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quarta-feira, abril 09, 2008

RICKYS WILSONS ME MORDAM!!!

Ouvindo os discos Funplex, The B-52’s; Yours Truly, Angry Mob, Kaiser Chiefs; X, Kylie, This is not the World, The Futureheads; e a música “DVNO”, do Justice.

O primeiro Ricky Wilson ao qual me refiro era loiro, bonitinho, guitarrista e americano. Que eu saiba, nunca se assumiu publicamente (até mesmo porque é o tipo da coisa que não nos diz respeito, néam?), mas morreu de complicações decorrentes da aids há mais de 20 anos, quando esta ainda era considerada uma “doença gay”.
Eu, que não sou muito fã de guitarristas, tenho nele uma honrosa exceção, uma vez que tinha um jeito muito particular de tocar, com afinação excêntrica e apenas 4 cordas – pra quem não sabe, normalmente uma guitarra tem de 6 cordas (ou mais, mas isso é outra história e eu não curto guitarra para escrever a respeito anyway).
Ele que, junto com o baterista Keith Strickland, criaram a base musical perfeita para encaixar as vozes de Kate Pierson, Fred Schneider e sua irmã Cindy Wilson, transformando os B-52’s numa banda de sonoridade facilmente identificável, sempre dançante e divertida.



Esse é o Ricky - não consegui achar uma foto melhor, sorry...

A tragetória dos B’s (como são chamados carinhosamente pelos fãs old school) é meio trágica e irônica. Depois de fazerem dois dos discos mais legais que já ouvi na vida (o epônimo de 1979, tosco e genial; e “Wild Planet”, de 1980, não tão tosco quanto o primeiro e tão bom quanto), lançaram dois EPs em 1981/1982, um de remixes dos dois primeiros discos (chamado “Party Mix!”, que deixava claro que o lugar dos B’s era numa festa e/ou pista de dança) e outro produzido pelo colega David Byrne (na época nos Talking Heads), “Mesopotamia", que teve gente achando que era um disco “sério” (apesar de ter músicas que esta que vos digita gosta muito, como “Nip it in the Bud” - ow wow wow). Logo a seguir, resolveram abraçar os sintetizadores em “Whammy!”, disco de 1983, que muita gente torceu o nariz por ter muita eletrônica, mas também é o disco que deu a eles um de seus maiores sucessos: “Legal Tender”.
O sucessor de “Whammy!” poderia tê-los transformado numa banda grande, como seus conterrâneos da pequena Athens, na Geórgia: o R.E.M. (que também lançou CD agora), uma vez que eles eram tão maluquetes quanto outras bandas da New Wave, mas tinham o apelo pop que poucas delas tinham (vide o Devo, outra banda sensacional da época, sempre comparada aos B’s, mas que ficou reduzida ao circuito cult principalmente aqui no Brasil). Mas, com a morte repentina de Ricky, as coisas complicaram para a banda, tanto artisticamente quanto emocionalmente: como uma banda tão alegre iria lidar com a perda de um dos seus, em circunstâncias tão complicadas, e pior, sendo este o seu principal compositor?

O disco seguinte, “Bouncing off the Satellites”, de 1986, já estava quase pronto quando Ricky morreu. Fizeram mais algumas músicas e lançaram-no no clima “O show deve continuar”, mas não vingou – ele tinha uma aura de tristeza que não dava pra disfarçar.
E então eles resolveram sumir, tanto que a mídia deu a banda por acabada. Porém, três anos depois, Keith assumiu de vez as guitarras por ser o único que conseguia emular o som que o amigo fazia e resolveram lançar o bem-sucedido “Cosmic Thing”, (que tem muita gente que considera o melhor disco deles!), em climão de grande retorno. Em 1992, lançaram “Good Stuff”, que não tinha a participação de Cindy Wilson, o que deixou muita gente desconfiada com relação a atritos entre os integrantes nos bastidores – todos desmentidos pela própria Cindy algum tempo depois, que justificou que apenas não estava em condições de gravar, fazer tours, e essas coisas do mundo do showbiz.
Eles continuaram fazendo shows, a maioria beneficentes em apoio a grupos políticos (direitos dos animais, grupos GLBT etc.), mas saíram dos holofotes mais uma vez por não lançarem um disco de inéditas desde então – se de 1986 a 1989 já davam os B-52’s por mortos, imagine de 1992 até hoje?!? – apenas algumas músicas como “Debbie” (dedicada à Deborah Harry, vocalista do Blondie) que saíram em coletâneas como o seu bestofe “Time Capsule – Songs for a future generation”, de 1998.
Fred, Kate, Cindy e Keith também tiveram vários projetos paralelos, que nunca tiveram a repercussão dos B’s. Grosseiramente falando, a banda ficou meio que amaldiçoada: é algo que eles claramente gostam de fazer, que funciona quando estão juntos mais do que com qualquer outro projeto paralelo que venham a fazer, mas que também deve sempre machucá-los um pouquinho ao verem que por mais que queiram e se esforcem nunca será como antes, nunca será a mesma coisa sem Ricky Wilson.

É complicado para mim falar deles também. Eu dançava em frente à TV vendo clipes deles quando tinha 4 anos de idade (vocês não precisam fazer as contas, era 1984). Tenho todos os CDs e VINIS. Fui do fã-clube oficial gringo (a única banda, aliás), com foto autografada e tudo. Tenho um pôster deles pendurado por dentro da porta do meu armário até hoje, caindo aos pedaços de tão velho. Sei diferenciar as vozes de Kate e Cindy (ao menos na maioria das músicas, hehe). Estou escrevendo tudo isso aqui de cabeça, sem consultar nada sobre eles. É a primeira banda em minha estante de CDs porque não tenho coragem de colocar nenhuma banda com a letra A antes deles. Resumindo: é a banda que curto há mais tempo, e que foi trilha de uma época muito ingênua e divertida para mim, e que obviamente não volta mais – e por isso mesmo prefiro deixar onde se deve, no passado.
Lá em 1992, quando saí da loja de discos com meu vinil de “Good Stuff” debaixo do braço, não imaginava que eu baixaria o próximo CD deles antes mesmo de chegar nas lojas – aliás, nem imaginava que um dia saberia usar um computador! Cindy Pierson, minha pinscher, nasceu em 1993 e morreu sem ter um lançamento da banda que a batizou. Passou tanto tempo e tanta coisa aconteceu desde 1992 que é inevitável a famosa pergunta: o B-52’s ainda tem o seu lugar no mundo?

Uma coisa é fato: independente do saudosismo oitentista, os anos 2000 – maluco, imediatista, tecnológico, multiinfluenciável – combina muito mais com eles que os anos 1990 – do grunge, do trip-hop, do britpop, que não primavam pela alegria. É fácil identificar sua influência mesmo indireta em bandas atuais: os vocais masculino x feminino, teclados vagabundos e percussão mais ainda do LCD Soundsystem (e eu me perguntando por quê gosto tanto deles), a chacota kitsch do Scissor Sisters... outro dia eu ouvia o New Young Pony Club e me peguei pensando “esse som é familiar... meu deus, é B-52’s!!”.

Engraçado que o que sempre considerei os maiores méritos deles – a honestidade e despretensão – eram as coisas que nunca os transformariam em banda-influência para ninguém além de mim... e que bom que estava errada! É interessante ver este intercâmbio de referências – são os influenciados por eles que os renovam agora. Kate Pierson declarou outro dia para um jornal brazuca o que eles andam ouvindo: The Killers, The Rapture e ... LCD Soundsystem (ALIÁS, nosso querido-amado-salve-salve James Murphy foi engenheiro de som do Six Finger Satellite, banda que tocou com Fred Schneider num de seus discos solo, ho ho). Os responsáveis pelos remixes do primeiro single do novo disco, “Funplex”, foram convidados por serem fãs da banda: Peaches, CSS e os citados Scissor Sisters.
Fico muito feliz de vê-los sendo lançados pela Astralwerks (que lançou Air, Chemical Bros., Fatboy Slim e Beta Band etc.), que estão cercados de figuras interessantes e/ou no auge e continuam influenciando gente idem. Finalmente estão recebendo o devido reconhecimento – afinal, eles não precisam provar nada.

E Funplex, o disco? Talvez ele diga o porquê de não terem lançado disco antes – não entrariam num estúdio sem um punhado de boas novas canções que valessem a pena toda essa espera. O disco não tem uma música ruim. É um disco atual, mas sem deixar de ter a cara dos B-52’s. Para continuar no meu exemplo favorito, a faixa “Eyes Wide Open” poderia ser uma música do LCD fácil, mas é acima de tudo uma música dos B’s. O disco tem tudo que nos é familiar vindo deles: rock feliz (“Hot Corner"), eletrônico/ sci-fi (“Love in the year 3000”), fofo (“Juliet of Spirits” e “Deviant Ingredient”), a guitarra de Keith, os teclados divertidos, as letras sacanas, as percussões vagabundas... em várias músicas dá para imaginar o Bonde du Rolê botando base funk e cantando por cima: “Funplex”, “Ultraviolet”, “Pump”. E o melhor, nem parece que ficaram 16 anos sem lançar disco juntos.
Sejam bem-vindos ao ano 2000, The B-52’s! Ricky Wilson certamente está bem contente, onde quer que esteja!
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Já o outro Ricky Wilson a que me refiro também é loiro, mais bonitinho ainda, sexualmente, hum, “versátil” (diz a lenda), mas é vocalista e inglês – aliás, talvez seja o vocalista mais canastrão da Inglaterra em minha opinião (e isso é um elogio! é o tipo da coisa que cabe na banda em questão). Ele é a cara e a voz do Kaiser Chiefs, banda de Leeds que é famosa pelo bom humor, assim como a banda que iniciou este post – apesar do humor e sonoridade desta segunda serem beeeem britânicos.

Logo que li a respeito do KC que me veio a associação aos B’s por causa do nome do vocalista: “pombas, nunca mais esquecerei o nome da banda e desse xará do falecido Ricky”. Nem é um nome exótico, mas também não chega a ser um John Smith – e poderia ser Richard, Ric, Rich, Rick, Richie, Dick... mas era Ricky, o que me chamou a atenção de imediato. Desde então que sempre imaginei como faria para escrever sobre os dois Rickys num mesmo post sem forçar a barra. E eis a coincidência que ocorreu (mas antes, toda a beleza de Ricky Wilson, o inglês):



Huuummmmmmmmm...


O “Employment”, primeiro disco do KC, me pegou de jeito logo que saiu graças às suas músicas e letras divertidas e à voz de Ricky, que remetiam ao Blur de quando este ainda tinha senso de humor e esperança na humanidade (i.e. Modern Life- Parklife era). Mas, assim como me apaixonei rápido, logo cansei de músicas fáceis como “Na na na na naaa”, “Everyday I love you less and less” e “I predict a riot”. Ano passado lançaram seu segundo disco, “Yours truly, Angry Mob”, e não me empolguei de sair baixando tudo com net discada (como aconteceu com o primeiro) porque estava com essa bronquinha com eles: no fim das contas, era só mais uma banda engraçadinha que não ia adiante. Tempo depois o patrão baixou o disco para mim e deixou em meu computador, mas este pifou em setembro e só voltou à vida mês passado. Ou seja, com a exceção de “Ruby”, que ouvi por aí e até gostei, eu me esqueci completamente do Kaiser Chiefs.
Isso até o mês passado, quando achei o DVD “Enjoyment” dando sopa numa loja e botei na cabeça que tinha que ser meu, em respeito às outras músicas de que gosto bastante até hoje: “Modern Way”,”Born to be a dancer” e “Oh my God”.

Há muito tempo que eu o queria (mesmo porque não consegui baixar nada além do áudio de alguns shows do DVD), desde o lançamento, quando soube que tinha um filminho engraçadíssimo, narrado pelo ator Bill Nighy, com depoimentos dos integrantes quando crianças dizendo o que gostariam de fazer quando crescer (só vendo mesmo, as crianças são perfeitas!) e quando velhos, mais precisamente em 2030, amargurados, longe do showbiz... com destaque para, claro, Ricky Wilson velho-em-carreira-solo e ainda canastríssimo! De resto, tem aparições de Roger Daltrey, Damon Albarn (para minha surpresa, não achei que daria crédito aos “filhotes”), todos os clipes do primeiro disco, apresentações ao vivo, vídeos de quando eles ainda se chamavam Parva, Ricky cantando com The Cribs, palhaçadas como eles se vendo na TV e falando besteira... enfim, coisa à beça, infelizmente sem legendas em português. Isso sem falar no encarte mais engraçado e sem noção que eu já vi, com coisas que nem perderei tempo traduzindo, mas que merecem menção, como: “Hours of fun to be had inserting the enclosed DVD disc, pressing “eject” and watching it come out again, all at the push of one button”; ou, melhor ainda “minutes of fun to be had arguing over which bit to watch first, though you may find the apparent lack of menu makes up your mind for you”. Nem os DVDs do Monty Python chegaram com um encarte assim.
Enfim, o Kaiser Chiefs é tão adoravelmente bobo que me foi impossível ver este DVD e não voltar a vê-los com outros olhos. E foi assim que resolvi dar uma chance ao “Yours Truly...” e não é que acabei viciando e achando um discão?!? Foi aquele disco que quando ouvi a primeira vez achei nada de mais, mas quando dei por mim já sabia os nomes de todas as músicas e já estava cantando tudo sem nem ter lido as letras. As músicas “animadinhas/engraçadinhas” não estão tão descartáveis como as do primeiro CD – “Everything is average nowadays”, “Thank you very much” e “Retirement” são ótimas. As baladas estão mais maduras e interessantes – meu deus, o que é “Love’s not a competition (But I’m winning)”?!? Poderia ser uma balada do Parklife! E ainda tem maravilhas como “The Angry Mob”, que não consigo deixar de ouvir 489348938493 vezes ao dia.

Fiquei impressionada em ver como eles amadureceram tão rápido sem deixar de ser Kaiser Chiefs e não soar repetitivo. Nunca iria imaginar que logo eles, da safra de 2005/06, seriam os que passariam com mérito no famoso teste do segundo disco, deixando para trás outros que eu imaginava mais capazes como o Hard-Fi ou The Futureheads (que lançou, digo, vazou o terceiro disco agora e sim, gosto, mas isso é pra outro post). O que um DVD bom não faz por uma banda, hein? E que venha o segundo DVD logo Kaiser Chiefs!...
- Yours truly,
Sra. Tuppence Beresford.

;)

Para fechar, atendendo aos pedidos das meninas e meninos do fã clube "Amo o Ricky Wilson fazendo careta com roupa de frio!", preparem seus corações...




Já falei que AMO meu "capture frame" hoje?!?!?! hasjhasejkhajkhskjfhksj

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