segunda-feira, agosto 06, 2007

DES-CRENÇA:
Ouvindo duas de minhas músicas favoritas de todos os tempos: "Rise", do PIL; e "Sing (to me)", do Blur.- Poderia dizer que eu nasci para a música.
- Que tem uma foto clássica aqui em casa em que estou com um violãozinho nas mãos e achando que estava arrebentando. Que eu tinha um pianinho e ele era um de meus brinquedos favoritos - quando eu não estava o tocando, eu o usava como extensão da minha casa de Barbie, não me perguntem como. Que aos 11 anos eu ganhei um teclado do meu avô, que moveu mundos e fundos para comprar meu presente, juntamente com uma guitarra Tonante que ele deu para meu saudoso irmão do meio. Brincávamos de banda, mas o máximo que conseguimos foi algo semelhante à bandinha da escola do Chaves.Numa espécie de troca de papéis, quando eu estava com uns 13 anos meu irmão teve interesse pelo piano e resolveu fazer aulas. Mas não temos como saber se ele teria seguido carreira ou algo do tipo. E eu comecei a me interessar pelo tal do baixo, por influência das bandas que meu irmão mais velho ouvia: Faith No More, Primus e Suicidal Tendencies - de onde saíram meus primeiros ídolos do gênero, Billy Gould, Les Claypool e Robert Trujillo. O "tal" do Flea, do Red Hot Chili Peppers, só viria depois. Mas aí eu já tava fã das moças do baixo: Tina Weymouth (Talking Heads), Kim Gordon (Sonic Youth) e principalmente Kim Deal (Pixies). Minha última ídola confessa do instrumento seria D'arcy, dos Smashing Pumpkins. Mas nesse caso nem era mais a questão de tocar bem ou não - era de ser estilosa ou não.
- Só consegui comprar um baixo para mim aos 16 anos. Quando botei na cabeça que tinha que ter um, não importava como. Eu e meu irmão pensamos em montar uma banda "séria" dessa vez, que poderia vir a se chamar o nome deste blog, só que ele não ficou por aqui tempo bastante para saber o nome que criei (e que muito tempo depois fui descobrir que já era o nome de uma banda). Comecei a ter aulinhas e achei um saco aprender a tocar mpb. Fiz o básico do básico e caí fora. E nunca mais me meti com música. Desisti. Porque eu poderia dizer que nasci para a música - mas estaria mentindo.
- Mentindo porque eu não sou uma virtuosa. Me confundo com as cordas e notas, e não tiro nem Parabéns pra Você de ouvido. Também não vejo graça nenhuma em me trancar num quarto e não sair de lá enquanto não tocar igual ao Geddy Lee. Então, se não sou um talento natural e sou uma preguiçosa, por que diabos eu insisto em tocar?
- Ótima pergunta.
- Em termos práticos, a resposta é: não faço a mínima idéia.
- Depois que o "estrago tá feito", que você pára para pensar melhor onde diabos você foi amarrar seu burro. E, pior, vc acaba se envolvendo onde não lhe diz respeito cada vez mais. Porque agora não sou apenas uma louca que comprou um baixo e tá tentando fazer alguma coisa com ele. Agora eu sou também uma louca com um microfone, e sei fazer com ele tanto quanto o que sei fazer com o baixo: nada.
- Claro que estes momentos de sensatez são raros. Na verdade, gosto mesmo de sair fazendo barulho e tô pouco me lixando. Reclamar de bandas idiotas? Eu fazia isso lá aos 15 anos, quando precisava afirmar minha identidade e essas coisas que agora vemos que é uma grande bobagem. Agora, se estou no palco e alguém reclama, faço o que as bandas de quem eu falava mal antes deveriam ter me dito: sobe aqui e faz melhor. Ou ao menos seja mais estiloso. :P
- (Nem pensem que só por isso vou deixar de falar mal e de desgostar de bandas. Mas, todo mundo que me conhece também sabe que nem perco (muito, haha) tempo falando mal de banda. Prefiro o usar tempo precioso para falar bem das que gosto. Vide este modesto blog.)
- Na hora de fazer as músicas a coisa pega ainda mais. Imagino tudo na cabeça, facinho facinho. Mas, na hora de passar para o papel e para os colegas, é um martírio. E as coisas sempre acabam saindo completamente diferente do esperado.
- Nessas horas sempre penso em meus heróis musicais. Especialmente Rivers Cuomo, e o recém-promovido Dom Chad. Tenho eles como heróis por um motivo bem óbvio e umbilístico, ambos são geminianos como eu. Rivers, extremamente controlador e que não hesita em mandar um F***-SE para quem o enche o saco apesar de sua aparência frágil; Chad, sempre demonstrando ser agradável e feliz - mas emocionalmente instável, parecendo não ter noção do próprio talento.
- Será que quando eles faziam as músicas que tanto me emocionam, elas também saíram totalmente diferente do idealizado? Pior: será que eles se emocionam com o resultado de seu trabalho como eu me emociono enquanto fã?
- Provavelmente não.
- Me utilizo de um exemplo tosco, mas plausível: Rivers já deixou claro e registrado para todo mundo ler que "Only in Dreams", uma de suas melhores canções, era uma das piores coisas que ele já tinha feito na vida, e que se arrependia de tê-la feito. Será que foi porque ela não saiu exatamente como esperado? Será que se cansou dela? Será ataque de pelanca? Casos a se pensar...
- Eu não tenho uma música minha ou de minha banda que me deixe emocionada, que me diga "Nossa, essa aqui tá pronta! É tudo que eu sempre quis fazer e não vou mudar uma vírgula porque ela tá perfeita assim". Será amadorismo? Falta de técnica ou coração? Falta de vergonha na cara? Também não sei se essa frieza é boa um ruim. A imperfeição de uma canção pode abrir vários caminhos, pode dar margem a várias interpretações, e ela pode sempre ser melhorada... AAAAhhh, não sei!
- Resumindo, ter banda é um saco. Milhões de dores de cabeça para cada um segundo realmente legal. Isso quando essas questões filosóficas como esse post não aparecem para assombrar. Mas, quem sabe às vezes um segundo compensa tudo. Mesmo que as coisas não saiam como esperado. Vai que algo que você fez mas não dá a mínima acaba mudando a vida de alguém? Provavelmente isso passa pela cabeça de muita gente, mas por outro lado a insegurança vem e fala que isso nunca irá acontecer. No fim das contas, que importa?
- Que importa tocar, mesmo sem saber de lhufas de música? Sei lá, acho que é porque gosto. E preciso. E não posso responder nada além disso.
- cheers.
nosso amiguinho blogger não quer marcar parágrafos de jeito nenhum, então resolvi usar desvairadamente os marcadores. Espero que não se importem.