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quinta-feira, janeiro 10, 2002

O Diário das Noites de Insônia parte 1 - Abstrações
SEXO: Porque o sexo (e tudo o mais que o envolve) é considerado por nós algo tão complicado? Aliás, como tudo em nossa vida, é de fato bem simples, até colocarmos nossas mãos nele, aí a coisa desgringola.
Ao mesmo tempo em que muitos o consideram tabu, há aquela obrigação de se ter uma tara, um “fetiche de salão”, de forma a poder ser divulgado para quem queira ouvi-lo. De preferência, uma fantasia que esteja “em voga”. Mas, seria este “fetiche de salão”(que não chega a ser realmente um fetiche, já que este é de natureza patológica) algo realmente excitante para o seu “divulgador”, ou esta pessoa está apenas usando esta fantasia para poder acobertar algo “não convencional” que a excita de verdade, por medo se ser considerado “alguém com problemas”, com uma sexualidade distorcida?
Por exemplo, se numa conversa, um cara confessa ter tesão por mulheres de cinta-liga com salto-agulha 15, e blá blá blá. Mas, na verdade, ele inventou esta fantasia, normalmente aceita pelos outros, para não revelar que o que realmente o excita é algo mais simples, porém, considerado “esquisito” pelos outros, como, por exemplo, “achar sexy garotas que usam aparelhos nos dentes” (foi a tara mais boba que consegui encontrar – nada a ver com os meus próprios aparelhos dentários, por favor!!). E aí caímos no caso de “querer agradar aos outros antes de agirmos como bem entendemos”... Será que existem pessoas que revelam certas fantasias apenas “da boca pra fora”, por medo que alguém descubra que, na verdade, elas não possuem fantasia alguma em sua cabeça? Assim como é doença a ninfomania, a anedonia também o é. Qualquer um dos extremos indica problema, seja pensar e fazer apenas sexo, ou não pensar nele e nem fazê-lo.
Aí passamos para o AMOR: ele existe, mas por mais que tentemos conceituá-lo, será impossível conseguir entendê-lo em sua totalidade, porque o amor não é um substantivo qualquer, trata-se de um sentimento fundamental a nós. E um sentimento, acima de tudo, subjetivo. Assim, cada um terá a sua concepção individual de amor, e a sua maneira individual de senti-lo. E, que, por maiores que sejam as tentativas de conceituá-lo devidamente, sua definição sempre estará aquém do que o amor realmente é. E, mesmo que juntássemos todas as idéias que cada um tem em relação ao amor, ainda não seria o bastante, já que haveria controvérsias.
Tem gente que acha que amor é o mesmo que paixão, ou atração sexual, ou afetividade... ou todas estas características juntas. Nunca haverá um consenso.
Para mim, amor é mais do que tudo isso, porém, é inexplicável. Amo meus pais, mas nunca transaria com eles; amo meus irmãos, mas não acho que esteja apaixonada por eles; amo os meus amigos, mas não é porque eu me sinta atraída por todos eles. Mas, será que eu amo o meu namorado porque estou apaixonada, atraída (fisicamente e afetivamente), além de achá-lo bom de cama, ou há algo mais que me faça amá-lo? E, seria este “algo mais” também o responsável pelo amor que sinto por meus pais, irmãos, amigos?
E o horrendo termo “fazer amor”? Amor não é feito, é sentido. Claro que o sexo com amor é maravilhoso, por ter este sentimento envolvido. Mas, e se, de repente, o parceiro é ruim de cama? Aí, não tem amor que resolva, a não ser que se abdique do sexo pelo amor. O que acontece, assim como abdicar do amor pelo sexo...
O ato sexual, como uma “experiência espiritual, que eleva corpo e alma” é algo, na minha opinião, impossível para os homens na forma em que nos encontramos no momento. Sexo é o corpo-a-corpo, o “aqui e agora”, a busca do prazer, pura e simplesmente. E o orgasmo, pode até ser um momento de “êxtase profundo, que eleva corpo e alma”, mas ele é apenas o ápice do ato sexual, que envolve mais do que isto – das preliminares e penetrações ao clima e música ambiente. E, claro, envolve as fantasias também!
Colocar o amor no mesmo patamar que o sexo, é meio como “rebaixá-lo”, o tal sentimento inexplicável e nobre, a um ato que é uma necessidade humana, como comer e ir ao banheiro, e que resulta em prazer. Não quero mostrar o que é melhor, o amor ou o sexo, porque acho impossível comparar 2 coisas tão diferentes.
Assim, o conceito de prazer também é discutível. Podemos sentir prazer transando, comendo, ouvindo uma música de que goste muito... é muito subjetivo, já que o que me dá prazer pode não fazer diferença alguma para uma outra pessoa.
E, depois de toda esta “volta”, claro que não consegui chegar a conclusão alguma do que é sexo, amor, fantasia e prazer, nem suas semelhanças ou diferenças. Mas, como Oscar Wilde escreveu em “Dorian Gray”, “definir é limitar”. E quem é que vai colocar limites em sua sexualidade, sua capacidade de amar, de fantasias, de se apaixonar e de sentir prazer?

P.S. Editei este post o máximo possível... será que está compreensível? Só sei q tá muito viagem este post...

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