que seria um bem para ela, porque os políticos iriam valer alguma coisa (mesmo porque, são políticos como NÓS e VOTADOS POR NÓS)? Então, é isso aí: a grande maioria não tá nem aí, e por isso o Brasil não vai pra frente.
E o que os Hives têm a ver com a história? Bem, segundo a comunidade da banda no orkut (ok, a fonte é questionável, mas a história é tão coerente que acredito que seja verdade) o show deles aqui no Rio (que tinha tudo para ser lendário e incendiário – para ficar em alguns bons adjetivos terminados em ário) foi cancelado porque alguém em Porto Alegre ofereceu uma quantia muito maior para a banda, que resolveu aceitar e sacrificar sua apresentação por aqui. A banda sueca tá errada? Claro que não. É o trabalho deles, e nada como buscar a melhor recompensa por ele.
Esse caso, que parece uma besteira, nos faz pensar:
1) Se POA fez uma oferta tão superior, uma coisa é certa – tem retorno do público. Ninguém faria uma oferta tão grande sabendo que o show ficaria vazio – a não ser que no sul tenha algum milionário excêntrico que queira um show dos Hives só pra ele, o que acho difícil.
Então, o que faz as produtoras daqui fazerem uma proposta aquém das de lá? Acho que os itens abaixo podem responder isso:
2) As produtoras cariocas sempre acham que, por “se tratar do Rio de Janeiro”, todo e qualquer artista gringo vai querer ter o “privilégio” (?!?!?!) de estar aqui, e com isto estão pouco se lixando com o cachê. Pra piorar, também não respeitam o público, sempre colocando os preços dos ingressos lá em cima – uma tremenda falta de respeito tanto com artista como com os seus fãs.
Agora, por que eles jogam os preços dos ingressos lá pra cima?
3) Porque o público carioca é extremamente modista. Estão pouco se lixando com qualquer gênero que não esteja tocando nas rádios e nas novelas (até agora não entendi como o show do Muse encheu tanto – tem certeza que “Starlight” ou “Supermassive Black Hole” não estão tocando na novela das 8???). Sempre que tem algum evento “maior” (leia-se Tim Festival) tem muito mais gente passando por lá pra aparecer na badalação que para ver qualquer show. Com isso, o pessoal realmente interessado em ver qualquer show que seja tem que se submeter a preços absurdos – que as produtoras colocam lá em cima porque sabem que tem fãs que estarão dispostos a pagar o preço (até hoje o meio ingresso por cem pratas do LCD Soundsystem tá preso na minha garganta, um grande exemplo de show maravilhoso e vazio). Não seria mais fácil colocar os ingressos mais baratos para chamar mais público, inclusive os fanfarrões que só querem badalar?
Com isso, o Rio vai acabar (ou já foi?) sendo passado pra trás quando se trata de eventos alternativos. Vários festivais no nordeste e centro-oeste estão acontecendo, e o sul também está correndo por fora – e como vemos, vencendo. São Paulo sempre será São Paulo e pelo jeito ainda não perderá sua majestade (por ter público cativo e disposto): Motomix de graça, Skol Beats... além dos váááários outros shows que ocorrem lá que nem dão as caras por aqui. Enquanto isso, no Rio... vemos o cachorro correndo atrás do próprio rabo – sempre passando a culpa adiante sem se dar em conta que outro passará a culpa para outro até chegar a você de novo.
O pior de tudo é ver que isso é por pura preguiça! Como já disse, o Rio é uma ótima analogia para o Brasil: nosso país era o primeiro em várias coisas (oras, até no futebol), mas ao invés de correr atrás para sempre se manter no topo, resolveu se assentar no melhor estilo “sou o melhor, pra que se esforçar?!?!?”. Resultado: o mundo correu atrás e o ultrapassou (seja com as exportações de café ou açúcar, seja com o futebol). E agora, Brasil?
O Rio se conformou em ser a “Cidade Maravilhosa” e se deixou ser consumida por violência e pobreza e burrice, onde até os programas culturais (quem foi que disse que somos a Capital Cultural do Brasil mesmo?) estão indo pras cucuias. Vamos ter que nos contentar só com funk, MPB e bandas cover? E quem não se contentar terá que ir ver em outro lugar (SP, POA, Brasília...).
E agora, Rio?
- Yours truly,
Sra. T. Beresford
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Sábado, Agosto 09, 2008
THE GREATEST SUCKER FOR =W= THAT EVER LIVED
(Variations on the same theme)
Ao som de: Devo, Blur, Death from Above 1979, Descendents, The Dickies, Magazine, Muse e Mansun. Hooray!
Quando estive em Salvador, uma amiga me perguntou algo que, sem querer, acabou revelando ser um padrão em meu gosto musical: “Como você pode gostar do New Order e não do Joy Division?”. Respondi algo do tipo: “Eu não sei é como alguém que está conhecendo ambas as bandas hoje em dia pode gostar delas”. Gosto do N.O. – e mal conheço o Joy, aliás, só fui conhecer mais profundamente agora, por causa de certa moçoila também de Salvador - porque ele é parte de minha vida, várias de suas músicas ilustram vários períodos meus, e eu nunca esquecerei disso.
Sim, tenho uma enoooorme dificuldade de assimilar alguma banda que atuou num período o qual eu não vivi. Com isso, acabo cometendo verdadeiros sacrilégios musicais como dizer que Beatles e Beach Boys são geniais e duas de minhas bandas favoritas, mas que nunca os amarei como o Blur ou o Weezer. A impressão que tenho em se tratando das bandas mais antigas é como se eu estivesse acompanhando um show do lado de fora do recinto, como que participando de algo o qual não fui convidada, ouvindo um mero eco reverberando, um vestígio ínfimo do que a banda queria realmente mostrar - e assim não tem como eu me identificar mesmo. Tipo, por mais que o Quadrophenia do The Who seja uma obra-prima sobre a adolescência e a hora de crescer (e um discão, by the way), foram discos mais... hum... contemporâneos (e não necessariamente sobre teens) que embalaram minhas agruras desta época, e me orgulho muito disso: além dos citados acima, foram os Pixies, The Smiths/ Morrissey, o britpop, o college rock americano etc.
Por isso que os anos 1990 foram importantes para mim: acompanhei o que podia da época, bem como reencontrei os clássicos da década passada que ouvia desde pequena e não sabia quem eram, e fui atrás das principais referências das minhas bandas favoritas. Desde então, o que veio depois foi lucro (e deste lucro veio talvez a única banda a qual amo de paixão apesar de não ter conhecido na época, o Mansun) E assim fiz meu parco conhecimento musical.
Hoje em dia, reconheço que muito se perdeu com o passar do tempo. Nem tudo o que achava genial antes é tão bom agora – e morro de rir com a ironia ao ver alguém tão empolgado com alguma banda como eu costumava ser e agora não sou mais. É aquela sensação de que “eu já estive aí antes, já sei como é, vou partir pra outra” e sei que nem todos conseguem me acompanhar – como diz uma outra amiga minha “é coisa de geminiano, imediatista”.
Por outro lado, eu acho muito fácil e conveniente ser fã de bandas mártires e/ou que já acabaram, porque não há mais nada a ser feito e nenhum defeito a ser atribuído a elas – e por isso mesmo, acho meio sem graça. Sou adepta do fã de música semelhante ao fã de futebol: que tá lá com a banda do coração nos bons e maus momentos. E quem me conquista de vez consegue uma defensora inabalável, que beira ao ridículo na hora de elogiar. Apaixonada mesmo. Tiete. Macaca de auditório que chora e se descabela com um mínimo acorde familiar. E é aqui que encontra-se o Weezer, claro. A banda que me apaixonei à primeira ouvida quando ainda estavam começando, e que vi crescendo – e que eles também acompanharam o meu crescimento.
Podemos encará-los sob duas perspectivas: como a banda que nunca parou, teve apenas um hiato de 5 anos quando seu líder resolveu estudar e repensar sua carreira, e que sobreviveu aos anos 1990 e está prestes a varar os 2000 produzindo e mantendo uma trajetória linear (apesar de muitos dizerem o contrário, mas já vou falar disso); ou podemos ver como a banda que acabou após lançar “Pinkerton” (1996) para voltar em 2001 e conseguir nesta década um sucesso comercial cada vez maior. Em ambas as perspectivas, não deixa de ser uma banda fascinante. Afinal, são poucos os que atravessaram e sobreviveram aos anos 1990 e 2000 com algum reconhecimento crítico e um certo sucesso comercial.
Pegando o Blur, minha “outra banda importante”, de exemplo. Seu maior problema foi cada vez mais distanciar-se de sua proposta inicial, confundindo a todos. Inovaram em todas as suas doideiras, mas sei que até hoje tem muita gente que odeia os últimos discos deles e que adoraria vê-los voltando a fazer o mesmo que faziam em “Parklife”. O caso do Weezer é exatamente o contrário: reclamam porque eles até hoje fazem a mesma coisa de sempre. Realmente, não dá pra agradar a todos...
O Weezer, como já disse várias vezes, não é uma banda de discografia impecável. Ao contrário dos “fãs exigentes” do Pinkerton (que são uns malas que só sabem falar que esse é o Melhor Disco do Mundo, e eu discordo), hoje em dia até nele eu acho algumas canções medianas (no Disco Azul não, esse é TODO perfeito! Heh). E eu estaria mentindo se dissesse que não gosto dos discos que vieram depois, mesmo que tenham setlists que oscilam entre pérolas irrefutáveis e grandes bobagens. Mas, assim é a vida - variável. Por isso os acho tão lineares, dentro de sua carreira irregular. Eu gosto.
E, finalmente, depois de uns meses com o Red Album no CD player do meu quarto (mp3 de download vazado no player não vale, pra mim não é a mesma coisa), posso chegar àlgumas conclusões sobre este disco. Talvez seja o mais ousado desde Maladroit (2002), por ter músicas difíceis de se gostar de primeira, ou mesmo por ter músicas que eu não gosto, apesar de ter me empolgado de início (como as músicas cantadas pelos colegas de banda e não por Rivers). “The Greatest Man That Ever Lived” já é uma das melhores músicas do Weezer, e eu continuo me arrepiando quando ele canta o refrão como se fosse a primeira vez. “Troublemaker” e “Dreamin’” são hits em potencial que não fariam feio na “Era de Ouro do =W=”, bem como “Pork and Beans”, que é uma das melhores músicas do ano. “Heart Songs” e “Everybody Get Dangerous” e “The Angel and The One” são as medianas, enquanto as três cantadas por Brian, Scott e Pat são as mais fraquinhas – ou então as mais preguiçosas quanto à produção – e dentre essas, a que mais gosto é “Automatic”, cantada pelo baterista. Falo da preguiça da produção porque esta também parece prejudicar as faixas bônus da edição especial – “Miss Sweeney” (a mais melodramática e bonitinha), “Pig”, “The Spider” e “King”.
Mas, o melhor deste disco no fim das contas é ver o próprio Weezer querendo deixar claro que eles não devem nem nunca deveriam ter sidos levados à sério. Não são mártires, nem perfeitos, nem metidos à besta: são só uma banda querendo se divertir divertindo. E é por isso que eu continuo os amando e adorando cada lançamento deles: o mundo será um lugar mais inconsequentemente juvenil – e por conseguinte, mais alegre – enquanto eles lançarem discos. E eu continuarei os acompanhando, e eles continuarão “musicando” a minha vida.
- Yours truly,
Sra. T. Beresford.
Terça-feira, Agosto 05, 2008
... que estou desenvolvendo um certo fetiche por homens em roupas monocromáticas?!?!?
Today, Chapter One: Bellamy in Red!
Ai.
Next: Al Doyle em Amarelo!
Hummmm...
hahaha
/aqnuc
Sexta-feira, Agosto 01, 2008
"E O SHOW DO MUSE??"
Pois é. E o show do Muse?
Não sei o que falar. Bem, nunca fui das melhores resenhistas de shows (nem de p**** nenhuma, actually) por este motivo mesmo: as palavras faltam em shows como este.
Aliás, o Muse é uma banda assim. Não cabe em definições simplórias, e até sua gama de admiradores vai além de panelinhas fechadas, uma façanha para os dias de hoje: são metaleiros, popeiros, indieotas, micareteiros... todos. A falta de preconceitos e esteriótipos não é ótima? Só isso já era algo agradável de se ver: não era apenas um bando de gente querendo fazer mais pose que ver um show. Tinha gente assim também, claro, mas a quantidade de gente com camisa da banda e cantando e pulando e entoando cada riff loucamente deixava claro que a maioria que estava ali sabia o porquê.
E eu adoro o Muse, e sei lá como. Eles unem várias coisas que normalmente não gosto na música: um progressivo lá, um metal aqui, algum virtuosismo. Teria tudo para odiar a banda, e não consigo porque eles têm o algo a mais que não sei explicar. Fazer o quê?
Tá, e como é ver finalmente uma das melhores bandas ao vivo do mundo ao vivo e à cores? É tudo o que se poderia imaginar. É grandioso, quadriloquente, e lindo. É um tapa na sua cara. Um tapa ultrasônico, que você leva e pede mais e mais, porque ele atiça os sentidos. Som, imagem, empolgação... é algo que só estando lá para saber.
Me debulhei em lágrimas quando ouvi "Sunburn" ao vivo. Mesmo não sendo a minha música favorita deles, fiquei toda arrepiada - tal como quando ouvi essa música pela primeira vez num anúncio da Apple milhões de anos atrás. E olha que pra ficar arrepiada com um anúncio de TV... não é qualquer um que faz isso comigo não! :D
E "Knights of Cydonia" foi um dos melhores inícios de show que já vi na vida. E "Take a Bow" um dos melhores finais. E o que veio entre essas foi... ah, não sei.
"Mágico" é o que costumamos dizer, né?
- Yours truly,
Sra. T. Beresford.
Domingo, Julho 27, 2008
(ou o como tem gente criativa nesse mundo ou como tem gente com nada melhor para fazer nesse mundo)
Começo este post perguntando aos meus 3 leitores se alguém aí sabe como criar emoticons para msn. Eu não faço a mínima idéia, bem como os poucos amigos com quem bato um esporádico papo por mensagens instantâneas – a minha sis sabe, mas ela não quer revelar o segredo para nós reles mortais, mesmo porque é bem provável que mesmo que ela me ensinasse eu continuaria dando umas batatadas. Então, é melhor assim.
Dentro desta debilidade, geramos um fenômeno bobocamente divertido: o de criar atalhos de teclado para emoticons que praticamente não existem.
Explico: por exemplo, tenho uma amiga que é apaixonada pelo Michael Palin. Na falta de emoticons de verdade que façam jus à sua beleza, temos agora o comando “barra-mike” (ou /mike), que pode representar qualquer foto de qualquer época de Palin. A partir do barra-mike, temos variações praticamente ilimitadas como /mike-de-padre, /mike-na-cozinha ou o fetiche de sua preferência. O melhor é que a imagem que passará pela cabeça de minha amiga ao ver o comando na tela muito provavelmente será diferente da minha, o que torna este um recurso de ordem subjetiva que estimula a criatividade e a imaginação dos internautas! Heh.
Outro exemplo divertido foi o que fiz com um amigo. Começou por causa de James Murphy, figura querida por nós dois. O primeiro emoticon a respeito foi o “barra-LCD” (/LCD), referência à banda do sujeito, uma figura que representaria qualquer evento/festa/show de caráter imperdível. Então, veio o “barra-James” (/james), que nada mais era que uma saudação super nerd do tipo “Que o James Murphy esteja com você”, algo bem Star Wars mesmo. Meu amigo, ao ver esse comando pela primeira vez no msn, só fez perguntar “Mas o que é isso? Vai aparecer deus tocando bongô, é?”. Não analisaremos aqui a dialética James Murphy X Deus (e o que o bongô tem a ver com isso), já que só diz respeito aos admiradores de James e/ou deus (e bongôs), mas a grande sacada é a seguinte: o trabalhão que seria fazer uma montagem de James como deus e tocando bongô só para criar um emoticon, entendeu?
Para que tanto trabalho se é tão mais fácil escrever /james e deixar que sua fértil imaginação se encarregue do resto?
Nem preciso dizer que o já citado líder do LCD Soundsystem é o recordista de comandos de emoticon que não existem, pelos motivos mais óbvios: além dele ser uma das Figuras Mais Queridas do Mundo deste modesto blog (e essa é uma lista menor do que muita gente pensa), é o tipo de cara que tem milhares de fotos que pedem para serem zoadas, digo, virarem emoticons. E assim, logo o barra-James virou retrô com a chegada do “barra-aqnuc”. Esse então, tem uma origem mais insólita ainda, que começou comigo, este meu já citado amigo e o Patrão comentando sobre o tamanho das (parafraseando Monty Python) naughty bits de nosso homenageado. Conspiraram que poderia ter sido caxumba que “ele pegou e desceu”, ou então que ele não usava cueca. Ou que era grande mesmo, por quê não? Das opções dadas, ficamos com a “mais amena” (ou sei lá, é tudo tão uma questão de ponto-de-vista, hihi) e criamos o barra-aquele-que-não-usa-cueca (/aqnuc), que é muito mais interessante que o /james, uma vez que é mais que um mero “Que o James Murphy esteja com você” – é um “Que o James Murphy esteja com você SEM CUECA”. Ui.
Ok, ok, vou parar com essa sem-vergonhice por aqui. Mas uma coisa é fato: se uma imagem vale mais que mil palavras, o atalho certo vale mais que muuuuitas imagens! :D
"Party on, Wayne!
Party on, Garth!"
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Terça-feira, Julho 22, 2008
(o post sobre "Dark Knight")

Sempre nutri um carinho maior pela DC Comics que pela Marvel – e a culpa disso, claro, são Superman e Batman que, apesar de anos e mais anos de histórias ruins (o que não deixa de ser agradável, economizei muito $$$ nos últimos anos ao parar de me dedicar à coleção de gibis, hihihi), ainda não perderam seu lugar como ícones maiores das histórias em quadrinhos. Para mim, por mais que surjam outros nomes que queiram “renovar” o gênero, sempre haverá um ranço de “você pode ser tudo, mas nunca será um Superman (no caso dos heróis com poderes) ou um Batman (no caso dos heróis de carne-e-osso)”. E vai ter que ralar muito para barrar a longevidade desses. E é isso aí.
No caso do kryptoniano, sou até mais fã de sua “máscara” de Clark Kent, o adorável repórter nerd e atrapalhado do Planeta Diário que de sua real face como Superman. Em se tratando do Batman, eu sou muito, mas muito suspeita de falar qualquer coisa. Antes mesmo de me reconhecer como uma fã declarada, eu já acompanhava o Homem-Morcego da forma que podia e nem sabia exatamente o porquê. Lá em 1989, quando seu primeiro filme saiu (e eu assisti na estréia), um amiguinho cujo pai trabalhava na editora que publicava os heróis DC no Brasil na época me deu várias revistas do Batman, porque meu irmão não as queria. Uma delas era “Batman Ano Um”, de Frank Miller – que aceitei na hora por se tratar de um gibi escrito pelo tal autor que tinha acabado de conhecer e adorado por causa de “Elektra Assassina”, mencionada 2 posts atrás.
Com meu gosto por quadrinhos, hum, “maturando”, acabei me deparando com “Cavaleiro das Trevas”, uma das maiores obras (também de Miller) sobre o maior detetive do mundo. Encontrar um significant other também fanático pelo mundo de Gotham parecia inevitável no fim das contas. Desde então, meu gosto pelo personagem é de uma admiração cada vez maior. E fiquei mais exigente: dos filmes antigos, hoje eu acho todos eles pífios (por incrível que pareça, o “menos ruim” é "Batman – o Retorno", o do Pingüim e da Mulher-Gato), enquanto que já assisti a “Batman Begins” mais de 15 vezes (um recorde para mim) e não me canso de revê-lo.
Mas, antes de gostar tanto do Batman, havia o Coringa.
O Coringa é o meu personagem de quadrinhos favoritos há muito tempo. Talvez seja O meu personagem favorito de todos os tempos. É uma adoração que também não sei de onde veio, mas que provavelmente tem a ver com o fato de ele ser um louco sagaz, altamente persuasivo, que nunca perde o humor (mesmo que doentio) e ainda assim tem um notável senso de estilo (terno roxo é lindo e não é pra qualquer um, já falei). Eu acho invejável, mesmo porque eu sei que NUNCA teria coragem de fazer um terço do que ele é capaz (ainda bem, devo deixar claro). Enfim, uma relação de atração e de medo, muito medo. Freud explica.
E, sendo meu personagem favorito, sempre tive um ciuminho por ele. Sempre achei que ele nunca recebeu uma interpretação digna no cinema e na série de TV (nos desenhos animados, ainda vai) - o que era um absurdo, já que se trata de um dos personagens mais fascinantes já criados. Tá bom, tá bom, quando Jerry Robinson o criou ele não era assim tão maluco, e reconheço que essa imagem que tenho dele deve-se à leitura que fiz dos gibis certos, mas, e daí?
Daí é que finalmente a imagem do Coringa que eu sempre gostei finalmente foi devidamente retratada em “O Cavaleiro das Trevas”. O Coringa de Heath Ledger é de dar medo, MUITO medo, por se tratar de algo tão absurdo, mas possível de acontecer – ainda mais num mundo em que noções de certo e errado são tão tênues e frágeis como o nosso. Comparar o Palhaço com terroristas como Bin Laden virou chavão agora – mas nem vem, o Coringa veio antes, tá? E de forma piorada, porque com ele não há fronteiras ou partidos políticos ou ideologias, é contra tudo e todos – e por isso mesmo dá tanto medo.
Antes mesmo do Coringa mostrar seu rosto pela primeira vez no filme, fiquei toda arrepiada só de vê-lo andar, de costas, curvado e meio trôpego: “Meu Deus, é ele!!!”. Taaantas emoções, hehehe. E, quando ele faz o seu infame truque de “desaparecer o lápis”, já era: aquele era o Coringa que eu queria ver nas telas – e o que merecia ser mostrado ao público, não um bandido engraçadinho ou algo assim, mas o caos e a maldade encarnados. Cada aparição que ele faz é de embasbacar tanto fãs do gibi como o espectador comum. Numa palavra, a derradeira atuação de Ledger é extraordinária.
Mas não é só de Coringa que se sustenta “O Cavaleiro das Trevas”, pelo contrário, ele é apenas uma “engrenagem” da história, o que faz com que o novo filme do Homem-Morcego se destaque (desde “Batman Begins”, aliás) dentre tantas outras adaptações de gibis para o cinema: ela traz “algo a mais” – elenco impecável e carismático, roteiros sem enrolações (e olha que o filme é longo, mais de duas horas e meia - eu não percebi), e uma dose de verossimilhança – muita gente comparou seu ritmo aos thrillers policiais dos anos 1970, o que faz sentido. E, o que eu acho mais fascinante: consegue agregar vários valores que fazem parte do universo do gibi sem ser uma mera adaptação quadro-a-quadro (ou seria “quadrinho-a-quadrinho”? :P) de alguma graphic novel importante ou algo assim. Nada contra filmes que o fizeram (“300”, “Sin City”), mas ainda acho que dessa forma há um diferencial – afinal, filme é filme, gibi é gibi. De resto, Christian Bale é Bruce Wayne e Batman na medida certa, desde o primeiro filme – charmoso e algo canalha enquanto civil, e um herói apaixonado quando mascarado; Aaron Eckhart revelou-se a escolha perfeita para ser “O Cavaleiro Branco de Gotham” Harvey Dent (e está LINDO até que... ah, esquece); Maggie Gyllenhaal conserta o único equívoco de “Batman Begins” – que era a escolha de Katie Holmes para o papel de Rachel Dawes. Além de Michael Caine como Alfred e Gary Oldman como Jim Gordon (finalmente sendo promovido a Comissário) que dispensam comentários por serem pessoas queridas desse modesto blogue há muito tempo.
Até agora não soube de nenhuma crítica ruim ao filme, e por isso mesmo já sei que cedo ou tarde aparecerá algum chato enchendo-o de defeitos ou algo assim. Pra mim, é um filme que dá gosto de ver – comparando toscamente, trata-se do Begins melhorado, e olha que este já era o meu filme de herói favorito. Ele instiga de forma como não via há muito tempo – quando vi pela segunda vez, com minha mãe e meu irmão, fiquei satisfeita de ver que ambos não conseguiam parar de falar do filme quando este chegou ao fim. Ou seja, não era mera excitação de nerd de gibi, como poderiam dizer ser o meu caso – ironicamente, eu estava sem palavras, tanto que nem consegui postar sobre o filme aqui antes.
Filme do ano? Minha opinião, acho difícil aparecer algo que o supere. Melhor adaptação cinematográfica para um personagem de quadrinhos? Até agora, é bem provável que seja. Tenho pena de qualquer filme de herói que venha depois desse. Agora, os parâmetros são outros e o buraco ficou mais embaixo.
Boa sorte para os vindouros.
- Yours truly,
Sra. T. Beresford
Segunda-feira, Julho 21, 2008
Confesso: ainda estou em estado de choque depois do impacto de "O Cavaleiro das Trevas". Já vi duas vezes e quero ver mais ainda, apesar de ser um filme longo. Aliás, eu nem percebi... hehehe.
Eu não sei ainda o que escrever sobre o filme. Sério. Não tenho palavras. Fica pro próximo post.
De resto, deixo vocês com o trailer de Watchmen, que também me deixou bastante impressionada. É o tipo de trailer que impressiona mais quem já leu o gibi e vai identificar as cenas certas, mas mesmo assim vale a olhada. Será que o filme do ano que vem, assim como o Batman, será também um filme de gibi?
Veja aqui antem que a Warner retire do ar de novo.
"Party on, Wayne!
Party on, Garth!"
Sábado, Julho 12, 2008
(essa foto tá aqui para outros propósitos que mais tarde quem sabe eu explico...)
ATRAPALHANDO NEIL
Sou daquelas entusiastas de Histórias em Quadrinhos que enchem a boca pra falar com orgulho que já leu Graphic Novels melhores que muitos livros por aí. Grande parte da responsabilidade por tal declaração recai em 3 autores que revolucionaram o gênero a partir dos anos 1980, provando que quadrinhos não eram apenas histórias de heróis e/ou escritas para crianças - bem como não deveriam ser restritas ao underground.
Como bem mostrou o mestre e criador do termo Graphic Novel ("Romance Gráfico"), Will Eisner, HQs podem ser verdadeiras obras de arte em termos visuais e conterem tramas mais complexas e adultas - coisa que esse trio de autores faz muito bem. Não é à toa que costumo brincar dizendo "Amém" depois que digo seus nomes.
Então, lá vai: Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman. Amém!
O norte-americano Frank Miller foi o primeiro com quem tive contato, quando li "Elektra Assassina" aos 9 anos. Claro que não entendi lhufas, mas adorei mesmo assim - descobri então que as novels podiam ser tão estilosas, violentas, sexy e vibrantes - e ele logo tornou-se a principal referência quando resolvi me aprofundar no mundo dos quadrinhos adultos: com títulos clássicos como "O Cavaleiro das Trevas", "Ronin", "Sin City" e "300 de Esparta" entre outros, não poderia ser diferente. Tanto que até hoje meu coração bate mais forte quando leio algo a seu respeito, sobre um novo projeto ou algo do tipo.
Lá nos idos da adolescência, fui apresentada ao britânico Alan Moore, um desses caras que me dão medo. Nem tanto por sua aparência e comportamento recluso típicos de hermitão, mas principalmente por se tratar de alguém muito culto e inteligente: a impressão que tenho é que ele não apenas tem sede de conhecimento como sabe o que fazer com toda a informação que adquire. Nada em suas histórias é gratuito, muito menos simples. A riqueza de nuances é de embasbacar qualquer leitor detalhista, como vemos em obras marcantes e/ou importantíssimas como "Watchmen", "Do Inferno" e "As Aventuras da Liga Extraordinária".
Neil Gaiman, o brit-residente-nos-EUA, foi o último com quem tive contato - já adulta. Foi o último porque: 1) não sabia por onde começar com sua extensa obra; 2) morria de medo de não entender nada do mundo de seu personagem mais conhecido, o Sandman - sempre imaginava que suas histórias seriam oníricas e filosóficas demais para mim.
(Porém, Neil conta com o melhor estímulo que uma mulher pode ter para se interessar por seu trabalho: a sua cara. Hahahahahahahaha)

Beleza à parte, o que me encantou em Neil foi que ele conseguiu ser sim, onírico e filosófico mas nunca de forma maçante. Sua narrativa é cinematográfica (como a de Miller e Moore - não é de se espantar que obras dos três já foram para a tela grande com resultados de ótimos a risíveis), resultado das lições que teve com o próprio Moore, para quem pediu ajuda quando decidiu criar histórias para quadrinhos. Cinematográfica e altamente viciante - passei muitas noites em claro sem conseguir desgrudar os olhos das belas, viajantes e muitas vezes temíveis histórias de Sandman. Ele me parece tão cuidadoso e detalhista como Moore, mas sem parecer tão obsessivo - uma leitura riquíssima e ainda assim pop.
Gaiman é muito querido do público brasileiro - segundo o próprio, porque compreendemos e aceitamos melhor esta visão mais mística das coisas - ou seja, qualquer aparição sua por nossas terras sempre rende MUITA gente, MUITOS livros a serem autografados (ele não vai embora enquanto não atende a todos), muitos fãs fantasiados ou com tatuagens de seus personagens favoritos enfim... uma histeria digna de rockstar. Em minha opinião, um culto merecido sim. Afinal, aposto que muita gente aprendeu a gostar de ler por sua causa, e "pra piorar" o cara é gente boa e sabe da importância da troca com seus fãs. Aí, não tem como não gamar de vez!
Minha mãe que resolveu botar pilha para irmos à última Feira Literária de Parati: "O QUEEEEE?!?!?! O NEIL VEM AÍ E VOCÊ NÃO QUER IR VÊ-LO? TÁ DOIDA???" Na verdade, os fãs hardcore e com mais $$$ que eu baixavam a minha bola: a tenda onde Neil estaria já estava com ingressos esgotados desde sempre, e provavelmente todos os lugares para se hospedar já estavam lotados.
"Que nada, dá-se um jeito". Se a mãe disse, tá dito!
Eu, mãe e Patron pegamos o ônibus de 4 da manhã no Rio, este dominado por pessoas de preto, ou de visual descolado, ou com camisa de estampa de gibi. No mínimo 90% estava lá para ver Neil. Chegamos em Parati às 9 da manhã, e ele estava marcado para aparecer na mesa redonda de 11h45 - aquela que já tava lotada, mas que dava para assistir num telão, de graça.
Enquanto fazíamos hora para a aparição do cara, conhecíamos um pouco da cidade. Foi quando minha mãe resolveu dar mais uma dela e perguntou para um segurança qualquer que estava pela cidade se ele sabia onde estava hospedado o Sr. Gaiman. Para surpresa minha e do Patrão, que achávamos que o segurança nem saberia de quem se trata, ele respondeu que achava que ele estava numa pousada, e nos deu instruções de como chegar nela. Parecia fácil demais para ser verdade. E lá fomos nós.
Chegando lá, não era a pousada certa. Não disse que tava fácil demais para ser verdade? Mas a recepcionista nos falou onde ele realmente estava. E lá fomos nós de novo. Chegando no local certo, a nova recepcionista falou que ele estava lá sim, e que ainda nem tinha tomado café e que a gente não poderia esperar por ele lá dentro. Fácil demais pra ser verdade, ele deve sair por uma outra porta escondida ou algo assim.
Esperamos do lado de fora da pousada, de frente à porta de entrada. Alguns minutos depois, surge uma figura extremamente branca de cabelo e barba grisalhos, toda de negro, com os típicos óculos escuros e pára na porta do recinto, ligando sua câmera. Mãe nem reparou, e Patron tinha saído para comprar algo para beber, enquanto que eu estava num semi-estado de choque. Aquilo era sim, bom e fácil demais para ser verdade. E eu não sabia como reagir, só conseguindo murmurar um "Neil???" mais baixinho do que gostaria. Ele olhou direto em minha direção e sorriu e eu pude sentir meu rosto ficando totalmente ruborizado. Só consegui mostrar-lhe um de seus livros - que já estava estrategicamente em minha mão desde que chegamos na pousada - e pedir para ele assiná-lo, o que ele fez sem problema enquanto eu continuava com a reação mais boboca do mundo - do fã com medo de falar qualquer coisa com medo de "estar incomodando". Poderia ter-lhe dito exatamente as palavras com que comecei este post; ou então algumas das palavras que ilustraram parte da metade desde modesto post, mas não consegui. Fiquei apenas calada a seu lado, tentando inalar o máximo possível do mesmo ar que ele, como que buscando uma inspiração ou sei lá - enquanto ele assinava e desenhava pacientemente em minha cópia de "Coraline".
Patron saca sua câmera e tira algumas fotos para registar o momento. E então Sr. Gaiman segue seu rumo, com câmera na mão e seu andar desajeitado, caminhando por alguns minutos pela cidade, tirando algumas fotos e aproveitando seus últimos instantes como anônimo. Alguns minutos depois a gente se cruza novamente e trocamos um sorriso cúmplice, como que dizendo "É, só vocês que me reconheceram mesmo".
Acho que no fim das contas este foi o melhor elogio que poderia ter feito à ele.
- Yours truly,
Sra. T. Beresford
P.S. Então, dia 18, estréia o Filme do Ano. Todos a postos! Eu vou chorar muito - afinal, sou uma dessas pessoas "insensíveis" que não choram em dramalhões, e sim em bons filmes de herói! :D
Terça-feira, Julho 01, 2008

Ao som de "Tripoli", "Chaos Engine", "Shag", "Crutch", "Trainer", "Manchuria", "June", "Microtonic Wave", "Victorious D", "Offcell", "B" - PINBACK.
"A mulher sempre reclama do que faz para chamar a atenção do homem: salto alto, meia-calça, maquiagem. Mas é pior para o homem, porque não há o que fazer. Por isso construímos pontes, escalamos montanhas, exploramos territórios desconhecidos... Acham que queremos fazer isso? Ninguém quer construir uma ponte! É muito, muito difícil! Projetar foguetes, voar pelo espaço. Garanto que todo astronauta ao voltar, pergunta à namorada: "E aí? Você me viu lá em cima??"
Jerry Seinfeld em "The Pilot pt. 2", episódio 24 da 4ª temporada da série que leva seu nome.
MACHISTA, EU?!?!?!!
Depois expôr meu lado "anti-nacionalista" com o post sobre o Hot Chip, tá na hora de mostrar meu lado machista(?!?!).
O trecho acima citado, um de meus favoritos da stand up comedy de Jerry Seinfeld, meio que ilustra meu pensamento: o homem faz certas coisas espcialmente para impressionar um(a) possível parceiro(a) - incluo nesta lista a vontade de formar bandas e fazer música.
O mais divertido é que vemos que os músicos normalmente "não têm tempo para se dedicar a um relacionamento", o que acaba justificando a fama de galinhas. É algo feito sob medida aos homens, que tanto dizem morrer de medo do compromisso: ao mesmo tempo em que atraem a mulherada, mantém a distância, a aura de mistério típica de artistas. Tudo muito lindo, tudo muito mágico. Por outro lado, as mulheres pouco se lixam com isso, dando a entender que não deixarão de achar os artistas atraentes - pelo contrário, quanto mais complicado o cara for, mais elas gostam. Então...
O que foi expresso aí em cima é uma opinião generalizada e extremamente estereotipada a qual eu não concordo completamente - mas também, se eu falasse que isso não acontece estaria mentindo.
No que me diz respeito, gosto da idéia de que músicos estão lá, sim, para me entreter, instigar a imaginação - me conquistar. Tanto que não é novidade alguma me apaixonar por alguém pelo simples fato de fazer música que me toca. Talvez seja por isso que me é tão difícil gostar de artistas mulheres e tal. Não que eu seja dessas heteros radicais com medo de se sentir atraída por mulher, pelo contrário... Mas, pode parecer tão preconceituoso quanto o acima, sei lá... (e tô me lixando se parecer, não tenho obrigação nenhuma de gostar mesmo) mas a verdade é que a maioria das artistas femininas não me agrada porque 1) não gosto da voz, fazer o quê?; ou 2) acho musicalmente boboca; ou 3) acho que só tem pose e tá mais preocupada em mostrar que é bonitinha e pior, não quer admitir que esta é sua real intenção, soando hipócrita; ou 4) faz coisas de gosto duvidoso mesmo (digo isso sendo fã confessa da Madonna desde os 4 anos de idade e curto as sacanagens dela, mas tem cada uma que quer ser "mais" que ela e não dá).
So, Amy Winehouse? Legal, mas prefiro a versão que os Arctic Monkeys fizeram de uma música dela. Lily Allen?? Sério, "Oh my God" só se for com o Kaiser Chiefs. Prefiro o Muse brincando de Britney Spears em "Supermassive Black Hole" que a própria - apesar de admitir que ela tem músicas ótimas como "Toxic", que aliás prefiro a versão do Hard Fi ou mesmo do Mark Ronson à dela. E o que dizer dessas cantoras voz-e-piano tentando parecer a Carole King?... aff... E olha que as bandas citadas acima nem são clássicas ou algo do tipo - são apenas boas bandas atuais de pop/rock.
Será que tô pedindo muito em querer alguém realmente interessante para representar a mulherada no mundo pop e que não seja uma sub-alguma-coisa? Claro que tenho exceções na CDteca, nomes que sempre acabam dando as caras por aqui: mulheres que são lindas sem fazer caras e bocas e sem serem necessariamente belas; que cantam muito mesmo sem terem vozes fáceis de se gostar e/ou alcance vocal impressionante; e que não precisam levantar bandeiras para mostrar que têm conteúdo - seu trabalho tá aí pra isso - o que importa é que acreditam no que fazem, o que me faz acreditar nelas também.
Nesse quadro surge o The Ting Tings, dupla britânica formada por Jules De Martino (bateria, vocais) e Katie White (vocais, guitarra, baixo) que é divertida, despretensiosa, alegre... enfim, pop. Desde que vi o clipe de "Great DJ" pela primeira vez uns 2 ou 3 meses atrás que a música não saiu da cabeça. "We Started Nothing", o primeiro disco deles, tá no meu player desde o dia de seu lançamento. Das bandas que debutaram este ano, deve ter sido a que mais me agradou até agora. E o que eles têm demais? Aparentemente nada. Mas não tem como não se lembrar de "Hey Mickey" e ter vontade de sair imitando cheerleader ouvindo "That's not my name". Como não sorrir com o quê de Junior Senior de "Fruit Machine" e do "What's new Pussycat" de Burt Bacharach em "Traffic Light". E como não admirar o "Take me out" deliciosamente roubado do Franz em "Shut up and let me go"... e o resto do disco não deixa a bola cair: "Keep your head", "We Walk", "Be the one", e "We Started Nothing" são divertidas, fofas, grudam na cabeça como toda boa música pop o é. E a esquisita "Impacilla Carpisung" é uma de minhas favoritas, com camadas de vocais cantando algo que não faço idéia e teclados engraçados.
Katie White, a vocalista, é um bom exemplo do que quero dizer: não é feia, mas também não esfrega sua beleza na nossa cara, obrigando-nos a achá-la liiiinda com camadas e camadas de photoshop; é estilosa, mas de forma lúdica - como a música do Ting Tings; não tem a voz precisamente linda, mas tem personalidade. Prefiro ela à muita mulher por aí. Só resta torcer para que essa não seja uma impressão errônea, ou que ela se perca nos caminhos da fama, como acontece tanto por aí. Ela está se destacando exatamente por "não começar nada".
Já que estamos falando de mulher, vambora.
Nunca assisti a um episódio de Sex and the City por inteiro. Tinha a maior bronca mesmo, preconceito, porque tinha a impressão de que parecia uma série onde a imagem da mulher era bem idiota - onde a meta de vida é ter os sapatos, as roupas e o homem certo. Ok, adoro sapatos, roupas e homens e tampouco sei qual o meu papel no mundo, mas resumi-lo a isso me soava... :S
Para ficar com um "equivalente", enquanto minhas amigas achavam Sex and the City o máximo, eu era viciada em Queer as Folk. Não sei qual a opinião dos gays sobre esta série, se era honesta, se mostrava "os gays como eles são" etc. Só sei que eu conseguia me identificar mais com os personagens desta - seria eu uma mistura de Michael Novotny com Emmett Honeycut?! :D - mais que com Carries, Samanthas, Mirandas e Charlottes. Eu achava tudo tão bem desenvolvido e amarrado que eu acabava me identificando com todos os personagens da série em determinado ponto. Fora que a trilha sonora era melhor que a música-de-mulherzinha da série de Darren Star, e o sexo era hot.
Mas, resolvi deixar as implicâncias gratuitas de lado e encarar o filme. No geral, ele parece um episódio muito estendido - sem necessidade - o que acaba ficando arrastado. Mas, levando na esportiva, nem é um filme ruim. O pior, certamente, é ver que todos os estereótipos que tanto me irritam na série - e que gostaria de ver que eles não existiam, eram só coisa da minha cabeça - estão no filme. E, para um filme tirado de uma série que, dizem, "revolucionou o comportamento feminino", parece que ele faz exatamente o contrário.
Ser mulher é isso então? Achar que o mundo se divide em "dentro" e "fora" de Manhattan (pelo contrário, queria eu morar no Brooklyn e ser vizinha do James! Hahahaha)? Que é o máximo pagar trilhões por uma bolsa e o dobro por um par de sapatos? Que tem que se casar com o cara que bancar o que você quiser e ainda fazer um closet do tamanho de uma casa só pra você?
Sei lá, ainda não aprendi a ser assim. Tenho extravagâncias sim, ou ao menos eu acho que são - e não são nada comparado ao que vi no filme. E se isso é ser mulher, prefiro ser moleca, bicha nerd, adultescente ou sei lá que diabos eu sou. Melhor assim.
- Yours truly,
Sra. T. Beresford.
Marcadores: menção gratuita à James Murphy, mulheres que se acham
Sábado, Junho 21, 2008
afinal, o que eles pedem sorrindo que a gente não faz chorando?!?!?!
Quem conhece esta que vos digita sabe que ela já está em estado de constante chilique desde que soube que certas bandas darão as caras por aqui ainda este ano. Segue algumas aí e o chilique-level correspondente:

MUSE
Chilique-level: 5/5 - Eu ainda não acredito que eles vêm aqui! Sério.
Quem? Banda britânica megalômana, metaleira, progressivóide e que apesar disso tudo eu gosto muito. Ah, sério que tem alguém que não conhece o Muse?!?!?! Poxa, vai ouvir então que é bom, uai.
Onde? Vivo Rio
Quando? 30 de julho
Não recomendado para: Os malas que a-do-ram dizer que eles são cópia do Radiohead. Ora, vão se catar. E podem falar que tô doida: atualmente, sou mais o tesão do Muse em tocar que o Radiohead e sua tensão paranóide.
Recomendado para: Quem quer ver como o Matt se parece com o Alex Kapranos (eu), quem quer ver um showzão (são considerados uma das melhores bandas ao vivo do planeta), e para quem quer ter seu momento-Iron-Maiden cantarolando os riffs de "Knights of Cydonia".
E pq esse chilique todo? Simplesmente porque eles não têm um disco ruim, então qualquer setlist que venha será bom; pq o último disco de estúdio deles, "Black Holes and Revelations" é muito bom e porque certamente eu terei coisas ouvindo os falsetes de "Supermassive Black Hole" ao vivo. Ui.

THE FUTUREHEADS
Chilique-level: 3/5 - tem coisas que só o fenômeno indie (?!?!?!!?) faz por você.
Quem? Banda britânica de punk-rockinho-meio-adolescente-e-que-se-parece-com-muitos-outros-mas-eu-gosto-mesmo-assim.
Onde? No Canecão. Como assim?!?!?!?!?!
Quando? 29 de Agosto.
Não recomendado para: para os rabugentos que acham essas bandas todas iguais. Blé.
Recomendado para: Pessoas que querem se divertir à balde; quem quer ouvir os vocais de jogral lindinhos que só eles fazem hoje; quem acha o guitarrista Ross Millard (o de gordinho de óculos) muito fofinho e tá doida para vê-lo ao vivo(eu de novo!).
E pq o chiliquinho? Meu Deus, o que uma banda como o Futureheads vem fazer no Brasil?!?!?!? E o último disco, "This is not the World", é bem legal.

THE HIVES
Chilique-level: 5/5 - Eu ainda não acredito que eles vêm aqui 2!!!!
Quem? Banda sueca hiperativa de punk-rock-abilly-histérico-com-coisas-de-new-wave-e-nerdices-como-Devo. Uau!
Onde? Circo Voador, que pelo jeito continuará sendo O local de shows lendários.
Quando? 7 de Setembro, minha gente!!! SETE DE SETEMBRO!!!
Não recomendado para: Pessoas de mal com a vida.
Recomendado para: Quem gosta de pular loucamente nun show como se não tivesse amanhã; quem quer ver outra das melhores bandas ao vivo no mundo hoje; para quem gosta de bandas que te dão vontade de ter banda também; para quem quer ver toda a beleza e mick-jaggerice do vocalista Howlin' Pelle Almqvist ao vivo e à cores(ou seja, eu).
E pq o chilique? Porque The Hives ao vivo no Circo é um sonho de consumo antigo que achei que nunca se tornaria realidade. E o último disco deles, "Black and White Album" é dsjkhsjghsdjkghsdjkghsdjkhgs de bom.
NEXT: Kaiser Chiefs e Queens of the Stone Age - fecharam ou não?!?!?!?!
Marcadores: desespero por música
Sábado, Junho 07, 2008

Pat Mahoney... já coloquei aqui que para mim ele é um dos bateristas mais legais do mundo hoje? Só ele consegue ser tão careca-cabeludo, esquisito, ter bom gosto para camisas Lacoste e óculos escuros, arrebentar com a bateria e ser compadre do James! \o/ hahahahahahaha
E já é a segunda foto do Pat aqui nesse modesto blogue... quem manda ele ser legal e tirar ótimas fotos e/ou fotos bem-acompanhado?!?!
*
*
*
Nhé, mais uma semana de blogueio criativo. Tô de bode.
E a receita para animar esta que vos digita é bem fácil, desde que ela tenha acesso à uma banda larga rápida o bastante para encarar video-streaming - e isso é mais difícil do que se imagina, mas...
Olha que coisa mais linda e mais cheia de graça (?!?!?!?!)...
Ver o homem cantando gribado e ainda assim arrasando na gritaria, dando entrevista e falando besteira com a cara mais séria, dançando de forma engraçadíssima apertado num estúdio de rádio, e fazendo caretas e sorrisinhos quando se dá conta de que está no ar... E, como se não bastasse, tem a Nancy Whang (já coloquei aqui que eu adoro a Nancy? Ela é estilosa, dá gritos legais e engraçados, toca os teclados mais nerd do mundo e é comadre do James!:P) e uma versão de "All my Friends" que TALVEZ seja melhor que a do disco! Ah, isso vale os seis reais de lan house no fim do dia!...
Ninguém sabe como salvar isso não? Pelamor...DELE!
haha
Marcadores: menção gratuita à James Murphy, não é gratuita coisa nenhuma
Terça-feira, Maio 27, 2008

É isso mesmo, meu povo e minha pova: Ned, o confeiteiro de Pushing Daisies, é o cara mais bonitinho do momento. Pronto, falei!
Ao som de: Felix da Housecat, “What She Wants” (hummmmm...); Death from Above 1979, “Romantic Rights (The Phone Lovers Remix)” (hummmmm); Talking Heads e Devo.
* Post escrito originalmente em 26 de setembro de 2007 *
“Qual era o nome dos programas de viagem do Michael Palin mesmo?” ou
“Left to my own Devices”
Nunca imaginara ir para Salvador. Com todo o respeito, nunca tive vontade de conhecer o nordeste brasileiro, ainda mais as capitais. Quando a oportunidade surgiu, as opiniões das pessoas queridas foram díspares entre a total aprovação e o total repúdio. Como se a viagem já não fosse polêmica o bastante, eu escolhi ir de ônibus – sempre imaginava como seria encarar uma longa viagem de ônibus, e pelo jeito esta seria uma oportunidade única para saber, não tinha como ser deixar passar – mais precisamente, 27 horas na estrada.
De início, claro que fiquei preocupada – afinal, haja preparo físico, trilha sonora e, sobretudo, paciência para ficar mais de um dia sacolejando num busão e aturando sabe-se lá quem sentados ao seu redor. Afinal, lembrem-se: eu ainda sou uma criatura anti-social, apesar de enganar bem às vezes.
Li revistas, cochilei, vi filmes, ouvi MUITA música, almocei e lanchei sozinha na estrada. Comia castanhas ouvindo David Bowie cantando “All the Young Dudes” quando percebi que já tinha passado nove horas de viagem, e elas foram mais rápidas do que poderia imaginar. Ainda faltava mais da metade da jornada a ser percorrida e eu AINDA não estava de saco cheio, nem entrevada ou sentindo-me amassada. Pelo contrário, estava animadíssima! Seria culpa do Bowie? =P
A viagem seguia, jantar, lanche, café da manhã... pessoas diferentes, lugares mais diferentes ainda que cada vez me emocionavam mais, porque sabia que nunca mais os veria de novo. Uma sensação nova me arrebatava...
Sempre adorei ficar sozinha, fazer as coisas do meu jeito e no meu momento. Foi então que me dei conta de que fazia bastante tempo que eu não ficava REALMENTE SOZINHA. Mas precisamente, eu NUNCA tinha viajado totalmente sozinha (sem pais ou namorado) para tão longe, o que me deixou me sentindo a pessoa mais dependente e imatura do mundo. Eis o motivo desta ser uma viagem tão especial, e por isso me sentia tão livre, feliz e diferente. Ou melhor dizendo, mais eu mesma que nunca – e nem tinha chegado ao meu destino ainda!
Chegando em Salvador, as coisas se desenrolaram de forma magicamente simples. Fui acolhida por duas pessoas cujas palavras me faltam para dizer como eu adorei tudo e não sei como agradecer. Infelizmente, uma semana foi pouco (ao menos para mim) e passou num piscar. Conheci o sotaque da terra e finalmente me dei conta de como ele é fofo. Vimos manifestações populares, fizemos programas de turista, vivenciamos aventuras absurdas, bebemos, cantamos, rimos e dançamos. Vimos vídeos de bandas que amamos e fizemos comentários impublicáveis. Falamos besteira até perder a voz e bebemos até começar a conversar noutra língua. E então chegou a hora de voltar – desta vez de avião. Sozinha pela segunda vez na vida, feliz por tudo que aconteceu e triste por tudo ter chegado ao fim. Fiquei prestes a chorar enquanto ouvia “Six” do Mansun e olhava as nuvens daquele dia lindo e tentava imaginar quando será a próxima vez que me sentirei tão bem com tudo e comigo mesma. E, o mais importante, tive a certeza de que as pessoas certas aparecem na hora que menos se espera (e que mais se precisa de ajuda) e te apóiam das formas mais... surpreendentes.
Não acredito que eu tenha voltado uma nova pessoa, mas provavelmente (re?) descobri mais coisas sobre eu mesma do que jamais imaginaria indo para um lugar onde eu nunca quis ir – e hoje em dia me pego torcendo para que o dia em que ocorra uma reprise venha logo!
- Yours truly,
Sra. T. Beresford
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Terça-feira, Maio 13, 2008
Ao som de: The DFA Remixes Chapters 1 & 2 e "My Love"(DFA mix), Justin Timberlake; Red Album, Weezer.
A SUTIL ARTE DE SER SUTIL
Fazer uma balada de qualidade é uma arte para poucos, tanto que são poucas as que caem no meu gosto. E eu, na minha mania de bibliotecária maluca, gosto de categorizá-las em três grupos: as baladas fofas, as grandiosas e as sutis.
As fofas dão aquela sensação de que conseguiremos acompanhá-las sem problema no violão, tocando todas as cordas ao mesmo tempo mantendo o ritmo, fazendo blim blim blim, sabe? Seu defeito é que, se a música não é boa, torna-se uma balada boboca – o que é, convenhamos, o que mais vejo por aí.
As grandiosas deixam claro que vieram para aparecer. Seu defeito é quando atropelam a linha tênue do bom gosto e tornam-se megalômanas sem necessidade. Já as sutis são as minhas favoritas. Elas não têm a pretensão de serem grandiosas, mas estão longe de serem “meras” fofas. Claro que elas também correm o risco de darem errado e tornarem-se canções vazias – mas, do contrário, são obras marcantes como uma “God Only Knows”, dos Beach Boys ou “Night and Day”, de Cole Porter (aliás, duas de minhas músicas favoritas de todos os tempos).
“Clover Over Dover”, é uma de minhas músicas favoritas do Blur. Não tenho coragem de dizer que é A minha música favorita porque minha lista de favoritas desta banda é extensa e não gosto de excluir ninguém... mas certamente ela está em meu Top 5... ou mesmo no Top 3, porque ela é o exemplo perfeito da capacidade de uma balada sutil: é uma pequena grande canção.
Para ficar com exemplos tirados do mesmo disco de onde esta veio, o Parklife (1994), poderia dizer que “End of a Century” e “Badhead” são fofas, assobiáveis; enquanto que “This is a Low” é densa e grandiosa. Para mim, todas são belas – mas “Clover Over Dover” é especial.
Engraçado que nem a considero como a que melhor representa a personalidade do Blur, mesmo porque trata-se de uma banda tão esquizóide que não faz sentido querer traduzi-la apenas com uma de suas músicas (ironicamente, “Song 2” talvez acabe sendo a que melhor assume o cargo afinal, por tratar-se de uma música igualmente esquisita em se tratando desta banda).
“Clover Over Dover”, a faixa número 12 do disco citado acima, encontra-se “escondida” num lugar ingrato: na metade do lado-B, onde os hits e músicas mais acessíveis já passaram, mas ainda não é o fim propriamente dito, e só encara quem gostou de tudo o que a banda mostrou até então. Não que ela esteja mal-acompanhada, pelo contrário... as faixas 11 (“Trouble in the Message Centre”) e 13 (“Magic America") são duas que mereciam mais atenção do que realmente têm e que até hoje não entendo como elas, bem como outras duas músicas do lado-B (“London Loves” e “Jubilee”, que costumava ser música de abertura dos shows da banda na tour do Parklife) nunca viraram singles. Ok, ok... acho que já consta nos autos que um dos motivos que fazem de Parklife um clássico é o fato de não ter uma música ruim. Mas eu tava falando da faixa 12, então voltemos a ela.
Não sei se isso ocorre com mais alguém (espero que sim, senão vou começar a desconfiar de que tenho POBREMAS, hehe), de uma música ser tão especial que quando ela toca você não consegue fazer mais nada além de ouvi-la, como que em estado de choque. Tenho a sensação de que poderia estar dividindo o átomo, mas se ela começasse a tocar eu largaria tudo só para dedicar minha atenção somente a ela, por ser boa demais e bela demais para ser desperdiçada como música ambiente ou algo assim.
Um amigo que é produtor e engenheiro de som que me fez me ligar nessas detalhes. Certa vez ele pegou uma música antiga do Coldplay de exemplo e falou algo do tipo: “Olha só, o piano faz a mesma coisa o tempo todo a música inteira, mas o produtor tem a sacação de aumentar o volume dele só no refrão, deixando ele mais emocionante. Tudo é ter a manha de aumentar aqui e diminuir ali na hora certa”. É engraçado ver que detalhes técnicos, algo considerado tão “sem coração” para os leigos (como eu) é que resulta em coisas tão emocionantes. Não sei quem foi o responsável por “cometer” esta maravilha de canção – o produtor Stephen Street? Os engenheiros de som John Smith e Stephen Hague? O próprio Blur? – mas uma coisa é fato: as linhas de cada instrumento são simples e repetitivas, e quando em conjunto cravo, órgão, guitarra, baixo e bateria (sem músicos adicionais) encaixam-se de forma mágica, lírica e ainda assim muito sutil.
Deste jeito, não teria como o resultado disto ser menos que maravilhoso. É uma canção única na discografia da banda em minha opinião. Ela é doce como um beijo inesperado vindo no momento em que você mais precisa.
Então eu, num momento raro de amor fraterno por todos que, apesar de seu tempo corrido ainda aparecem para ler isto aqui, ofereço esta canção a vocês. Ouçam-na apenas, e sintam-se beijados.
-Yours Truly,
Sra. T. Beresford
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Sábado, Maio 10, 2008
O post que escrevi vai ficar pra próxima por um motivo bem simples: 8 MÚSICAS DO RED ALBUM DO WEEZER JÁ VAZARAM!!!!!!!!!!
E, quando o assunto é Weezer, pra esta que voz digita é motivo de feriado mundial! Haha
Primeira ouvida apenas, mas parece que a coisa tá boa mesmo... Já gostei de cara de Dreamin', Troublemaker, e The Greatest Man the Ever Lived. Apesar de algumas músicas não serem cantadas por Rivers (é o Brian? Pat? Scott? É arquivo falso?!?!?! Bem, Rivers tinha dito que deixaria seus colegas de banda cantar desta vez, vamuvê), tem a guitarrinha que, se não é do homem, é de algum macaco de imitação!!! :P
Ai, nem sei o que escrever aqui. Baixem e tirem suas conclusões.
http://www.mininova.org/tor/1393022
Quinta-feira, Maio 01, 2008
Ouvindo "Freak out/ Starry eyes" e "Slowdrive", LCD Soundsystem.
Tinha prometido a mim mesma não levantar mais a bola do Hot Chip aqui no blog, mas...
A banda mais ouvida por esta que vos digita ultimamente (junto com a das músicas citadas aí em cima, o que não é novidade alguma), que fez um dos melhores discos deste primeiro semestre e que vai concorrer com verdadeiros hors concours (Weezer, Franz, Supergrass, REM...) em melhor disco do ano, conseguiu:

"One Pure Thought", como se não bastasse ser o forró do Hot Chip, conseguiu a façanha de ser um clipe mais sem noção que o de "Ready for the Floor"! Foi feito pelo pessoal que faz as capas e camisetas da banda, e o visual é lindo, pop, meio Roy Lichtenstein. O que não impede que seja um video totalmente sem noção. E claro que eu ADOREI!
Eu não sei upar video do youtube aqui, então fica o link:
http://www.youtube.com/watch?v=eAev1ZjE3dI
Veja o clipe do Hot Chip e seja uma pessoa mais feliz!!!
- Yours truly,
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Segunda-feira, Abril 28, 2008

Ao som de “Hold On”, Holy Ghost!; “Hold On”, Hot Chip (olha, homônimos!); “This is Such a Pity”, “Peace”, “Misstep”, “Misstep”, “Misstep”, “Misstep”, “Misstep”, Weezer.
O FABULOSO DESTINO DE RIVERS CUOMO
Começarei aqui com uma revelação que poderá surpreender muita gente (tanto que matutei muito sobre isso e revi toda a minha vida de fã antes de colocar aqui, para ter certeza de que não estou exagerando): eu nunca tive nenhum interesse groupiesco-sexual por Rivers Cuomo.
Sim, amo-o muuuuito, acho-o lindo, fofo, talentoso, e toda vez que o ouço cantando tenho vontade de arrancar meu coração pela boca e mandar para ele pelo correio. Mas tudo de forma mais assexuada possível - mesmo porque quem me conhece sabe que sempre tive maior, hum, interesse, pelos baixistas de sua banda que pelo band leader em si.
Não chega a ser uma adoração de forma santificada ou algo do tipo – não, Rivers não é Deus e, pelo contrário, gosto dele mais ainda por saber que é temperamental, neurótico, tímido, chato... ele é uma pessoa normal que faz questão de deixar isso bem claro para quem interessado esteja - ele não é a solução dos problemas do mundo.
Acho que ele é o mais próximo que tenho de (anti-?) herói. Eu o admiro como que a um irmão mais velho, ele é tudo o que eu queria ser quando crescer: determinado, dedicado, caprichoso em níveis que beiram o patológico. E isso que faz a sua banda, o Weezer, ser o que é – sem desmerecer o batera Pat, o guitar Brian e o baixista Scott, além dos ex integrantes Mikey e Matt - mas verdade seja dita: Rivers é o Weezer. Se isso é bom ou ruim, você decide.
Ao mesmo tempo em que rola toda essa admiração de minha parte, há também uma identificação que não consigo ter com nenhum outro ídolo, e que gosto de atribuir ao fato de ambos sermos geminianos. Bobagens de signos à parte (não se preocupe, não colocarei aqui o que temos em comum, apesar de certas características parecem óbvias), Rivers é um típico geminiano imediatista que dá maior importância ao aqui e agora (tanto que não é novidade nenhuma vê-lo dizendo que prefere as canções recentes aos trabalhos antigos da banda), que precisa jogar toda sua raiva/ frustração/ etc para algo externo que acaba transformando em seu mundinho (como uma banda da qual ele tem total controle), e que tem uma personalidade ambivalente que muitos podem achar que é máscara, uma vez que ele tem a capacidade de ser várias coisas ao mesmo tempo, por mais contraditórias que sejam – e sem nunca deixar de ser ele mesmo: nerd, rockstar, pegador inconseqüente, atormentado recluso... Se fosse um desenho animado, seria fácil ver em cima de cada ombro seu um anjinho e um diabinho, sempre opinando, e os três te olhariam nos olhos e perguntariam “Tá olhando o quê? Até parece que você não é tão incoerente como eu...”. Como já disse, Rivers sabe que tem um dark side e não esconde isso, coisa que a maioria de nós o faz. Não é à toa que tem tanto fã que ama odiar, enquanto outros odeiam amar o Weezer.
E assim ele consegue realizar a árdua tarefa de ser cínico e doce ao mesmo tempo em que carrega uma honestidade na voz que me faz acreditar em qualquer coisa que cante, por mais tola e indiscreta que seja (muitas letras do Weezer são carregadas do fator “Uou, eu NÃO precisava saber disso, ok?”, o que provavelmente transformou o rapaz numa grande influência para os tais emo), pois ele não tem medo de soar patético. Sabe que é normal sentir-se idiota a maior parte do tempo ou ter medo de, e que no momento em que esse sentimento de inadequação é posto para fora em forma de música tudo torna-se mais ameno, o sofrimento, a vida em si, como que de forma catártica. E, depois que tudo se resolve, tem aquela sensação de “nossa, como fui transformar isso num problemão que parecia insolúvel?”. É algo mais que ele me transmite: no fim das contas, não leve nada muito a sério porque tudo passa.
Outro reflexo claro de sua ambigüidade é a própria musicalidade da banda, uma mistura onde se destaca principalmente dois gêneros díspares: o powerpop e o hard rock. Algo aparentemente fácil de se fazer mas que na verdade é mais difícil do que se imagina: são raras as bandas que o conseguem fazer sem parecer uma imitação chula de Weezer.
Parênteses para justificar um comentário que fiz anteriormente: logo que conheci o Weezer (1995) me animei acerca do powerpop e ouvi tanto que acabei cansando. Não sei se cansei porque ouvi demais ou se porque a ficha caiu e percebi que não era isso tudo mesmo. Fato é que, NO MOMENTO – e COM EXCEÇÕES, claro, essas sempre existem – não estou morrendo de amores pelo powerpop, e estou achando tudo igual. Mas não se esqueçam que sou geminiana e imediatista, haha. Continuando...
No fim das contas, Cuomo parece que sofre duma Síndrome Amélie Poulain: “Você quer me conhecer? Te ofereço uma face de graça (que pode vir a ser o anjinho ou o diabinho em cima do ombro, depende do ponto-de-vista) com clipes divertidos, fofos, descolados e canções fáceis de agradar... Mas para você conhecer o lado REALMENTE interessante, ah, você vai ter que se esforçar!”. Vai ter que se mostrar interessado, tal como a personagem do filme de Jeunet faz para chamar a atenção de seu pretendente. O que acontece é que temos preguiça de nos aprofundar em qualquer artista hoje em dia e é exatamente nisso que ele se aproveita, assim apenas os que correm atrás é que conhecem a verdadeira capacidade da banda. “Fãs malas que só sabem falar bem de ‘Pinkerton’ (o segundo CD do Weezer, de 1997)? Pois fiquem com Pinkerton então, não preciso de vocês para continuar minha carreira – se bem que vocês sabem que não vão conseguir me deixar de lado, pois sempre há a esperança de que eu faça um novo Pinkerton, não é?” – é o tipo de comentário que dá para imaginar saindo da boca de Rivers.
Você pode gostar dos discos de estúdio do Weezer. E, se gosta, não precisa se sentir enganado já que em todos eles, ao menos uma coisa é certa: percebe-se que a banda se empenhou ao máximo em cada faixa. E, como já mencionei, Rivers pode ser tudo ao mesmo tempo, tanto o criador de pérolas escondidas como o hitmaker. Mas, se você se dispõe a procurar, será bem recompensado com canções pop sempre com um algo a mais típicas do autor, talentoso como poucos. Não é de se espantar que algumas das melhores músicas do Weezer nunca foram lançadas, circulam livremente pela internet em versões demo ou ao vivo. Quem procura, acha.
Parece simples, né? Mas, mais uma vez, Rivers (que foi batizado assim, dentre outros motivos, em homenagem ao jogador de futebol brasileiro Rivelino) adora bater para depois assoprar: porque você pode acessar esta outra face do Weezer e ainda assim achar nada de mais. Aí, Rivers te dirá com a cara mais lavada e o sorrisinho mais bonitinho do mundo: “Não gostou? Paciência, não se pode agradar a todos. Eu é que não vou mudar o meu jeito apenas para te agradar. Sinto muito”.
E assim, Rivers e o Weezer seguem seu rumo, driblando gravadora, mainstream, fãs malas e SEMPRE fazendo as coisas do seu jeito. São poucos, muito poucos, que podem gozar de tal privilégio.
Ele é ou não é um herói?!? =P
- Yours Truly,
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Sexta-feira, Abril 25, 2008
PÁRA TUDO!!!!!
A capa do novo CD do Weezer.

Estou sem condições de comentar mais acerda disto. Perfeita!!
Next: post sobre Rivers Cuomo. Só falta digitar, tenham paciência... :D
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Sábado, Abril 19, 2008
Ao som de: "Sensual Seduction", Hot Chip; "Pork and Beans", Weezer; "Sensual Seduction", Hot Chip; "Boyz", M.I.A. (Twelves Remix); "Sensual Seduction", Hot Chip; "Sensual Seduction", Hot Chip; e "Sensual Seduction", Hot Chip! (quem manda a música ser curtinha?!?!?! haha).
Tenho um defeito grave: não consigo gostar de música brasileira. Com raríssimas exceções, a maior parte do que consumo vem de fora - este modesto blogue que o diga. Sei que deveria valorizar o produto nacional e essa coisa toda, mas não consigo. Fazer o que se acho alguma coisa da MPB linda, mas não me diz nada? O roque então, é um pastiche do que acontece lá fora, enquanto o axé, o forró e o sertanejo são pasteurizados. E o funk carioca com seus modismos tão flutuantes quanto a última salvação do roque me fazem crer que este é cada vez mais domesticado: virou uma fábrica de músicas e letras não tão espertas como antes e que só visam $$$$ - fenômeno semelhante ao equivalente americano, onde Hip Hop e R'n'B são uma indústria cuja música parece a menor das preocupações - essa é a minha impressão.
Não chego a ser do tipo que mata pessoas e põe fogo na casa se estou numa festa e resolvem botar um CD de funk, por exemplo. Quer dizer, já estou num ponto que nem ODEIO mais a música nacional, como quando eu era uma adolescente boboca querendo provar que tinha personalidade - é pior, agora sou indiferente mesmo.
Do outro lado, temos o Hot Chip, banda inglesa que mistura roque com eletrônica e samba e que esteve no Brasil ano passado - e se mostrando mais bombados e sambistas ao vivo que em disco.

Não sei qual é o nível de envolvimento deles com a música brasileira e nem como foram suas aventuras antropológicas enquanto estiveram em nosso país, mas é fácil de ver uma influênciazinha dela especialmente em seu último e ótimo (e mais bombado que os anteriores, seria reflexo dos shows?!) disco, "Made in the Dark".
O Hot Chip é daquelas bandas que me desafiam. É difícil eu viciar em alguma música deles logo de primeira, mas algo sempre me faz querer dar uma nova chance e aí, já era. Depois que você se "acostuma" com o som, fica até fácil deduzir porque é tão bom. Talvez seja graças à habilidade que a banda tem para fazer tanto músicas dançantes como coisinhas fofinhas com vocais doces e barulhinhos legais, sem nunca deixar de ser esquisito.
Outra característica que adoro neles, claro, é a nerdice. Eles não são qualquer um se aproveitando da onda "sou-nerd-mas-tô-na-moda", são uns tarados de estúdio tocando equipamentos que fazem blips e blops. São tão nerds que seus meios de approach algumas vezes beiram o absurdo: várias vezes e peguei pensando "PQP!!! Mas que diabos de clipe/ foto de divulgação é essa, Hot Chip?!?!?!"
Desde o segundo disco, The Warning (2006), que eles têm minha atenção, simplesmente porque marcou uma época divertida para mim: me lembro de um dia chuvoso em que estava num desses "grandes magazines" procurando blusas baratas para fazer camisa de banda quando "Colours" tocou em meu - então - discman e uma onda de felicidade me invadiu de tal forma que tive que me segurar para não sair dançando por entre as araras de cabides, tal como num improvável musical. Sim, eu viajo pra burro...
Só que eu nunca cheguei à tietagem com eles, tanto que não sei nada sobre a banda, além do fato de que são contratados da DFA e um dos integrantes - Al Doyle, guitarrista - fez (faz?) parte da live band do LCD Soundsystem. E eu já admirava ambas as bandas antes mesmo de saber que havia essa brodagem entre eles, hahaha.
Enfim, logo que saiu o primeiro single do disco novo eu fiquei toda animada. Com o revival da House e da Disco (o novo do Moby, o ótimo Hercules and Love Affair), tava curiosa em saber que rumo eles tomariam. Começou com o clipe de "Ready for the Floor", ultra colorido e maluco onde o vocalista Alexis Taylor aparece fantasiado de Coringa genérico (genérico porque eles não são bobos de causarem a ira da DC comics, ha). Quando o vi pela primeira vez, claro que tive a supracitada reação "Meu Deus, Hot Chip, perderam a cabeça?!?!?!?!?", mas daí para virar um de meus clipes favoritos do ano foi um pulo (para entender meu gosto DUVIDOSO por clipes ultra coloridos e/ou que beiram o ridículo, recomendo a leitura do post sobre os B-52's, logo aí embaixo; e sobre o meu fanatismo pelo Coringa, só digo: qualquer homem que tenha coragem de pôr um terno roxo e pintar os cabelos de verde e a cara de branco me ganha na hora - a não ser que seja, sei lá, o Timbaland).
E o que "Made in the Dark" tem a ver com a MPB? Ora, que tal um momento que lembra forró em "One Pure Thought", ou então a histérica "Out at the Pictures" que beira o axé, ou as batucadas carnavalescas de "Shake a fist" ou "Touch too Much", e, claro, o batidão do funk carioca (que roubamos do Bambaataa e agora é nosso por uso capião, haha), presente em "Ready for the Floor", "Bendable Poseable", "Don't Dance"...
É aí que a porca torce o rabo. Como é que posso gostar de um disco que me remete tanto ao produto nacional que não me agrada?
Fetichista da língua inglesa que sou, será que é devido ao sotaque brit robótico todo bonitinho ("Bândabow Páwsabôw") contra a berraria dos MCs locais ou algo do tipo? Será???
O lance é que, para fazer música, com o Hot Chip vale tudo e o resultado é sempre imprevisível - ao menos para mim. As canções se transformam, fogem do convencional. A sensacional "Shake a fist", por exemplo, começa de uma forma e quando parece que a música vai engrenar, eles param tudo e resolvem fazer um "solo" de efeitos de estúdio! Recomendo o uso de fones de ouvido e BEEEM alto (aliás, eles recomendam também, tá na música), dá vontade de sair dançando loucamente!
As baladas continuam simples e bonitinhas, mas são as músicas dançantes que realmente brilham. Sem falar que são responsáveis pela música do ano para mim até agora, "Hold On" - tá bom, tá bom, tem "Ready for the Floor", que pode ser a segunda melhor do ano, se ninguém relevante lançar nada decente até dezembro! :P
Se bem que o disco é tão bom que toda hora eu mudo de música favorita! Já estou mais fã desse CD que do anterior...
É isso aí, o Hot Chip é doido, cafona, nerd e incrivelmente bom. Nem que precise ouvir 45894584758475834759 vezes (E OUÇA AAAALLLTOOOO, eu insisto) antes de se chegar àlguma conclusão. Essa que é a graça da coisa!
"So... now if you have a pair of headphones you better get 'em out and get 'em cranked up 'cause it REEEALLY gonna help you..."
Se eles disseram (e meu ingrêis ainda tá bom), tá dito! :D
- Yours truly,
Sra. T. Beresford.
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Quarta-feira, Abril 16, 2008
Esta que vos digita está criando um post superbacana sobre o Hot Chip que está levando a semana inteira.
E, para inspirar o fluir da escrivinhança, resolveu pegar mais remixes e musiquinhas da supracitada banda. Acabou se deparando com duas covers lindas: a de "Sexual Healing", de Marvin Gaye (thanx, Sis!); e "Sensual Seduction", do Snoop Dogg!
E, claro, acabou pirando com ambas as versões! Especialmente a da música do Snoop Dogg, que ela ouviu 10 vezes seguidas na lan house logo depois de baixar!!
E acabou também se deparando com a melhor foto de banda dos últimos tempos da última semana e não conseguiu evitar colocar aqui:

Semana que vem, "Hot Chip will break your leg!" (seria mais atual falar que eles estão "Ready for the Floor, uarevá)
Quarta-feira, Abril 09, 2008
Ouvindo os discos Funplex, The B-52’s; Yours Truly, Angry Mob, Kaiser Chiefs; X, Kylie, This is not the World, The Futureheads; e a música “DVNO”, do Justice.
O primeiro Ricky Wilson ao qual me refiro era loiro, bonitinho, guitarrista e americano. Que eu saiba, nunca se assumiu publicamente (até mesmo porque é o tipo da coisa que não nos diz respeito, néam?), mas morreu de complicações decorrentes da aids há mais de 20 anos, quando esta ainda era considerada uma “doença gay”.
Eu, que não sou muito fã de guitarristas, tenho nele uma honrosa exceção, uma vez que tinha um jeito muito particular de tocar, com afinação excêntrica e apenas 4 cordas – pra quem não sabe, normalmente uma guitarra tem de 6 cordas (ou mais, mas isso é outra história e eu não curto guitarra para escrever a respeito anyway).
Ele que, junto com o baterista Keith Strickland, criaram a base musical perfeita para encaixar as vozes de Kate Pierson, Fred Schneider e sua irmã Cindy Wilson, transformando os B-52’s numa banda de sonoridade facilmente identificável, sempre dançante e divertida.

Esse é o Ricky - não consegui achar uma foto melhor, sorry...
A tragetória dos B’s (como são chamados carinhosamente pelos fãs old school) é meio trágica e irônica. Depois de fazerem dois dos discos mais legais que já ouvi na vida (o epônimo de 1979, tosco e genial; e “Wild Planet”, de 1980, não tão tosco quanto o primeiro e tão bom quanto), lançaram dois EPs em 1981/1982, um de remixes dos dois primeiros discos (chamado “Party Mix!”, que deixava claro que o lugar dos B’s era numa festa e/ou pista de dança) e outro produzido pelo colega David Byrne (na época nos Talking Heads), “Mesopotamia", que teve gente achando que era um disco “sério” (apesar de ter músicas que esta que vos digita gosta muito, como “Nip it in the Bud” - ow wow wow). Logo a seguir, resolveram abraçar os sintetizadores em “Whammy!”, disco de 1983, que muita gente torceu o nariz por ter muita eletrônica, mas também é o disco que deu a eles um de seus maiores sucessos: “Legal Tender”.
O sucessor de “Whammy!” poderia tê-los transformado numa banda grande, como seus conterrâneos da pequena Athens, na Geórgia: o R.E.M. (que também lançou CD agora), uma vez que eles eram tão maluquetes quanto outras bandas da New Wave, mas tinham o apelo pop que poucas delas tinham (vide o Devo, outra banda sensacional da época, sempre comparada aos B’s, mas que ficou reduzida ao circuito cult principalmente aqui no Brasil). Mas, com a morte repentina de Ricky, as coisas complicaram para a banda, tanto artisticamente quanto emocionalmente: como uma banda tão alegre iria lidar com a perda de um dos seus, em circunstâncias tão complicadas, e pior, sendo este o seu principal compositor?
O disco seguinte, “Bouncing off the Satellites”, de 1986, já estava quase pronto quando Ricky morreu. Fizeram mais algumas músicas e lançaram-no no clima “O show deve continuar”, mas não vingou – ele tinha uma aura de tristeza que não dava pra disfarçar.
E então eles resolveram sumir, tanto que a mídia deu a banda por acabada. Porém, três anos depois, Keith assumiu de vez as guitarras por ser o único que conseguia emular o som que o amigo fazia e resolveram lançar o bem-sucedido “Cosmic Thing”, (que tem muita gente que considera o melhor disco deles!), em climão de grande retorno. Em 1992, lançaram “Good Stuff”, que não tinha a participação de Cindy Wilson, o que deixou muita gente desconfiada com relação a atritos entre os integrantes nos bastidores – todos desmentidos pela própria Cindy algum tempo depois, que justificou que apenas não estava em condições de gravar, fazer tours, e essas coisas do mundo do showbiz.
Eles continuaram fazendo shows, a maioria beneficentes em apoio a grupos políticos (direitos dos animais, grupos GLBT etc.), mas saíram dos holofotes mais uma vez por não lançarem um disco de inéditas desde então – se de 1986 a 1989 já davam os B-52’s por mortos, imagine de 1992 até hoje?!? – apenas algumas músicas como “Debbie” (dedicada à Deborah Harry, vocalista do Blondie) que saíram em coletâneas como o seu bestofe “Time Capsule – Songs for a future generation”, de 1998.
Fred, Kate, Cindy e Keith também tiveram vários projetos paralelos, que nunca tiveram a repercussão dos B’s. Grosseiramente falando, a banda ficou meio que amaldiçoada: é algo que eles claramente gostam de fazer, que funciona quando estão juntos mais do que com qualquer outro projeto paralelo que venham a fazer, mas que também deve sempre machucá-los um pouquinho ao verem que por mais que queiram e se esforcem nunca será como antes, nunca será a mesma coisa sem Ricky Wilson.
É complicado para mim falar deles também. Eu dançava em frente à TV vendo clipes deles quando tinha 4 anos de idade (vocês não precisam fazer as contas, era 1984). Tenho todos os CDs e VINIS. Fui do fã-clube oficial gringo (a única banda, aliás), com foto autografada e tudo. Tenho um pôster deles pendurado por dentro da porta do meu armário até hoje, caindo aos pedaços de tão velho. Sei diferenciar as vozes de Kate e Cindy (ao menos na maioria das músicas, hehe). Estou escrevendo tudo isso aqui de cabeça, sem consultar nada sobre eles. É a primeira banda em minha estante de CDs porque não tenho coragem de colocar nenhuma banda com a letra A antes deles. Resumindo: é a banda que curto há mais tempo, e que foi trilha de uma época muito ingênua e divertida para mim, e que obviamente não volta mais – e por isso mesmo prefiro deixar onde se deve, no passado.
Lá em 1992, quando saí da loja de discos com meu vinil de “Good Stuff” debaixo do braço, não imaginava que eu baixaria o próximo CD deles antes mesmo de chegar nas lojas – aliás, nem imaginava que um dia saberia usar um computador! Cindy Pierson, minha pinscher, nasceu em 1993 e morreu sem ter um lançamento da banda que a batizou. Passou tanto tempo e tanta coisa aconteceu desde 1992 que é inevitável a famosa pergunta: o B-52’s ainda tem o seu lugar no mundo?
Uma coisa é fato: independente do saudosismo oitentista, os anos 2000 – maluco, imediatista, tecnológico, multiinfluenciável – combina muito mais com eles que os anos 1990 – do grunge, do trip-hop, do britpop, que não primavam pela alegria. É fácil identificar sua influência mesmo indireta em bandas atuais: os vocais masculino x feminino, teclados vagabundos e percussão mais ainda do LCD Soundsystem (e eu me perguntando por quê gosto tanto deles), a chacota kitsch do Scissor Sisters... outro dia eu ouvia o New Young Pony Club e me peguei pensando “esse som é familiar... meu deus, é B-52’s!!”.
Engraçado que o que sempre considerei os maiores méritos deles – a honestidade e despretensão – eram as coisas que nunca os transformariam em banda-influência para ninguém além de mim... e que bom que estava errada! É interessante ver este intercâmbio de referências – são os influenciados por eles que os renovam agora. Kate Pierson declarou outro dia para um jornal brazuca o que eles andam ouvindo: The Killers, The Rapture e ... LCD Soundsystem (ALIÁS, nosso querido-amado-salve-salve James Murphy foi engenheiro de som do Six Finger Satellite, banda que tocou com Fred Schneider num de seus discos solo, ho ho). Os responsáveis pelos remixes do primeiro single do novo disco, “Funplex”, foram convidados por serem fãs da banda: Peaches, CSS e os citados Scissor Sisters.
Fico muito feliz de vê-los sendo lançados pela Astralwerks (que lançou Air, Chemical Bros., Fatboy Slim e Beta Band etc.), que estão cercados de figuras interessantes e/ou no auge e continuam influenciando gente idem. Finalmente estão recebendo o devido reconhecimento – afinal, eles não precisam provar nada.
E Funplex, o disco? Talvez ele diga o porquê de não terem lançado disco antes – não entrariam num estúdio sem um punhado de boas novas canções que valessem a pena toda essa espera. O disco não tem uma música ruim. É um disco atual, mas sem deixar de ter a cara dos B-52’s. Para continuar no meu exemplo favorito, a faixa “Eyes Wide Open” poderia ser uma música do LCD fácil, mas é acima de tudo uma música dos B’s. O disco tem tudo que nos é familiar vindo deles: rock feliz (“Hot Corner"), eletrônico/ sci-fi (“Love in the year 3000”), fofo (“Juliet of Spirits” e “Deviant Ingredient”), a guitarra de Keith, os teclados divertidos, as letras sacanas, as percussões vagabundas... em várias músicas dá para imaginar o Bonde du Rolê botando base funk e cantando por cima: “Funplex”, “Ultraviolet”, “Pump”. E o melhor, nem parece que ficaram 16 anos sem lançar disco juntos.
Sejam bem-vindos ao ano 2000, The B-52’s! Ricky Wilson certamente está bem contente, onde quer que esteja!
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Já o outro Ricky Wilson a que me refiro também é loiro, mais bonitinho ainda, sexualmente, hum, “versátil” (diz a lenda), mas é vocalista e inglês – aliás, talvez seja o vocalista mais canastrão da Inglaterra em minha opinião (e isso é um elogio! é o tipo da coisa que cabe na banda em questão). Ele é a cara e a voz do Kaiser Chiefs, banda de Leeds que é famosa pelo bom humor, assim como a banda que iniciou este post – apesar do humor e sonoridade desta segunda serem beeeem britânicos.
Logo que li a respeito do KC que me veio a associação aos B’s por causa do nome do vocalista: “pombas, nunca mais esquecerei o nome da banda e desse xará do falecido Ricky”. Nem é um nome exótico, mas também não chega a ser um John Smith – e poderia ser Richard, Ric, Rich, Rick, Richie, Dick... mas era Ricky, o que me chamou a atenção de imediato. Desde então que sempre imaginei como faria para escrever sobre os dois Rickys num mesmo post sem forçar a barra. E eis a coincidência que ocorreu (mas antes, toda a beleza de Ricky Wilson, o inglês):
Huuummmmmmmmm...
O “Employment”, primeiro disco do KC, me pegou de jeito logo que saiu graças às suas músicas e letras divertidas e à voz de Ricky, que remetiam ao Blur de quando este ainda tinha senso de humor e esperança na humanidade (i.e. Modern Life- Parklife era). Mas, assim como me apaixonei rápido, logo cansei de músicas fáceis como “Na na na na naaa”, “Everyday I love you less and less” e “I predict a riot”. Ano passado lançaram seu segundo disco, “Yours truly, Angry Mob”, e não me empolguei de sair baixando tudo com net discada (como aconteceu com o primeiro) porque estava com essa bronquinha com eles: no fim das contas, era só mais uma banda engraçadinha que não ia adiante. Tempo depois o patrão baixou o disco para mim e deixou em meu computador, mas este pifou em setembro e só voltou à vida mês passado. Ou seja, com a exceção de “Ruby”, que ouvi por aí e até gostei, eu me esqueci completamente do Kaiser Chiefs.
Isso até o mês passado, quando achei o DVD “Enjoyment” dando sopa numa loja e botei na cabeça que tinha que ser meu, em respeito às outras músicas de que gosto bastante até hoje: “Modern Way”,”Born to be a dancer” e “Oh my God”.
Há muito tempo que eu o queria (mesmo porque não consegui baixar nada além do áudio de alguns shows do DVD), desde o lançamento, quando soube que tinha um filminho engraçadíssimo, narrado pelo ator Bill Nighy, com depoimentos dos integrantes quando crianças dizendo o que gostariam de fazer quando crescer (só vendo mesmo, as crianças são perfeitas!) e quando velhos, mais precisamente em 2030, amargurados, longe do showbiz... com destaque para, claro, Ricky Wilson velho-em-carreira-solo e ainda canastríssimo! De resto, tem aparições de Roger Daltrey, Damon Albarn (para minha surpresa, não achei que daria crédito aos “filhotes”), todos os clipes do primeiro disco, apresentações ao vivo, vídeos de quando eles ainda se chamavam Parva, Ricky cantando com The Cribs, palhaçadas como eles se vendo na TV e falando besteira... enfim, coisa à beça, infelizmente sem legendas em português. Isso sem falar no encarte mais engraçado e sem noção que eu já vi, com coisas que nem perderei tempo traduzindo, mas que merecem menção, como: “Hours of fun to be had inserting the enclosed DVD disc, pressing “eject” and watching it come out again, all at the push of one button”; ou, melhor ainda “minutes of fun to be had arguing over which bit to watch first, though you may find the apparent lack of menu makes up your mind for you”. Nem os DVDs do Monty Python chegaram com um encarte assim.
Enfim, o Kaiser Chiefs é tão adoravelmente bobo que me foi impossível ver este DVD e não voltar a vê-los com outros olhos. E foi assim que resolvi dar uma chance ao “Yours Truly...” e não é que acabei viciando e achando um discão?!? Foi aquele disco que quando ouvi a primeira vez achei nada de mais, mas quando dei por mim já sabia os nomes de todas as músicas e já estava cantando tudo sem nem ter lido as letras. As músicas “animadinhas/engraçadinhas” não estão tão descartáveis como as do primeiro CD – “Everything is average nowadays”, “Thank you very much” e “Retirement” são ótimas. As baladas estão mais maduras e interessantes – meu deus, o que é “Love’s not a competition (But I’m winning)”?!? Poderia ser uma balada do Parklife! E ainda tem maravilhas como “The Angry Mob”, que não consigo deixar de ouvir 489348938493 vezes ao dia.
Fiquei impressionada em ver como eles amadureceram tão rápido sem deixar de ser Kaiser Chiefs e não soar repetitivo. Nunca iria imaginar que logo eles, da safra de 2005/06, seriam os que passariam com mérito no famoso teste do segundo disco, deixando para trás outros que eu imaginava mais capazes como o Hard-Fi ou The Futureheads (que lançou, digo, vazou o terceiro disco agora e sim, gosto, mas isso é pra outro post). O que um DVD bom não faz por uma banda, hein? E que venha o segundo DVD logo Kaiser Chiefs!...
- Yours truly,
Sra. Tuppence Beresford.
;)
Para fechar, atendendo aos pedidos das meninas e meninos do fã clube "Amo o Ricky Wilson fazendo careta com roupa de frio!", preparem seus corações...
Já falei que AMO meu "capture frame" hoje?!?!?! hasjhasejkhajkhskjfhksj
Marcadores: menção gratuita à James Murphy
Sexta-feira, Abril 04, 2008
Ao som de “The Angry Mob”, Kaiser Chiefs; "Walking with Thee", Clinic; “Disco Lies”, Moby; "Pogo", Digitalism; “Ready for the Floor”, Hot Chip; e “Radio Heart”, The Futureheads.
PODER.
Fui presenteada recentemente com o livro “Beijar o Céu” de Simon Reynolds, livro que eu não conhecia de autor idem. Ele já escreveu sobre música para algumas das revistas mais importantes do mundo – quando isso ainda queria dizer alguma coisa. Eu, sempre amei ler sobre o assunto, mas sempre tive um pé atrás porque no fim das contas as bandas que me pegavam mesmo nunca foram as favoritas dos críticos (ainda bem, diga-se, é tão bom ser do contra sem ser de propósito) – exemplo que adoro dar sempre citando duas de minhas bandas favoritas é que em 1994 o Blur era “a última modinha inglesa que por sorte nossa nunca chegará aqui”, e em 1995/96 o Weezer era se muito a “simpática banda do clipe de ‘Buddy Holly’”. Hoje, é fácil achar por aí pessoas que dizem que tanto Parklife como o Álbum Azul são obras-primas e aquele blá blá blá de sempre. É divertido ver como as coisas mudam com o passar do tempo.
Ou seja, acreditar no poder de julgamento dessa gente tá longe de ser confiável, mas admito que não resisto em acompanhar o mínimo que seja. E foi lendo o livro de Reynolds que me lembrei de um sutil detalhe que me faz ter cada vez menos paciência com o mundo da imprensa musical: faltam paixão e razão se complementando. No livro, uma coletânea de alguns de seus textos publicados em revistas e outros livros, percebe-se o amor pela música, ao mesmo tempo em que há análise social e até psicológica, isso sem soar petulante. Ele passa a imagem de alguém que sabe do que está falando, tanto que me peguei lendo sobre artistas que não dou a mínima e me interessando em conhecê-los melhor. O mais marcante mesmo é que ele o faz de forma bem simples, sem querer mostrar que “sabe tudo”: ele te mostra que, independentemente do que você saiba ou do que todos dizem sobre certa banda/artista, é bom você saber que certa figura é importante para a música por causa disso, disso e disso. Você pode concordar ou não, gostar ou não, mas é fato. Tão simples que várias vezes fiquei com raiva pelo fato de ele ter conseguido escrever coisas que eu gostaria de ter escrito. Outras vezes dá pra ver que certas previsões foram por água abaixo – como no capítulo sobre Timbaland e Missy Elliott, escrito em 1999, em que ele previa o fim do “reinado” destes no mundo do Hip-hop/R’n’B, mas que mesmo assim não deixa de ser um interessante ensaio sobre a importância de ambos para o gênero que mais tem se espalhado pelo mundo hoje.
Provavelmente por ele ser assim é que se destacou dentre tantos outros jornalistas – quero dizer, não ter esta sacação na hora de escrever não deve ser defeito apenas de nossa geração – mas mesmo assim é algo a se pensar.
Todo mundo sabe que hoje em dia tudo é muito volúvel e coisa e tal. Que qualquer um pode manifestar sua opinião sobre qualquer coisa num blog (alô-ô! XD) e que pode se transformar num especialista em música num clique, só baixar os “discos certos” e tirar onda de que conhece tudo. Mas eu sou retrógrada e confesso que esta sabedoria rasa de almanaque me cansa de vez em quando (“de vez em quando”, pra deixar bem claro, já que reconheço que tem certas bandas clássicas que até tento gostar mas não consigo, então fico na superfície – e por isso mesmo que prefiro nem me manifestar acerca delas). Contudo, ainda me encanto ao ouvir um disco de 2005, ou 1999, ou 1994, ou 1979 sem cansar e continuar achando-o sensacional como da primeira vez que o ouvi. Ou, melhor ainda: pegar aquele disco que comprei há tempos atrás e não dei a mínima na época para então descobrir agora que ele é uma pequena jóia escondida na coleção de CDs, independente de estar nas listas de melhores de blogs e sites “especializados”. Não se trata de nenhuma frustração ou bronca com o hype: é mais uma questão de reconhecer que, na maioria dos casos atuais, nos deixamos guiar por “jornalistas/criadores de tendências” que têm conhecimento musical e social raso e baseado na internet: com muita paixão e nenhum conteúdo ou vice-versa. E paixão sem razão é cegueira; e razão sem paixão é sem-graça.
Reflexo disso é ver que os críticos quanto mais reclamam do hype e da rapidez do sucesso atualmente, mais eles se viciam com a busca da eterna novidade: se uma banda mantém o seu nível, mesmo que seja bom, ela se acomodou; se ela sai dos holofotes por 6 meses que seja, ela sumiu e perdeu sua chance de sucesso; e se ela vem mais de uma vez no Brasil, é porque estão mendigando atenção, sendo que antes da banda em questão vir aqui eles invejavam os festivais gringos por terem o “privilégio” de tê-la em seu cast constantemente. Nessa batalha de contradições, né por nada não, mas eu sou mais eu e meu gosto pessoal e minha capacidade de discernimento.
Isso tudo na verdade é uma questão de poder. No meu caso, seria algo como, “se eu não posso mudar o mundo com música farei então uso da música dos outros”, esperando que esta traga a terceiros o mesmo que traz a mim. Como conseguir convencer um amigo que sabe muito de música de que certa bandinha pop é realmente boa. Mostrar uma banda que ama para uma amiga e vibrar quando ela também se apaixona por esta. É tocar numa festa de público difícil uma música que outras pessoas “mais capacitadas” (ou seja, que conheciam melhor este público) ficaram com receio de tocar e se surpreender ao receber elogios de desconhecidos pela escolha, quando na verdade a música foi selecionada porque um amigo pediu e você queria apenas dançar esta música com ele. É o poder de conseguir fazer algo que se gosta, coisa tão difícil num mundo onde todos têm que abrir mão de várias coisas diariamente. E se tiver um retorno positivo externo, um mero elogio que seja, ótimo. Eis a lição que aprendi com alguns de meus ídolos no decorrer desses anos: se quer fazer algo (ou, no meu caso, gostar de algum artista ou banda), que seja algo que realmente te agrade – não importa os “críticos” nem os “fãs”, pois eles são cegos e/ou tolos. Aliás, se todos vão nos julgar mesmo, ao menos faça o que gosta, pois assim terá algo de bom no final das contas - a satisfação pessoal.
Aproveito aqui para fazer uma ligeira reclamação: é impressão minha ou as festas rock (ao menos no Rio) estão muito caretas? Os sets parecem todos iguais (e bem semelhantes ao HD do meu computador), sem ousadia alguma. Não me refiro a tocar apenas bandas que surgiram ontem ou perder as estribeiras até virar uma “Ploc” da vida. Mas acho que está tudo muito... previsível. E se o rock já está caindo na caretice de novo, gente, tô fora.
Quarta-feira, Março 26, 2008
Esta que vos digita se encontra em casa deleitando-se com a primeira e segunda temporadas de "MONTY PYTHON'S FLYING CIRCUS", finalmente lançada no Brasil em DVD. E tirando prints bobos de seus Pythons favoritos.
Mas fala sério, o Terry Jones e o Michael Palin não são LINDOS?!?!?! Ainda mais assim, de terninhos anos 70... morri!
XD
Sábado, Março 08, 2008
Quem quer a música nova de James Murphy, o gordinho sex-symbol mais querido deste blog? Só pegar o link aí embaixo e colar no seu navegador:
http://www.zshare.net/audio/8146933d7f517c/
(obrigada ao Vinícius do orkut)
A música é trilha de um filme chamado "21" e claaaaaro que é ótima, que já viciei e já ouvi bizilhões de vezes no repeat desde que baixei. Ontem.
Bem que eu queria ser o "21", só para ter música inédita de LCD Soundsystem na minha trilha sonora. Ui.

E é em ritmo de cantadas como esta acima que temos o tema deste post, originalmente escrito em outubro do ano passado.
Todas as bandas que amamos são CAFONAS
Foi a conclusão que eu e Patrão tivemos dia desses.
Tudo começou quando conversávamos sobre os Killers. Sabemos que eles não mudaram o mundo e tal, mas gostamos muito da banda - o que não nos impede de achá-los super cafonas. Seja pelo bigode do Brandon Flores, pelos figurinos dos integrantes, pelos arranjos de algumas músicas (aliás, os arranjos de metais, junto com o bigodinho e as camisas brilhosas de Flores nos obrigaram a apelidá-lo carinhosamente de Tim Maia) e por aí vai. Tudo cafona. E como adoramos!
Mas, pensando bem, será que tem alguma banda na face da Terra que realmente não seja cafona de maneira alguma?!?!?!?!
Admito sem problema que as bandas que amo são cafonas sim. Algumas com péssimo gosto para se vestir, ou para seus clipes, ou que fazem músicas dignas de dupla sertaneja. Vejo as bandas favoritas de amigos e elas tb são cafonas. Só não perco tempo e espaço enumerando todas elas aqui porque apontar é feio! hahahahaha E, se pararmos para pensar bem, até os Beatles tiveram seus momentos, ou roupa de orquestra de fanfarra e Ob-la-di Ob-la-da é sinal de bom senso?!?!?! :D
Eis a graça do negócio: bandas sempre serão cafonas à sua maneira, pq é da natureza delas contestar, mesmo que seja para ter seu talento reconhecido daqui a 20 anos ou mesmo nunca. O que não se pode é ter medo do ridículo. Senão, melhor nem formar banda.
Até uma banda como os Killers conseguiu botar pessoas para questionar pq diabos alguém tão lindinho como seu vocalista colocaria um bigode tão "feio" em sua cara. Ele poderia querer dizer algo com isso (como "parem de se preocupar com minha aparência e arrumem o que fazer"), ou homenagear o Tim Maia, ou tirar onda e achar graça da reação popular, ou até mesmo ostentar o mal-quisto pq de fato ele gosta. E daí? O mais legal é que mesmo sendo cafona, não é o bastante para as pessoas deixarem de gostar dele e muito menos da banda. O que é uma grande surpresa, uma vez que gente superficial é o que mais tem nesse mundo, então, em teoria, deveria haver pessoas que deixariam de gostar da banda por causa de um bigode!
Deve ser algo "maior" e inexplicável então? Não conseguir deixar de gostar de bandas porque desafiam os limites do bom gosto. E, a meu ver, isso pode até mesmo aumentar o vínculo e o amor por elas. Como aquela pessoa que vc ama cada vez mais quando percebe que ela é comum e tem defeitos - dá um certo alívio ver que ela é tão (a)normal quanto você. E, por isso mesmo, todas as bandas já foram, são ou serão cafonas. E as amaremos exatamente porque são assim.
Não gostar do bom gosto, não se importar com o bom senso, a base da cultura pop. O que combina muito bem com um velho hábito super cafona: a adoração de ídolos.
:)
Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008
Ao som de: "There's a Fire", "The Fix is In", "Bye Bye Baby", OK Go.
O primeiro PC qye apareceu aqui em casa foi lá nos idos de 1996. Ou seria 97? Só o fato de não saber exatamente quando foi já indica que sua aparição não foi isso tudo para mim. Podem culpar a possessividade de meus irmãos, que não desgrudavam dele um minuto, e a minha má vontade para com os computadores - com os quais já tinha que lidar 5 horas por dia em meu 2° grau técnico em Processamento de Dados (quando eu ia às aulas, claro) - onde eu e máquina tínhamos um relacionamento beeeeem complicado.
De fato, era uma surpresa ver que a garota cujo brinquedo favorito fora o Pense Bem da Tec Toy (o "pai" dos "meu primeiro computador") tornou-se alguém tão sem jeito com os computadores. Inclusive, demorei um tempo até começar a fazer meus trabalhos de faculdade usando o PC. Em 1999, era ainda tudo na munheca. E assim foi até chegar a tal da internet.
Tudo mudou quando descobri os sites de bandas, de letras de música, de lojas de CDs, de leilões online, e o Napster e os programas de mensagens instantâneas - que me renderam um elogiado projeto de pesquisa para a faculdade. Eis minha vida na companhia de um computador - não vivo sem um, acho, e isso tá longe de ser uma boa notícia (ainda mais se ele não é fonte de renda).
Admiro os que conseguem passar mais de uma semana sem checar emails. Meu irmão - o mesmo que não me deixava chegar perto do PC - tem banda larga em casa (e baixa mais coisa do que jamais terá tempo de ver ou ouvir), joga de montão e mesmo assim consegue passar dias sem ver o pc se for o caso. Enquanto isso, eu que mal acesso uma internet discada quase morro se fico uma semana sem acessar a internet. Fora a saudade que o PC deixa quando vai parar no conserto: meus mp3s... meus emuladores.... NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!!!!
Sim, esta crise toda é resultado de mais de 4 meses sem ter computador em casa. E acabei ficando muito mal-acostumada com a internet banda larga, já que virei habitué das lan houses. Velocidade na conexão, poder ver videos no youtube, e, principalmente, NÃO SE PREOCUPAR SE O PC TIVER UM PANE A QUALQUER MOMENTO. Ah, a liberdade!
Mas a lan house também é cruel quando se faz a relação tempo X dinheiro. Aí vc percebe que perde muito e muitas vezes fazendo nada de útil. Sim, todos nós sabemos que PC com internet é tempo disperdiçado na certa, mas fingimos que conosco é diferente - e é sempre um choque vermos que não somos a exceção aos alienados internautas.
Os primeiros dias passavam como se fosse uma típica crise de abstinência: eu TINHA que acessar a net de algum jeito, e o alívio veio na forma dispendiosa do WAP do celular. O tempo passou, a fissura diminuiu e as lan houses foram a salvação. Agora, me sinto cada vez mais distante da net, economizo $$$, arrumo outras coisas para fazer... por não acessar de casa acabo indo menos e aproveitando mais o resto do tempo. Sim, com o pc em casa eu passaria o dia inteiro na internet se pudesse.
Como disse, só o fato de não precisar me preocupar em ter um PC funcionando já me deixava tão feliz que eu quase cogitei a hipótese de não tê-lo mais em casa. Mas reconheço que ainda não estou preparada para tanto. Confesso que a única coisa que me incomoda agora é não poder trocar as músicas do meu mp3 player ou descarregar as fotos de minha câmera. Aliás, que bom que minha câmera também está no conserto. Não tenho sorte com aparatos modernos ou o quê?!?!?!
Agora fico mal humorada com o fato de que logo pegarei meu pc de volta, mas aí voltarei a penar com a internet discada de minha casa. De qualquer forma, mais tempo a perder em frente a um monitor... Será que nunca ficarei satisfetita?!?!
Coisas para se fazer quando não tem computador:
1. Rever todas as temporadas de Seinfeld em dvd em tempo recorde.
2. Acompanhar suas séries favoritas pela boa e velha TV por assinatura - e agradecer por não precisar acompanhar pela TV aberta.
3. Aprender a cozinhar! Se eu consigo, você consegue! hahaha
4. Voltar àquele hábito obsoleto chamado LEITURA. De um livro.
5. Escrever milhões de posts para o seu blogue e torcer pelo dia em que conseguirá publicar todos.
6. Dar atenção à sua velha coleção de CDs, ao invés de procurar pela genial banda da semana e querer baixá-la desesperadamente.
7. Repensar toda a sua vida social - "mas será que só tenho amigos por causa da internet?!?!?!?!?!!?!?!?!"
;)
Sábado, Fevereiro 16, 2008
(post em duas partes escritas de uma vez, hi hi)
Ao som de "Ain't No Party", Orson; e Hercules and Love Affair.
Tenho medo, muito medo dos chamados revivals. Comecei a ter noção da existência deles lá por volta de 1993, quando resolveram redescobrir as maravilhas dos anos 1970. Nada contra os anos 70, absolutamente, mas só quem passou por aquilo que sabe: era meio deprimente, festinhas de 15 anos tocando Chic e Village People e garotinhas delirando por algo que não viveram e achando a coisa mais legal do mundo.
Por outro lado, sempre gostei da música dos anos 1980, que ouço desde que me entendo por gente por influência do meu irmão mais velho. Atravessei os anos 1990 - bem como atravesso os 2000 - sendo fã. Devo ser então uma pessoa nostálgica, certo?
Ainda na metade dos anos 90 ensaiaram meio que um revival oitentista por parte de bandas díspares, mas que com suas influências e com a preguiça da crítica de "batizarem" como algo novo, foram colocadas como "New Wave of New Wave". Incluíram nessa desde oa norte-americanos do Green Day e Possum Dixon aos ingleses do Elastica. Mas esse revival não deu em muita coisa, ao menos em comparação com o que temos agora.
Pode-se dizer que o novo revival oitentista veio com o Napster. A facilidade em trocar raridades musicais alimentou a nostalgia dos internautas com músicas, temas de seriado e bizarrices e acabou na boca do povo - vide os sucessos das festas trash "homenageando" a década.
Acho que agora chegamos ao ápice disso. Chamo de ápice simplesmente porque estou de saco cheio dessa onda. E não é devido à overdose de culto à figuras de pouca ou nenhuma importância, pelo contrário. Podem culpar o Interpol (que eu gosto, aliás), a falta de criatividade, a internet... isso não é a questão - é que esse monte de gente copiando tudo que já foi feito é que já tá dando no saco.
Eis o paradoxo: cansei do rock que tanto gosto prestando homenagens aos anos 80, que igualmente gosto. Pior são os mal-avisados que começam a consumir qualquer coisa feita na época e agora, sem discernimento algum. E quando a moda passar? Será que essas novas bandas terão estabelecido uma identidade, ou serão levadas para o limbo - como a grande parte das bandas dos anos 80?
E o revival dos anos 1990 já está dando umas pintas por aí. Um britpop no Kaiser Chiefs, um Smashing Pumpkins no Silversun Pickups, uma Madchester na New Rave. Será que é apenas um ensaio para o retorno, ou ele chegará avassalador para acabar com a onda oitentista que já deu? Trata-se de um revival ainda mais interessante para mim, por ter sido uma época que aproveitei muito mais, mas certamente será romanceada para os novos olhos - té parece que TODAS as bandas dos anos 90 eram sensacionais...
E quais bandas surgirão e emulando a quem? O que aparecerá de realmente novo? Os novos grunges e britpops? Perguntas que mal consigo esperar para saber as respostas...
POR OUTRO LADO...
Seria impossível para mim falar do Orson sem associá-lo à mais pura nostalgia.
Já sabem que não tô na fase das bandas fofas ou conceituais/conceituadas. Ainda não tive paciência para ouvir a trilha de "Juno", e já ouvi o "In Rainbows" e achei bom, mas como tudo do Radiohead para mim - desde o Kid A - eu acho bom, mas não tenho AQUELA vontade de ouvir (mas eu vou tentar, Patrão. hahaha). Mesmo assim, Thom Yorke tem a voz mais bonita do mundo, mas isso é outra história (e tenho que esperar para ver se o Mansun vai voltar mesmo, pq aí o Yorke será páreo duro com o Draper! hihihi)
Verdade seja dita, tenho fases (fofas, conceituais, uarévah) mas sempre acabo voltando para o meu DARK MASTER: a música sem medo de ser pop.
Primeira vez que eu e o Patrão ouvimos a banda (californiana, mas estabelecida em Londres) foi marcada por eventos engraçadinhos.
Tempos atrás, estávamos num bar super-careta daqui de Petró (dos que só tocam Rock mofado ou modas atrasadas: nu metal, trance...), eu cheia de álcool (dentre outros :D) e quase dormindo na mesa. Quando passou um clipe na TV, que era de um dvd gravado pelos donos do bar, com videos que baixaram. No refrão desta música, Patrão comentou que tinha gostado do que estava ouvindo. Levantei a cabeça da mesa, com cabelo na cara e prestei atenção. A música era MUITO boa. Estávamos impressionados como um lugar tão boboca poderia estar tocando uma música tão legal e, pior, de uma banda que não fazíamos idéia.
Acabou o clipe e vimos o nome da banda - Orson. "Moleza, só lembrar do Welles", pensei. Só não contaria que meu estado etílico da noite anterior me faria esquecer até mesmo que vimos um clipe que achei legal - quiçá lembrar o nome da banda!
Mas Patrão não esqueceu, e logo baixou o "Bright Idea", début dos caras, de onde vinha a música em questão, "No Tomorrow". Quando ouvi novamente - sóbria e lutando para lembrar de onde diabos eu tinha ouvido falar deles, hahaha - é que me dei conta do porquê de ter gostado tanto: tinha algo de Van Halen vs. Weezer (não sei se era farofa por parte do Van Halen e rock por parte do Weezer, ou vice-versa, hohoho) e, como ambas as bandas, era pop e divertido toda a vida.
Mais legal foi ver que o disco todo era bom, com influências desde Beach Boys à disco (na música "Last Night"), passando pelos citados VH e Weezer (como em "Already Over"), mas sem virar um balaio de gatos. Era um disco coerente e com conteúdo, sem ser presunçoso. Fora que o vocalista, Jason Pebworth é daqueles que me ganha só pelo fato de CANTAR COM VONTADE.
De resto, não sei de nada deles. Ouvi o CD, vi o DVD e soube que fizeram tour com Robbie Williams - o que tem tudo a ver. Mas não sei se são conhecidos, se tem fãs, se (sobre)vivem de música. Só sei que desde que ganhei o "Bright Idea" do Patrão que ele nunca saiu da pilha de cds em cima de meu aparelho de som, pq eu sempre me pego ouvindo-o, seja para alegrar o dia, ou para ter uma voz familiar enquanto eu faço outra coisa qualquer. É daquelas bandas que gosto de graça da música e isso basta, sem em precisar acompanhá-los como uma tarada enlouquecida.
Eles têm uma sonoridade que sempre me lembra algo que não sei exatamente o que é (como foi com "Hard to Beat", do Hard-Fi), e que acabo associando às viagens para a praia que eu fazia com minha família nos fins-de-semana de minha infância, quando ouvíamos os últimos sucessos da 98FM porque ainda não tínhamos toca-fitas no carro. Ou seja, um amálgama de one hit wonders com clássicos pop. Uma sensação... nostálgica.
Qual foi minha surpresa em saber outro dia que eles tinham lançado disco novo... em outubro?!?!?! Depois de passar uma semana com "Culture Vultures" no meu player, posso dizer aliviada que o Orson passou no teste do segundo disco. A sonoridade nostálgica (e não "retrô-proposital"), descompromissada e alegre continua, com as mesmas (boas) referências musicais de antes e praticamente 90% de músicas que poderiam ser hits.
"Radio" remete à "Video killed the Radio Star"; o excelente single "Ain't No Party" brinca de Rod Stewart; "Broken Watch" é alegre como "Walking on Sunshine" de Katrina & The Waves; "Gorgeous" é meio The Killers; "Debbie's Gone" mistura Weezer com Bee Gees (e fica bom); "Little Miss Lost and Found" tem áura de Beach Boys (que deve ser uma grande influência para eles, pois no primeiro disco "Save the World" já tinha os backing vocals típicos e até o Theremin de "Good Vibrations"); "Northern Girl" tem um quê de Elton John; "Cool Cops" é um "Take me Out" desacelerado e afetado (isso é um elogio); e "The Contortionist" e "Everybody!' também são ótimas. E quando você vê, o Cd pelo qual você não dava nada flui bem à beça.
Não é daqueles discos malas que definem caráter, mas pode ser um amigão que ilumina aquele dia nublado e te chama pra festa. Bom trabalho, rapazes!
Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
Minhas madeixas roxas com prendedores verdes sentem pela perda de Heath Ledger, o Coringa.

Confesso que nem dava muita bola para ele de início, e só fui nutrir simpatia depois de "Brokeback" (que resisti muito para ver - não por ser gay, mas por ser de caubói :S) e de "Irmãos Grimm" (desculpe Terry Gilliam, o filme é ruim, só vale por Heath e Matt Damon patetando).
Quando foi selecionado para ser vilão do Batman, fiquei com receio. Mas, quando vi o trailer, percebi porque ele tinha sido o escolhido para ser o melhor vilão (e, para mim, o melhor personagem) de HQ: não é como no primeiro filme do Batman, onde Jack Nicholson (que é fã de HQ e do personagem) faz papel de Jack Nicholson vestido de Coringa. Ali, Heath Legder sumiu sob o manto do vilão. Ele era o Coringa. Ele foi o Coringa. Ele foi.
Triste perder um talento assim tão jovem. Uma pena.
Shrivel up!