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segunda-feira, setembro 08, 2008




AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH

Sério, meu povo. Show dos Hives em SP.

Bem, antes mesmo de mais todos os shows do universo passarem pelo Brasil este ano, posso dizer que 2008 já valeu pelo show do Muse e dos Hives.

Ver os Hives ao vivo era sonho antigo. Não sou daquelas fanáticas que têm tudo deles, mas é uma banda pela qual sempre tive um carinho muito grande, desde que a conheci lá no início deste século - e não foi por "Hate to say I told you so", diga-se de passagem. O que os tornam tão especiais para mim é o fato de que eles são uma das poucas bandas que me fazem querer montar uma banda - só para tentar ser tão divertida e estilosa como eles. Sério. Tem banda mais estilosa no mundo? As roupas, os layouts dos discos, dos clipes, dos sites?...

(inclusive, certa vez enquanto eu ouvia The Hives minha mãe comentou que as músicas que eu fazia se pareciam com "aquilo que tava tocando". Tá bom que elogio de mãe é complicado, mas ela não hesita em criticar quando, por exemplo, estou ouvindo "Freak Out/Starry Eyes" dizendo que é suuuuper chato. Então, acabo considerando o comentário de mamãe wonderfool um dos melhores elogios que já ouvi na vida, hahahaha)

Enfim, apesar de muita gente ter implicância com a banda sueca, dizendo que não fazem nada de novo e etcetera, eu os adoro, acho todos os discos acima da média e acho sim, que eles estão cada vez melhores. É humanamente impossível para mim ficar triste ou desanimada se estou ouvindo seus discos.

E o show não poderia ser diferente. Toda aquela animação e alegria tomam conta de todos, msmo porque, se a empolgação dos Hives em disco já é contagiante, imagine ao vivo? Não é de se espantar que são considerados uma das melhores bandas ao vivo.

Show incrível. Performances inesquecíveis. Dr. Matt Destruction e Vigilante Carlstroem (baixo e guitarra, respectivamente) já se destacam só pelo fato de existirem, apesar de serem os mais discretos no palco. O batera Chris Dangerous mostra porque o próprio vocalista da banda o considera o baterista mais cool do mundo com suas estripulias e pegando as baquenas no ar. O guitarrista solo Nicholaus Arson também é explosivo no palco (inclusive, um dos poucos "lances" que tenho com guitarristas é que adooooro os que tocam de pernas abertas como o Arson faz. O máximo!!!). E Pelle Almqvist, o que dizer desse homem?!?!?!!?



Ah. O cara é tão sensacional e palhaço no palco que você quase esquece que ele é um dos caras de banda mais bonitos do mundo! (Tá bom que tenho um gosto para caras de banda muuuuito duvidoso, mas dizer que o Pelle ou o Damian do OK Go são feios é caso de inveja ou sério problema de visão, só pode ser)

E ele mandou muito, foi tudo o que eu imaginara. Falou português ("tira o pé do xon", "eu te amo", ele ordenando para a platéia: "Bate Palma!" "Pára", "Grita ae"; ele batendo no peito e dizendo "vocalista!!" hahahahaha), foi animadíssimo, falava com a platéia sempre, rodou o microfone e o jogou para o alto igual eu sempre vi em clipes e videos. Todas as mickjaggerices e iggypopices.

Enfim, todas as coisas que sempre quis ver os Hives fazendo eu finalmente vi ao vivo!!! "Menos mal (1)" é que eles não tocaram "Abra Cadaver" e "The Hives - Declare Guerre Nucleaire", senão eu tinha morrido. E "Menos mal (2)" é que eles não tocaram no Circo Voador. Senão eu teria arrancado as roupas, pulado no palco, ou sei lá. Não responderia por mim.

Mas vai que isso ainda acontece um dia? Hum...

Setlist:

- Intro: A Stroll Through Hive Manor Corridors (pra deixar todo mundo desesperado)
- Hey Little World (começar com essa é golpe baixo!)
- Main Offender
- Try it Again
- A Little More for Little You
- Walk Idiot Walk
- A.K.A. Idiot (golpe baixo de novo)
- A Thousand Answers (essa é nova, é?)
- Won't be Long (\o/)
- Die, all right! (morri, all right)
- Diabolic Scheme
- You dress up for Armagedon
- You got it all... wrong
- Two timing touch and broken bones (AAAAAAAAAAAAHHHHH)
- Return the Favour

BIS (morre do coração)
- Bigger Hole to Fill
- Hate to say I told you so
- Tick Tick Boom


- Yours truly
Sra. T Beresford

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quarta-feira, agosto 27, 2008




SERVIÇO DE (IN)UTILIDADE PÚBLICA:

Aproveitando o espacinho e a falta do que escrever no momento para passar links de algumas musiquinhas (que já tinham sido upadas para outros propósitos) a quem interessar possa. No geral, são músicas de que gosto bastante, se isso serve de alguma referência...

1 – HOT CHIP – “Wrestlers (Sticky Dirty Pop Mix)”: A música mais esquisita de Made in the Dark, o último e ótimo disco do Hot Chip, ganhou remix e virou uma dance de padaria irresistível e ultrapop que me ganhou se vez. Tanto que virou o toque principal do meu celular. Sério. Tirado da versão digital do single “One Pure Thought”.

2 – MUSE – “Assassin (Grand Omega Bosses Edit)”: Apesar de conhecer o Muse desde o Showbiz, acredito que o Black Holes and Revelations seja o meu disco favorito deles. Pronto, falei. E “Assassin” é uma de minha faixas favoritonas do trio inglês, muito por conta dos backing vocals que ficam entre o pomposo e a zombaria: dá pra imaginar direitinho os três com aquelas caras de debochados (tá bom, nem tão debochada da parte do Christopher) cantando “Ooohhh pa pa pa pa...”... Hahahahaha. Mas não era disso que eu queria falar! O que acontece é que o Muse lança tanta coisa e tem tantos fanáticos que lançam milhões de bootlegs diariamente que fica difícil de acompanhar. Tanto que só outro dia que fui saber da existência dessa versão para “Assassin”, que na modesta opinião desta que vos digita, é mais arretada que a original! Segundo consta no last.fm (o que seria de mim sem ele?) essa versão está na edição em vinil do single “Knights of Cydonia”.

3 – MSTRKRFT – “Bounce (feat. N.O.R.E.)”: Essa versão do MSTRKRFT é a “radio version” mesmo, nada demais. Tá aqui só porque já estava upada. Mas ainda não achei ninguém que não ficasse com “All I do is party, ha ha ha ha” na cabeça e não tivesse vontade de sair pulando igual a um doido por aí depois de ouvir isso.

4 – QUEENS OF THE STONE AGE – “The Fun Machine Took a S*** and Died”: Mais uma daquelas músicas que começam estranhas, que fica meio mariachi e depois vira o que já é de se esperar: o rockão lindão que o Queens faz sempre. Essa é bônus da edição especial – e dupla – do Era Vulgaris e upei para uma amiguinha de orkut.

5 – FELIX DA HOUSECAT – “What She Wants”: Essa é veeeelha (2004) e tá aqui só porque o link já existia também. O grande atrativo dela, claro, é ser uma música super gay com a voz de nada-mais-nada-menos que James Murphy! Já falei isso antes mas não custa repetir aqui: ela lembra bastante a cover de “Satisfaction” dos Stones feita pelo Devo. Se isso é bom ou ruim, it’s up to you! :P

6 – SIX FINGER SATELLITE – “Rabies (Baby’s got the)” – Ainda nos “James Murphy-related”, essa é mais antiga ainda. Conhecia essa banda lá nos meados de 1996 porque eles gravaram um disco com o Fred Schneider, dos B-52’s. Mas não sabia mais nada sobre eles, até que um dia soube que James – antes de ser o badass lutador de jiu jitsu mais querido deste blog – costumava ser engenheiro de som desta banda. Como se não bastasse, um dos integrantes era John Mclean, hoje conhecido como Juan Mclean e um dos artistas da DFA. O 6FS é uma banda bem legal, synth-rock barulhenta, ou sei lá. Basta dizer que eles eram contratados da Sub Pop (aquele tal selo grunge, sabe? =P) e usavam terninhos tipo Duran Duran! Vale muito a pena conhecer.

De resto, espero que estejam todos bem. Para quem não sabe, amanhã será o programa número 10 do Outsiders! Ou seja, já são dois meses no ar! Quem quiser ouvir, já sabe: www.radiorpb.com.br das 17h às 19h.

- Party on, Wayne!
- Party on, Garth!

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quarta-feira, agosto 13, 2008

OS HIVES RIRAM DO RIO





Sou carioca, mas não tenho muito orgulho disso não. Nada contra os cariocas, quero deixar bem claro, mas não me sinto uma carioca – então, porque teria orgulho de algo o qual não me sinto fazendo parte?

(Na verdade, gostaria muito de saber se sou só eu ou se tem mais alguém que se sente tão deslocado assim no mundo. Há algumas exceções de lugares que acho agradáveis, mas mesmo assim não há nenhum lugar (onde eu tenha ido até agora) onde eu me sinta 100% em casa)

Não me sinto em casa no Rio de Janeiro. Até gosto de ir pra lá, mas normalmente com um itinerário pronto – ver tal show, ir a tal lugar, ir pra rádio fazer o programa – e me sinto a maior roceira do mundo andando sozinha pelas ruas do Rio, olhando desesperada para todos os lados tentando evitar um assalto que cedo ou tarde acabará acontecendo. O que mais me irrita são os que até hoje investem nessa fantasia de que “apesar de tudo, o Rio de Janeiro continua lindo”. Né por nada não, mas não consigo mais ver beleza lá – estou ocupada demais tentando escapar ilesa na multidão.

O problema da capital fluminense – bem como o problema do Brasil – é sempre se nivelar por baixo: é votar no candidato “menos ruim”, ou pensar “ah, mas as coisas poderiam estar pior, a gente não tem guerra, nem terremotos" (se bem que a natureza já está se encarregando disso...), enfim, coisas que só nos levam cada vez mais para o buraco. E, aparentemente, ninguém está interessado em tirá-los, nem Rio, nem Brasil, do buraco. Alguns pobres coitados até que tentam fazer a sua parte, mas aí me lembro de um lance típico que reparei outro dia aqui em Petrópolis: colocaram ônibus novinhos na cidade (provavelmente superfaturados etc etc, isso a gente já imagina), e nem se passou um mês deles nas ruas e vários bancos já estão pichados por estudantes-pivetes mal-educados que têm gratuidade na passagem, enquanto a gente aqui que paga inteira – ou seja, paga a passagem deles também, não é? – tem que aturar esse povo esculhambando os nossos meios de transporte. Se a população deprecia o que seria um bem para ela, porque os políticos iriam valer alguma coisa (mesmo porque, são políticos como NÓS e VOTADOS POR NÓS)? Então, é isso aí: a grande maioria não tá nem aí, e por isso o Brasil não vai pra frente.

E o que os Hives têm a ver com a história? Bem, segundo a comunidade da banda no orkut (ok, a fonte é questionável, mas a história é tão coerente que acredito que seja verdade) o show deles aqui no Rio (que tinha tudo para ser lendário e incendiário – para ficar em alguns bons adjetivos terminados em ário) foi cancelado porque alguém em Porto Alegre ofereceu uma quantia muito maior para a banda, que resolveu aceitar e sacrificar sua apresentação por aqui. A banda sueca tá errada? Claro que não. É o trabalho deles, e nada como buscar a melhor recompensa por ele.

Esse caso, que parece uma besteira, nos faz pensar:

1) Se POA fez uma oferta tão superior, uma coisa é certa – tem retorno do público. Ninguém faria uma oferta tão grande sabendo que o show ficaria vazio – a não ser que no sul tenha algum milionário excêntrico que queira um show dos Hives só pra ele, o que acho difícil.
Então, o que faz as produtoras daqui fazerem uma proposta aquém das de lá? Acho que os itens abaixo podem responder isso:

2) As produtoras cariocas sempre acham que, por “se tratar do Rio de Janeiro”, todo e qualquer artista gringo vai querer ter o “privilégio” (?!?!?!) de estar aqui, e com isto estão pouco se lixando com o cachê. Pra piorar, também não respeitam o público, sempre colocando os preços dos ingressos lá em cima – uma tremenda falta de respeito tanto com artista como com os seus fãs.
Agora, por que eles jogam os preços dos ingressos lá pra cima?

3) Porque o público carioca é extremamente modista. Estão pouco se lixando com qualquer gênero que não esteja tocando nas rádios e nas novelas (até agora não entendi como o show do Muse encheu tanto – tem certeza que “Starlight” ou “Supermassive Black Hole” não estão tocando na novela das 8???). Sempre que tem algum evento “maior” (leia-se Tim Festival) tem muito mais gente passando por lá pra aparecer na badalação que para ver qualquer show. Com isso, o pessoal realmente interessado em ver qualquer show que seja tem que se submeter a preços absurdos – que as produtoras colocam lá em cima porque sabem que tem fãs que estarão dispostos a pagar o preço (até hoje o meio ingresso por cem pratas do LCD Soundsystem tá preso na minha garganta, um grande exemplo de show maravilhoso e vazio). Não seria mais fácil colocar os ingressos mais baratos para chamar mais público, inclusive os fanfarrões que só querem badalar?

Com isso, o Rio vai acabar (ou já foi?) sendo passado pra trás quando se trata de eventos alternativos. Vários festivais no nordeste e centro-oeste estão acontecendo, e o sul também está correndo por fora – e como vemos, vencendo. São Paulo sempre será São Paulo e pelo jeito ainda não perderá sua majestade (por ter público cativo e disposto): Motomix de graça, Skol Beats... além dos váááários outros shows que ocorrem lá que nem dão as caras por aqui. Enquanto isso, no Rio... vemos o cachorro correndo atrás do próprio rabo – sempre passando a culpa adiante sem se dar em conta que outro passará a culpa para outro até chegar a você de novo.

O pior de tudo é ver que isso é por pura preguiça! Como já disse, o Rio é uma ótima analogia para o Brasil: nosso país era o primeiro em várias coisas (oras, até no futebol), mas ao invés de correr atrás para sempre se manter no topo, resolveu se assentar no melhor estilo “sou o melhor, pra que se esforçar?!?!?”. Resultado: o mundo correu atrás e o ultrapassou (seja com as exportações de café ou açúcar, seja com o futebol). E agora, Brasil?

O Rio se conformou em ser a “Cidade Maravilhosa” e se deixou ser consumida por violência e pobreza e burrice, onde até os programas culturais (quem foi que disse que somos a Capital Cultural do Brasil mesmo?) estão indo pras cucuias. Vamos ter que nos contentar só com funk, MPB e bandas cover? E quem não se contentar terá que ir ver em outro lugar (SP, POA, Brasília...).

E agora, Rio?

- Yours truly,
Sra. T. Beresford

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domingo, julho 27, 2008

BARRA-AQNUC PRA VOCÊ TAMBÉM!
(ou o como tem gente criativa nesse mundo ou como tem gente com nada melhor para fazer nesse mundo)






Começo este post perguntando aos meus 3 leitores se alguém aí sabe como criar emoticons para msn. Eu não faço a mínima idéia, bem como os poucos amigos com quem bato um esporádico papo por mensagens instantâneas – a minha sis sabe, mas ela não quer revelar o segredo para nós reles mortais, mesmo porque é bem provável que mesmo que ela me ensinasse eu continuaria dando umas batatadas. Então, é melhor assim.

Dentro desta debilidade, geramos um fenômeno bobocamente divertido: o de criar atalhos de teclado para emoticons que praticamente não existem.

Explico: por exemplo, tenho uma amiga que é apaixonada pelo Michael Palin. Na falta de emoticons de verdade que façam jus à sua beleza, temos agora o comando “barra-mike” (ou /mike), que pode representar qualquer foto de qualquer época de Palin. A partir do barra-mike, temos variações praticamente ilimitadas como /mike-de-padre, /mike-na-cozinha ou o fetiche de sua preferência. O melhor é que a imagem que passará pela cabeça de minha amiga ao ver o comando na tela muito provavelmente será diferente da minha, o que torna este um recurso de ordem subjetiva que estimula a criatividade e a imaginação dos internautas! Heh.

Outro exemplo divertido foi o que fiz com um amigo. Começou por causa de James Murphy, figura querida por nós dois. O primeiro emoticon a respeito foi o “barra-LCD” (/LCD), referência à banda do sujeito, uma figura que representaria qualquer evento/festa/show de caráter imperdível. Então, veio o “barra-James” (/james), que nada mais era que uma saudação super nerd do tipo “Que o James Murphy esteja com você”, algo bem Star Wars mesmo. Meu amigo, ao ver esse comando pela primeira vez no msn, só fez perguntar “Mas o que é isso? Vai aparecer deus tocando bongô, é?”. Não analisaremos aqui a dialética James Murphy X Deus (e o que o bongô tem a ver com isso), já que só diz respeito aos admiradores de James e/ou deus (e bongôs), mas a grande sacada é a seguinte: o trabalhão que seria fazer uma montagem de James como deus e tocando bongô só para criar um emoticon, entendeu?

Para que tanto trabalho se é tão mais fácil escrever /james e deixar que sua fértil imaginação se encarregue do resto?

Nem preciso dizer que o já citado líder do LCD Soundsystem é o recordista de comandos de emoticon que não existem, pelos motivos mais óbvios: além dele ser uma das Figuras Mais Queridas do Mundo deste modesto blog (e essa é uma lista menor do que muita gente pensa), é o tipo de cara que tem milhares de fotos que pedem para serem zoadas, digo, virarem emoticons. E assim, logo o barra-James virou retrô com a chegada do “barra-aqnuc”. Esse então, tem uma origem mais insólita ainda, que começou comigo, este meu já citado amigo e o Patrão comentando sobre o tamanho das (parafraseando Monty Python) naughty bits de nosso homenageado. Conspiraram que poderia ter sido caxumba que “ele pegou e desceu”, ou então que ele não usava cueca. Ou que era grande mesmo, por quê não? Das opções dadas, ficamos com a “mais amena” (ou sei lá, é tudo tão uma questão de ponto-de-vista, hihi) e criamos o barra-aquele-que-não-usa-cueca (/aqnuc), que é muito mais interessante que o /james, uma vez que é mais que um mero “Que o James Murphy esteja com você” – é um “Que o James Murphy esteja com você SEM CUECA”. Ui.

Ok, ok, vou parar com essa sem-vergonhice por aqui. Mas uma coisa é fato: se uma imagem vale mais que mil palavras, o atalho certo vale mais que muuuuitas imagens! :D

"Party on, Wayne!
Party on, Garth!"

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terça-feira, julho 01, 2008



Ao som de "Tripoli", "Chaos Engine", "Shag", "Crutch", "Trainer", "Manchuria", "June", "Microtonic Wave", "Victorious D", "Offcell", "B" - PINBACK.

"A mulher sempre reclama do que faz para chamar a atenção do homem: salto alto, meia-calça, maquiagem. Mas é pior para o homem, porque não há o que fazer. Por isso construímos pontes, escalamos montanhas, exploramos territórios desconhecidos... Acham que queremos fazer isso? Ninguém quer construir uma ponte! É muito, muito difícil! Projetar foguetes, voar pelo espaço. Garanto que todo astronauta ao voltar, pergunta à namorada: "E aí? Você me viu lá em cima??"

Jerry Seinfeld em "The Pilot pt. 2", episódio 24 da 4ª temporada da série que leva seu nome.

MACHISTA, EU?!?!?!!

Depois expôr meu lado "anti-nacionalista" com o post sobre o Hot Chip, tá na hora de mostrar meu lado machista(?!?!).

O trecho acima citado, um de meus favoritos da stand up comedy de Jerry Seinfeld, meio que ilustra meu pensamento: o homem faz certas coisas espcialmente para impressionar um(a) possível parceiro(a) - incluo nesta lista a vontade de formar bandas e fazer música.

O mais divertido é que vemos que os músicos normalmente "não têm tempo para se dedicar a um relacionamento", o que acaba justificando a fama de galinhas. É algo feito sob medida aos homens, que tanto dizem morrer de medo do compromisso: ao mesmo tempo em que atraem a mulherada, mantém a distância, a aura de mistério típica de artistas. Tudo muito lindo, tudo muito mágico. Por outro lado, as mulheres pouco se lixam com isso, dando a entender que não deixarão de achar os artistas atraentes - pelo contrário, quanto mais complicado o cara for, mais elas gostam. Então...

O que foi expresso aí em cima é uma opinião generalizada e extremamente estereotipada a qual eu não concordo completamente - mas também, se eu falasse que isso não acontece estaria mentindo.

No que me diz respeito, gosto da idéia de que músicos estão lá, sim, para me entreter, instigar a imaginação - me conquistar. Tanto que não é novidade alguma me apaixonar por alguém pelo simples fato de fazer música que me toca. Talvez seja por isso que me é tão difícil gostar de artistas mulheres e tal. Não que eu seja dessas heteros radicais com medo de se sentir atraída por mulher, pelo contrário... Mas, pode parecer tão preconceituoso quanto o acima, sei lá... (e tô me lixando se parecer, não tenho obrigação nenhuma de gostar mesmo) mas a verdade é que a maioria das artistas femininas não me agrada porque 1) não gosto da voz, fazer o quê?; ou 2) acho musicalmente boboca; ou 3) acho que só tem pose e tá mais preocupada em mostrar que é bonitinha e pior, não quer admitir que esta é sua real intenção, soando hipócrita; ou 4) faz coisas de gosto duvidoso mesmo (digo isso sendo fã confessa da Madonna desde os 4 anos de idade e curto as sacanagens dela, mas tem cada uma que quer ser "mais" que ela e não dá).

So, Amy Winehouse? Legal, mas prefiro a versão que os Arctic Monkeys fizeram de uma música dela. Lily Allen?? Sério, "Oh my God" só se for com o Kaiser Chiefs. Prefiro o Muse brincando de Britney Spears em "Supermassive Black Hole" que a própria - apesar de admitir que ela tem músicas ótimas como "Toxic", que aliás prefiro a versão do Hard Fi ou mesmo do Mark Ronson à dela. E o que dizer dessas cantoras voz-e-piano tentando parecer a Carole King?... aff... E olha que as bandas citadas acima nem são clássicas ou algo do tipo - são apenas boas bandas atuais de pop/rock.

Será que tô pedindo muito em querer alguém realmente interessante para representar a mulherada no mundo pop e que não seja uma sub-alguma-coisa? Claro que tenho exceções na CDteca, nomes que sempre acabam dando as caras por aqui: mulheres que são lindas sem fazer caras e bocas e sem serem necessariamente belas; que cantam muito mesmo sem terem vozes fáceis de se gostar e/ou alcance vocal impressionante; e que não precisam levantar bandeiras para mostrar que têm conteúdo - seu trabalho tá aí pra isso - o que importa é que acreditam no que fazem, o que me faz acreditar nelas também.

Nesse quadro surge o The Ting Tings, dupla britânica formada por Jules De Martino (bateria, vocais) e Katie White (vocais, guitarra, baixo) que é divertida, despretensiosa, alegre... enfim, pop. Desde que vi o clipe de "Great DJ" pela primeira vez uns 2 ou 3 meses atrás que a música não saiu da cabeça. "We Started Nothing", o primeiro disco deles, tá no meu player desde o dia de seu lançamento. Das bandas que debutaram este ano, deve ter sido a que mais me agradou até agora. E o que eles têm demais? Aparentemente nada. Mas não tem como não se lembrar de "Hey Mickey" e ter vontade de sair imitando cheerleader ouvindo "That's not my name". Como não sorrir com o quê de Junior Senior de "Fruit Machine" e do "What's new Pussycat" de Burt Bacharach em "Traffic Light". E como não admirar o "Take me out" deliciosamente roubado do Franz em "Shut up and let me go"... e o resto do disco não deixa a bola cair: "Keep your head", "We Walk", "Be the one", e "We Started Nothing" são divertidas, fofas, grudam na cabeça como toda boa música pop o é. E a esquisita "Impacilla Carpisung" é uma de minhas favoritas, com camadas de vocais cantando algo que não faço idéia e teclados engraçados.

Katie White, a vocalista, é um bom exemplo do que quero dizer: não é feia, mas também não esfrega sua beleza na nossa cara, obrigando-nos a achá-la liiiinda com camadas e camadas de photoshop; é estilosa, mas de forma lúdica - como a música do Ting Tings; não tem a voz precisamente linda, mas tem personalidade. Prefiro ela à muita mulher por aí. Só resta torcer para que essa não seja uma impressão errônea, ou que ela se perca nos caminhos da fama, como acontece tanto por aí. Ela está se destacando exatamente por "não começar nada".


Já que estamos falando de mulher, vambora.

Nunca assisti a um episódio de Sex and the City por inteiro. Tinha a maior bronca mesmo, preconceito, porque tinha a impressão de que parecia uma série onde a imagem da mulher era bem idiota - onde a meta de vida é ter os sapatos, as roupas e o homem certo. Ok, adoro sapatos, roupas e homens e tampouco sei qual o meu papel no mundo, mas resumi-lo a isso me soava... :S

Para ficar com um "equivalente", enquanto minhas amigas achavam Sex and the City o máximo, eu era viciada em Queer as Folk. Não sei qual a opinião dos gays sobre esta série, se era honesta, se mostrava "os gays como eles são" etc. Só sei que eu conseguia me identificar mais com os personagens desta - seria eu uma mistura de Michael Novotny com Emmett Honeycut?! :D - mais que com Carries, Samanthas, Mirandas e Charlottes. Eu achava tudo tão bem desenvolvido e amarrado que eu acabava me identificando com todos os personagens da série em determinado ponto. Fora que a trilha sonora era melhor que a música-de-mulherzinha da série de Darren Star, e o sexo era hot.

Mas, resolvi deixar as implicâncias gratuitas de lado e encarar o filme. No geral, ele parece um episódio muito estendido - sem necessidade - o que acaba ficando arrastado. Mas, levando na esportiva, nem é um filme ruim. O pior, certamente, é ver que todos os estereótipos que tanto me irritam na série - e que gostaria de ver que eles não existiam, eram só coisa da minha cabeça - estão no filme. E, para um filme tirado de uma série que, dizem, "revolucionou o comportamento feminino", parece que ele faz exatamente o contrário.

Ser mulher é isso então? Achar que o mundo se divide em "dentro" e "fora" de Manhattan (pelo contrário, queria eu morar no Brooklyn e ser vizinha do James! Hahahaha)? Que é o máximo pagar trilhões por uma bolsa e o dobro por um par de sapatos? Que tem que se casar com o cara que bancar o que você quiser e ainda fazer um closet do tamanho de uma casa só pra você?

Sei lá, ainda não aprendi a ser assim. Tenho extravagâncias sim, ou ao menos eu acho que são - e não são nada comparado ao que vi no filme. E se isso é ser mulher, prefiro ser moleca, bicha nerd, adultescente ou sei lá que diabos eu sou. Melhor assim.

- Yours truly,
Sra. T. Beresford.

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sábado, junho 07, 2008



Pat Mahoney... já coloquei aqui que para mim ele é um dos bateristas mais legais do mundo hoje? Só ele consegue ser tão careca-cabeludo, esquisito, ter bom gosto para camisas Lacoste e óculos escuros, arrebentar com a bateria e ser compadre do James! \o/ hahahahahahaha

E já é a segunda foto do Pat aqui nesse modesto blogue... quem manda ele ser legal e tirar ótimas fotos e/ou fotos bem-acompanhado?!?!

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Nhé, mais uma semana de blogueio criativo. Tô de bode.

E a receita para animar esta que vos digita é bem fácil, desde que ela tenha acesso à uma banda larga rápida o bastante para encarar video-streaming - e isso é mais difícil do que se imagina, mas...

Olha que coisa mais linda e mais cheia de graça (?!?!?!?!)...

Ver o homem cantando gribado e ainda assim arrasando na gritaria, dando entrevista e falando besteira com a cara mais séria, dançando de forma engraçadíssima apertado num estúdio de rádio, e fazendo caretas e sorrisinhos quando se dá conta de que está no ar... E, como se não bastasse, tem a Nancy Whang (já coloquei aqui que eu adoro a Nancy? Ela é estilosa, dá gritos legais e engraçados, toca os teclados mais nerd do mundo e é comadre do James!:P) e uma versão de "All my Friends" que TALVEZ seja melhor que a do disco! Ah, isso vale os seis reais de lan house no fim do dia!...

Ninguém sabe como salvar isso não? Pelamor...DELE!

haha

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terça-feira, maio 27, 2008



É isso mesmo, meu povo e minha pova: Ned, o confeiteiro de Pushing Daisies, é o cara mais bonitinho do momento. Pronto, falei!

Ao som de: Felix da Housecat, “What She Wants” (hummmmm...); Death from Above 1979, “Romantic Rights (The Phone Lovers Remix)” (hummmmm); Talking Heads e Devo.


* Post escrito originalmente em 26 de setembro de 2007 *


“Qual era o nome dos programas de viagem do Michael Palin mesmo?” ou
“Left to my own Devices”


Nunca imaginara ir para Salvador. Com todo o respeito, nunca tive vontade de conhecer o nordeste brasileiro, ainda mais as capitais. Quando a oportunidade surgiu, as opiniões das pessoas queridas foram díspares entre a total aprovação e o total repúdio. Como se a viagem já não fosse polêmica o bastante, eu escolhi ir de ônibus – sempre imaginava como seria encarar uma longa viagem de ônibus, e pelo jeito esta seria uma oportunidade única para saber, não tinha como ser deixar passar – mais precisamente, 27 horas na estrada.

De início, claro que fiquei preocupada – afinal, haja preparo físico, trilha sonora e, sobretudo, paciência para ficar mais de um dia sacolejando num busão e aturando sabe-se lá quem sentados ao seu redor. Afinal, lembrem-se: eu ainda sou uma criatura anti-social, apesar de enganar bem às vezes.

Li revistas, cochilei, vi filmes, ouvi MUITA música, almocei e lanchei sozinha na estrada. Comia castanhas ouvindo David Bowie cantando “All the Young Dudes” quando percebi que já tinha passado nove horas de viagem, e elas foram mais rápidas do que poderia imaginar. Ainda faltava mais da metade da jornada a ser percorrida e eu AINDA não estava de saco cheio, nem entrevada ou sentindo-me amassada. Pelo contrário, estava animadíssima! Seria culpa do Bowie? =P

A viagem seguia, jantar, lanche, café da manhã... pessoas diferentes, lugares mais diferentes ainda que cada vez me emocionavam mais, porque sabia que nunca mais os veria de novo. Uma sensação nova me arrebatava...

Sempre adorei ficar sozinha, fazer as coisas do meu jeito e no meu momento. Foi então que me dei conta de que fazia bastante tempo que eu não ficava REALMENTE SOZINHA. Mas precisamente, eu NUNCA tinha viajado totalmente sozinha (sem pais ou namorado) para tão longe, o que me deixou me sentindo a pessoa mais dependente e imatura do mundo. Eis o motivo desta ser uma viagem tão especial, e por isso me sentia tão livre, feliz e diferente. Ou melhor dizendo, mais eu mesma que nunca – e nem tinha chegado ao meu destino ainda!

Chegando em Salvador, as coisas se desenrolaram de forma magicamente simples. Fui acolhida por duas pessoas cujas palavras me faltam para dizer como eu adorei tudo e não sei como agradecer. Infelizmente, uma semana foi pouco (ao menos para mim) e passou num piscar. Conheci o sotaque da terra e finalmente me dei conta de como ele é fofo. Vimos manifestações populares, fizemos programas de turista, vivenciamos aventuras absurdas, bebemos, cantamos, rimos e dançamos. Vimos vídeos de bandas que amamos e fizemos comentários impublicáveis. Falamos besteira até perder a voz e bebemos até começar a conversar noutra língua. E então chegou a hora de voltar – desta vez de avião. Sozinha pela segunda vez na vida, feliz por tudo que aconteceu e triste por tudo ter chegado ao fim. Fiquei prestes a chorar enquanto ouvia “Six” do Mansun e olhava as nuvens daquele dia lindo e tentava imaginar quando será a próxima vez que me sentirei tão bem com tudo e comigo mesma. E, o mais importante, tive a certeza de que as pessoas certas aparecem na hora que menos se espera (e que mais se precisa de ajuda) e te apóiam das formas mais... surpreendentes.

Não acredito que eu tenha voltado uma nova pessoa, mas provavelmente (re?) descobri mais coisas sobre eu mesma do que jamais imaginaria indo para um lugar onde eu nunca quis ir – e hoje em dia me pego torcendo para que o dia em que ocorra uma reprise venha logo!

- Yours truly,
Sra. T. Beresford

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terça-feira, maio 13, 2008




Ao som de: The DFA Remixes Chapters 1 & 2 e "My Love"(DFA mix), Justin Timberlake; Red Album, Weezer.

A SUTIL ARTE DE SER SUTIL

Fazer uma balada de qualidade é uma arte para poucos, tanto que são poucas as que caem no meu gosto. E eu, na minha mania de bibliotecária maluca, gosto de categorizá-las em três grupos: as baladas fofas, as grandiosas e as sutis.

As fofas dão aquela sensação de que conseguiremos acompanhá-las sem problema no violão, tocando todas as cordas ao mesmo tempo mantendo o ritmo, fazendo blim blim blim, sabe? Seu defeito é que, se a música não é boa, torna-se uma balada boboca – o que é, convenhamos, o que mais vejo por aí.

As grandiosas deixam claro que vieram para aparecer. Seu defeito é quando atropelam a linha tênue do bom gosto e tornam-se megalômanas sem necessidade. Já as sutis são as minhas favoritas. Elas não têm a pretensão de serem grandiosas, mas estão longe de serem “meras” fofas. Claro que elas também correm o risco de darem errado e tornarem-se canções vazias – mas, do contrário, são obras marcantes como uma “God Only Knows”, dos Beach Boys ou “Night and Day”, de Cole Porter (aliás, duas de minhas músicas favoritas de todos os tempos).

“Clover Over Dover”, é uma de minhas músicas favoritas do Blur. Não tenho coragem de dizer que é A minha música favorita porque minha lista de favoritas desta banda é extensa e não gosto de excluir ninguém... mas certamente ela está em meu Top 5... ou mesmo no Top 3, porque ela é o exemplo perfeito da capacidade de uma balada sutil: é uma pequena grande canção.

Para ficar com exemplos tirados do mesmo disco de onde esta veio, o Parklife (1994), poderia dizer que “End of a Century” e “Badhead” são fofas, assobiáveis; enquanto que “This is a Low” é densa e grandiosa. Para mim, todas são belas – mas “Clover Over Dover” é especial.

Engraçado que nem a considero como a que melhor representa a personalidade do Blur, mesmo porque trata-se de uma banda tão esquizóide que não faz sentido querer traduzi-la apenas com uma de suas músicas (ironicamente, “Song 2” talvez acabe sendo a que melhor assume o cargo afinal, por tratar-se de uma música igualmente esquisita em se tratando desta banda).

“Clover Over Dover”, a faixa número 12 do disco citado acima, encontra-se “escondida” num lugar ingrato: na metade do lado-B, onde os hits e músicas mais acessíveis já passaram, mas ainda não é o fim propriamente dito, e só encara quem gostou de tudo o que a banda mostrou até então. Não que ela esteja mal-acompanhada, pelo contrário... as faixas 11 (“Trouble in the Message Centre”) e 13 (“Magic America") são duas que mereciam mais atenção do que realmente têm e que até hoje não entendo como elas, bem como outras duas músicas do lado-B (“London Loves” e “Jubilee”, que costumava ser música de abertura dos shows da banda na tour do Parklife) nunca viraram singles. Ok, ok... acho que já consta nos autos que um dos motivos que fazem de Parklife um clássico é o fato de não ter uma música ruim. Mas eu tava falando da faixa 12, então voltemos a ela.

Não sei se isso ocorre com mais alguém (espero que sim, senão vou começar a desconfiar de que tenho POBREMAS, hehe), de uma música ser tão especial que quando ela toca você não consegue fazer mais nada além de ouvi-la, como que em estado de choque. Tenho a sensação de que poderia estar dividindo o átomo, mas se ela começasse a tocar eu largaria tudo só para dedicar minha atenção somente a ela, por ser boa demais e bela demais para ser desperdiçada como música ambiente ou algo assim.

Um amigo que é produtor e engenheiro de som que me fez me ligar nessas detalhes. Certa vez ele pegou uma música antiga do Coldplay de exemplo e falou algo do tipo: “Olha só, o piano faz a mesma coisa o tempo todo a música inteira, mas o produtor tem a sacação de aumentar o volume dele só no refrão, deixando ele mais emocionante. Tudo é ter a manha de aumentar aqui e diminuir ali na hora certa”. É engraçado ver que detalhes técnicos, algo considerado tão “sem coração” para os leigos (como eu) é que resulta em coisas tão emocionantes. Não sei quem foi o responsável por “cometer” esta maravilha de canção – o produtor Stephen Street? Os engenheiros de som John Smith e Stephen Hague? O próprio Blur? – mas uma coisa é fato: as linhas de cada instrumento são simples e repetitivas, e quando em conjunto cravo, órgão, guitarra, baixo e bateria (sem músicos adicionais) encaixam-se de forma mágica, lírica e ainda assim muito sutil.

Deste jeito, não teria como o resultado disto ser menos que maravilhoso. É uma canção única na discografia da banda em minha opinião. Ela é doce como um beijo inesperado vindo no momento em que você mais precisa.

Então eu, num momento raro de amor fraterno por todos que, apesar de seu tempo corrido ainda aparecem para ler isto aqui, ofereço esta canção a vocês. Ouçam-na apenas, e sintam-se beijados.

-Yours Truly,
Sra. T. Beresford

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quinta-feira, maio 01, 2008

e lá vamos nós...

Ouvindo "Freak out/ Starry eyes" e "Slowdrive", LCD Soundsystem.


Tinha prometido a mim mesma não levantar mais a bola do Hot Chip aqui no blog, mas...

A banda mais ouvida por esta que vos digita ultimamente (junto com a das músicas citadas aí em cima, o que não é novidade alguma), que fez um dos melhores discos deste primeiro semestre e que vai concorrer com verdadeiros hors concours (Weezer, Franz, Supergrass, REM...) em melhor disco do ano, conseguiu:



"One Pure Thought", como se não bastasse ser o forró do Hot Chip, conseguiu a façanha de ser um clipe mais sem noção que o de "Ready for the Floor"! Foi feito pelo pessoal que faz as capas e camisetas da banda, e o visual é lindo, pop, meio Roy Lichtenstein. O que não impede que seja um video totalmente sem noção. E claro que eu ADOREI!

Eu não sei upar video do youtube aqui, então fica o link:

http://www.youtube.com/watch?v=eAev1ZjE3dI

Veja o clipe do Hot Chip e seja uma pessoa mais feliz!!!


- Yours truly,

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segunda-feira, abril 28, 2008




Ao som de “Hold On”, Holy Ghost!; “Hold On”, Hot Chip (olha, homônimos!); “This is Such a Pity”, “Peace”, “Misstep”, “Misstep”, “Misstep”, “Misstep”, “Misstep”, Weezer.


O FABULOSO DESTINO DE RIVERS CUOMO

Começarei aqui com uma revelação que poderá surpreender muita gente (tanto que matutei muito sobre isso e revi toda a minha vida de fã antes de colocar aqui, para ter certeza de que não estou exagerando): eu nunca tive nenhum interesse groupiesco-sexual por Rivers Cuomo.

Sim, amo-o muuuuito, acho-o lindo, fofo, talentoso, e toda vez que o ouço cantando tenho vontade de arrancar meu coração pela boca e mandar para ele pelo correio. Mas tudo de forma mais assexuada possível - mesmo porque quem me conhece sabe que sempre tive maior, hum, interesse, pelos baixistas de sua banda que pelo band leader em si.

Não chega a ser uma adoração de forma santificada ou algo do tipo – não, Rivers não é Deus e, pelo contrário, gosto dele mais ainda por saber que é temperamental, neurótico, tímido, chato... ele é uma pessoa normal que faz questão de deixar isso bem claro para quem interessado esteja - ele não é a solução dos problemas do mundo.

Acho que ele é o mais próximo que tenho de (anti-?) herói. Eu o admiro como que a um irmão mais velho, ele é tudo o que eu queria ser quando crescer: determinado, dedicado, caprichoso em níveis que beiram o patológico. E isso que faz a sua banda, o Weezer, ser o que é – sem desmerecer o batera Pat, o guitar Brian e o baixista Scott, além dos ex integrantes Mikey e Matt - mas verdade seja dita: Rivers é o Weezer. Se isso é bom ou ruim, você decide.

Ao mesmo tempo em que rola toda essa admiração de minha parte, há também uma identificação que não consigo ter com nenhum outro ídolo, e que gosto de atribuir ao fato de ambos sermos geminianos. Bobagens de signos à parte (não se preocupe, não colocarei aqui o que temos em comum, apesar de certas características parecem óbvias), Rivers é um típico geminiano imediatista que dá maior importância ao aqui e agora (tanto que não é novidade nenhuma vê-lo dizendo que prefere as canções recentes aos trabalhos antigos da banda), que precisa jogar toda sua raiva/ frustração/ etc para algo externo que acaba transformando em seu mundinho (como uma banda da qual ele tem total controle), e que tem uma personalidade ambivalente que muitos podem achar que é máscara, uma vez que ele tem a capacidade de ser várias coisas ao mesmo tempo, por mais contraditórias que sejam – e sem nunca deixar de ser ele mesmo: nerd, rockstar, pegador inconseqüente, atormentado recluso... Se fosse um desenho animado, seria fácil ver em cima de cada ombro seu um anjinho e um diabinho, sempre opinando, e os três te olhariam nos olhos e perguntariam “Tá olhando o quê? Até parece que você não é tão incoerente como eu...”. Como já disse, Rivers sabe que tem um dark side e não esconde isso, coisa que a maioria de nós o faz. Não é à toa que tem tanto fã que ama odiar, enquanto outros odeiam amar o Weezer.

E assim ele consegue realizar a árdua tarefa de ser cínico e doce ao mesmo tempo em que carrega uma honestidade na voz que me faz acreditar em qualquer coisa que cante, por mais tola e indiscreta que seja (muitas letras do Weezer são carregadas do fator “Uou, eu NÃO precisava saber disso, ok?”, o que provavelmente transformou o rapaz numa grande influência para os tais emo), pois ele não tem medo de soar patético. Sabe que é normal sentir-se idiota a maior parte do tempo ou ter medo de, e que no momento em que esse sentimento de inadequação é posto para fora em forma de música tudo torna-se mais ameno, o sofrimento, a vida em si, como que de forma catártica. E, depois que tudo se resolve, tem aquela sensação de “nossa, como fui transformar isso num problemão que parecia insolúvel?”. É algo mais que ele me transmite: no fim das contas, não leve nada muito a sério porque tudo passa.

Outro reflexo claro de sua ambigüidade é a própria musicalidade da banda, uma mistura onde se destaca principalmente dois gêneros díspares: o powerpop e o hard rock. Algo aparentemente fácil de se fazer mas que na verdade é mais difícil do que se imagina: são raras as bandas que o conseguem fazer sem parecer uma imitação chula de Weezer.

Parênteses para justificar um comentário que fiz anteriormente: logo que conheci o Weezer (1995) me animei acerca do powerpop e ouvi tanto que acabei cansando. Não sei se cansei porque ouvi demais ou se porque a ficha caiu e percebi que não era isso tudo mesmo. Fato é que, NO MOMENTO – e COM EXCEÇÕES, claro, essas sempre existem – não estou morrendo de amores pelo powerpop, e estou achando tudo igual. Mas não se esqueçam que sou geminiana e imediatista, haha. Continuando...

No fim das contas, Cuomo parece que sofre duma Síndrome Amélie Poulain: “Você quer me conhecer? Te ofereço uma face de graça (que pode vir a ser o anjinho ou o diabinho em cima do ombro, depende do ponto-de-vista) com clipes divertidos, fofos, descolados e canções fáceis de agradar... Mas para você conhecer o lado REALMENTE interessante, ah, você vai ter que se esforçar!”. Vai ter que se mostrar interessado, tal como a personagem do filme de Jeunet faz para chamar a atenção de seu pretendente. O que acontece é que temos preguiça de nos aprofundar em qualquer artista hoje em dia e é exatamente nisso que ele se aproveita, assim apenas os que correm atrás é que conhecem a verdadeira capacidade da banda. “Fãs malas que só sabem falar bem de ‘Pinkerton’ (o segundo CD do Weezer, de 1997)? Pois fiquem com Pinkerton então, não preciso de vocês para continuar minha carreira – se bem que vocês sabem que não vão conseguir me deixar de lado, pois sempre há a esperança de que eu faça um novo Pinkerton, não é?” – é o tipo de comentário que dá para imaginar saindo da boca de Rivers.

Você pode gostar dos discos de estúdio do Weezer. E, se gosta, não precisa se sentir enganado já que em todos eles, ao menos uma coisa é certa: percebe-se que a banda se empenhou ao máximo em cada faixa. E, como já mencionei, Rivers pode ser tudo ao mesmo tempo, tanto o criador de pérolas escondidas como o hitmaker. Mas, se você se dispõe a procurar, será bem recompensado com canções pop sempre com um algo a mais típicas do autor, talentoso como poucos. Não é de se espantar que algumas das melhores músicas do Weezer nunca foram lançadas, circulam livremente pela internet em versões demo ou ao vivo. Quem procura, acha.

Parece simples, né? Mas, mais uma vez, Rivers (que foi batizado assim, dentre outros motivos, em homenagem ao jogador de futebol brasileiro Rivelino) adora bater para depois assoprar: porque você pode acessar esta outra face do Weezer e ainda assim achar nada de mais. Aí, Rivers te dirá com a cara mais lavada e o sorrisinho mais bonitinho do mundo: “Não gostou? Paciência, não se pode agradar a todos. Eu é que não vou mudar o meu jeito apenas para te agradar. Sinto muito”.

E assim, Rivers e o Weezer seguem seu rumo, driblando gravadora, mainstream, fãs malas e SEMPRE fazendo as coisas do seu jeito. São poucos, muito poucos, que podem gozar de tal privilégio.

Ele é ou não é um herói?!? =P
- Yours Truly,

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sexta-feira, abril 25, 2008

Ao som de "Tribulations" (Lindstrom Mix), eis que surge...

PÁRA TUDO!!!!!

A capa do novo CD do Weezer.




Estou sem condições de comentar mais acerda disto. Perfeita!!


Next: post sobre Rivers Cuomo. Só falta digitar, tenham paciência... :D

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sábado, abril 19, 2008

HOT CHIP e a... MPB?!?!

Ao som de: "Sensual Seduction", Hot Chip; "Pork and Beans", Weezer; "Sensual Seduction", Hot Chip; "Boyz", M.I.A. (Twelves Remix); "Sensual Seduction", Hot Chip; "Sensual Seduction", Hot Chip; e "Sensual Seduction", Hot Chip! (quem manda a música ser curtinha?!?!?! haha).

Tenho um defeito grave: não consigo gostar de música brasileira. Com raríssimas exceções, a maior parte do que consumo vem de fora - este modesto blogue que o diga. Sei que deveria valorizar o produto nacional e essa coisa toda, mas não consigo. Fazer o que se acho alguma coisa da MPB linda, mas não me diz nada? O roque então, é um pastiche do que acontece lá fora, enquanto o axé, o forró e o sertanejo são pasteurizados. E o funk carioca com seus modismos tão flutuantes quanto a última salvação do roque me fazem crer que este é cada vez mais domesticado: virou uma fábrica de músicas e letras não tão espertas como antes e que só visam $$$$ - fenômeno semelhante ao equivalente americano, onde Hip Hop e R'n'B são uma indústria cuja música parece a menor das preocupações - essa é a minha impressão.
Não chego a ser do tipo que mata pessoas e põe fogo na casa se estou numa festa e resolvem botar um CD de funk, por exemplo. Quer dizer, já estou num ponto que nem ODEIO mais a música nacional, como quando eu era uma adolescente boboca querendo provar que tinha personalidade - é pior, agora sou indiferente mesmo.

Do outro lado, temos o Hot Chip, banda inglesa que mistura roque com eletrônica e samba e que esteve no Brasil ano passado - e se mostrando mais bombados e sambistas ao vivo que em disco.



Não sei qual é o nível de envolvimento deles com a música brasileira e nem como foram suas aventuras antropológicas enquanto estiveram em nosso país, mas é fácil de ver uma influênciazinha dela especialmente em seu último e ótimo (e mais bombado que os anteriores, seria reflexo dos shows?!) disco, "Made in the Dark".

O Hot Chip é daquelas bandas que me desafiam. É difícil eu viciar em alguma música deles logo de primeira, mas algo sempre me faz querer dar uma nova chance e aí, já era. Depois que você se "acostuma" com o som, fica até fácil deduzir porque é tão bom. Talvez seja graças à habilidade que a banda tem para fazer tanto músicas dançantes como coisinhas fofinhas com vocais doces e barulhinhos legais, sem nunca deixar de ser esquisito.

Outra característica que adoro neles, claro, é a nerdice. Eles não são qualquer um se aproveitando da onda "sou-nerd-mas-tô-na-moda", são uns tarados de estúdio tocando equipamentos que fazem blips e blops. São tão nerds que seus meios de approach algumas vezes beiram o absurdo: várias vezes e peguei pensando "PQP!!! Mas que diabos de clipe/ foto de divulgação é essa, Hot Chip?!?!?!"

Desde o segundo disco, The Warning (2006), que eles têm minha atenção, simplesmente porque marcou uma época divertida para mim: me lembro de um dia chuvoso em que estava num desses "grandes magazines" procurando blusas baratas para fazer camisa de banda quando "Colours" tocou em meu - então - discman e uma onda de felicidade me invadiu de tal forma que tive que me segurar para não sair dançando por entre as araras de cabides, tal como num improvável musical. Sim, eu viajo pra burro...

Só que eu nunca cheguei à tietagem com eles, tanto que não sei nada sobre a banda, além do fato de que são contratados da DFA e um dos integrantes - Al Doyle, guitarrista - fez (faz?) parte da live band do LCD Soundsystem. E eu já admirava ambas as bandas antes mesmo de saber que havia essa brodagem entre eles, hahaha.

Enfim, logo que saiu o primeiro single do disco novo eu fiquei toda animada. Com o revival da House e da Disco (o novo do Moby, o ótimo Hercules and Love Affair), tava curiosa em saber que rumo eles tomariam. Começou com o clipe de "Ready for the Floor", ultra colorido e maluco onde o vocalista Alexis Taylor aparece fantasiado de Coringa genérico (genérico porque eles não são bobos de causarem a ira da DC comics, ha). Quando o vi pela primeira vez, claro que tive a supracitada reação "Meu Deus, Hot Chip, perderam a cabeça?!?!?!?!?", mas daí para virar um de meus clipes favoritos do ano foi um pulo (para entender meu gosto DUVIDOSO por clipes ultra coloridos e/ou que beiram o ridículo, recomendo a leitura do post sobre os B-52's, logo aí embaixo; e sobre o meu fanatismo pelo Coringa, só digo: qualquer homem que tenha coragem de pôr um terno roxo e pintar os cabelos de verde e a cara de branco me ganha na hora - a não ser que seja, sei lá, o Timbaland).

E o que "Made in the Dark" tem a ver com a MPB? Ora, que tal um momento que lembra forró em "One Pure Thought", ou então a histérica "Out at the Pictures" que beira o axé, ou as batucadas carnavalescas de "Shake a fist" ou "Touch too Much", e, claro, o batidão do funk carioca (que roubamos do Bambaataa e agora é nosso por uso capião, haha), presente em "Ready for the Floor", "Bendable Poseable", "Don't Dance"...

É aí que a porca torce o rabo. Como é que posso gostar de um disco que me remete tanto ao produto nacional que não me agrada?

Fetichista da língua inglesa que sou, será que é devido ao sotaque brit robótico todo bonitinho ("Bândabow Páwsabôw") contra a berraria dos MCs locais ou algo do tipo? Será???

O lance é que, para fazer música, com o Hot Chip vale tudo e o resultado é sempre imprevisível - ao menos para mim. As canções se transformam, fogem do convencional. A sensacional "Shake a fist", por exemplo, começa de uma forma e quando parece que a música vai engrenar, eles param tudo e resolvem fazer um "solo" de efeitos de estúdio! Recomendo o uso de fones de ouvido e BEEEM alto (aliás, eles recomendam também, tá na música), dá vontade de sair dançando loucamente!

As baladas continuam simples e bonitinhas, mas são as músicas dançantes que realmente brilham. Sem falar que são responsáveis pela música do ano para mim até agora, "Hold On" - tá bom, tá bom, tem "Ready for the Floor", que pode ser a segunda melhor do ano, se ninguém relevante lançar nada decente até dezembro! :P
Se bem que o disco é tão bom que toda hora eu mudo de música favorita! Já estou mais fã desse CD que do anterior...

É isso aí, o Hot Chip é doido, cafona, nerd e incrivelmente bom. Nem que precise ouvir 45894584758475834759 vezes (E OUÇA AAAALLLTOOOO, eu insisto) antes de se chegar àlguma conclusão. Essa que é a graça da coisa!

"So... now if you have a pair of headphones you better get 'em out and get 'em cranked up 'cause it REEEALLY gonna help you..."

Se eles disseram (e meu ingrêis ainda tá bom), tá dito! :D


- Yours truly,
Sra. T. Beresford.

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quarta-feira, abril 09, 2008

RICKYS WILSONS ME MORDAM!!!

Ouvindo os discos Funplex, The B-52’s; Yours Truly, Angry Mob, Kaiser Chiefs; X, Kylie, This is not the World, The Futureheads; e a música “DVNO”, do Justice.

O primeiro Ricky Wilson ao qual me refiro era loiro, bonitinho, guitarrista e americano. Que eu saiba, nunca se assumiu publicamente (até mesmo porque é o tipo da coisa que não nos diz respeito, néam?), mas morreu de complicações decorrentes da aids há mais de 20 anos, quando esta ainda era considerada uma “doença gay”.
Eu, que não sou muito fã de guitarristas, tenho nele uma honrosa exceção, uma vez que tinha um jeito muito particular de tocar, com afinação excêntrica e apenas 4 cordas – pra quem não sabe, normalmente uma guitarra tem de 6 cordas (ou mais, mas isso é outra história e eu não curto guitarra para escrever a respeito anyway).
Ele que, junto com o baterista Keith Strickland, criaram a base musical perfeita para encaixar as vozes de Kate Pierson, Fred Schneider e sua irmã Cindy Wilson, transformando os B-52’s numa banda de sonoridade facilmente identificável, sempre dançante e divertida.



Esse é o Ricky - não consegui achar uma foto melhor, sorry...

A tragetória dos B’s (como são chamados carinhosamente pelos fãs old school) é meio trágica e irônica. Depois de fazerem dois dos discos mais legais que já ouvi na vida (o epônimo de 1979, tosco e genial; e “Wild Planet”, de 1980, não tão tosco quanto o primeiro e tão bom quanto), lançaram dois EPs em 1981/1982, um de remixes dos dois primeiros discos (chamado “Party Mix!”, que deixava claro que o lugar dos B’s era numa festa e/ou pista de dança) e outro produzido pelo colega David Byrne (na época nos Talking Heads), “Mesopotamia", que teve gente achando que era um disco “sério” (apesar de ter músicas que esta que vos digita gosta muito, como “Nip it in the Bud” - ow wow wow). Logo a seguir, resolveram abraçar os sintetizadores em “Whammy!”, disco de 1983, que muita gente torceu o nariz por ter muita eletrônica, mas também é o disco que deu a eles um de seus maiores sucessos: “Legal Tender”.
O sucessor de “Whammy!” poderia tê-los transformado numa banda grande, como seus conterrâneos da pequena Athens, na Geórgia: o R.E.M. (que também lançou CD agora), uma vez que eles eram tão maluquetes quanto outras bandas da New Wave, mas tinham o apelo pop que poucas delas tinham (vide o Devo, outra banda sensacional da época, sempre comparada aos B’s, mas que ficou reduzida ao circuito cult principalmente aqui no Brasil). Mas, com a morte repentina de Ricky, as coisas complicaram para a banda, tanto artisticamente quanto emocionalmente: como uma banda tão alegre iria lidar com a perda de um dos seus, em circunstâncias tão complicadas, e pior, sendo este o seu principal compositor?

O disco seguinte, “Bouncing off the Satellites”, de 1986, já estava quase pronto quando Ricky morreu. Fizeram mais algumas músicas e lançaram-no no clima “O show deve continuar”, mas não vingou – ele tinha uma aura de tristeza que não dava pra disfarçar.
E então eles resolveram sumir, tanto que a mídia deu a banda por acabada. Porém, três anos depois, Keith assumiu de vez as guitarras por ser o único que conseguia emular o som que o amigo fazia e resolveram lançar o bem-sucedido “Cosmic Thing”, (que tem muita gente que considera o melhor disco deles!), em climão de grande retorno. Em 1992, lançaram “Good Stuff”, que não tinha a participação de Cindy Wilson, o que deixou muita gente desconfiada com relação a atritos entre os integrantes nos bastidores – todos desmentidos pela própria Cindy algum tempo depois, que justificou que apenas não estava em condições de gravar, fazer tours, e essas coisas do mundo do showbiz.
Eles continuaram fazendo shows, a maioria beneficentes em apoio a grupos políticos (direitos dos animais, grupos GLBT etc.), mas saíram dos holofotes mais uma vez por não lançarem um disco de inéditas desde então – se de 1986 a 1989 já davam os B-52’s por mortos, imagine de 1992 até hoje?!? – apenas algumas músicas como “Debbie” (dedicada à Deborah Harry, vocalista do Blondie) que saíram em coletâneas como o seu bestofe “Time Capsule – Songs for a future generation”, de 1998.
Fred, Kate, Cindy e Keith também tiveram vários projetos paralelos, que nunca tiveram a repercussão dos B’s. Grosseiramente falando, a banda ficou meio que amaldiçoada: é algo que eles claramente gostam de fazer, que funciona quando estão juntos mais do que com qualquer outro projeto paralelo que venham a fazer, mas que também deve sempre machucá-los um pouquinho ao verem que por mais que queiram e se esforcem nunca será como antes, nunca será a mesma coisa sem Ricky Wilson.

É complicado para mim falar deles também. Eu dançava em frente à TV vendo clipes deles quando tinha 4 anos de idade (vocês não precisam fazer as contas, era 1984). Tenho todos os CDs e VINIS. Fui do fã-clube oficial gringo (a única banda, aliás), com foto autografada e tudo. Tenho um pôster deles pendurado por dentro da porta do meu armário até hoje, caindo aos pedaços de tão velho. Sei diferenciar as vozes de Kate e Cindy (ao menos na maioria das músicas, hehe). Estou escrevendo tudo isso aqui de cabeça, sem consultar nada sobre eles. É a primeira banda em minha estante de CDs porque não tenho coragem de colocar nenhuma banda com a letra A antes deles. Resumindo: é a banda que curto há mais tempo, e que foi trilha de uma época muito ingênua e divertida para mim, e que obviamente não volta mais – e por isso mesmo prefiro deixar onde se deve, no passado.
Lá em 1992, quando saí da loja de discos com meu vinil de “Good Stuff” debaixo do braço, não imaginava que eu baixaria o próximo CD deles antes mesmo de chegar nas lojas – aliás, nem imaginava que um dia saberia usar um computador! Cindy Pierson, minha pinscher, nasceu em 1993 e morreu sem ter um lançamento da banda que a batizou. Passou tanto tempo e tanta coisa aconteceu desde 1992 que é inevitável a famosa pergunta: o B-52’s ainda tem o seu lugar no mundo?

Uma coisa é fato: independente do saudosismo oitentista, os anos 2000 – maluco, imediatista, tecnológico, multiinfluenciável – combina muito mais com eles que os anos 1990 – do grunge, do trip-hop, do britpop, que não primavam pela alegria. É fácil identificar sua influência mesmo indireta em bandas atuais: os vocais masculino x feminino, teclados vagabundos e percussão mais ainda do LCD Soundsystem (e eu me perguntando por quê gosto tanto deles), a chacota kitsch do Scissor Sisters... outro dia eu ouvia o New Young Pony Club e me peguei pensando “esse som é familiar... meu deus, é B-52’s!!”.

Engraçado que o que sempre considerei os maiores méritos deles – a honestidade e despretensão – eram as coisas que nunca os transformariam em banda-influência para ninguém além de mim... e que bom que estava errada! É interessante ver este intercâmbio de referências – são os influenciados por eles que os renovam agora. Kate Pierson declarou outro dia para um jornal brazuca o que eles andam ouvindo: The Killers, The Rapture e ... LCD Soundsystem (ALIÁS, nosso querido-amado-salve-salve James Murphy foi engenheiro de som do Six Finger Satellite, banda que tocou com Fred Schneider num de seus discos solo, ho ho). Os responsáveis pelos remixes do primeiro single do novo disco, “Funplex”, foram convidados por serem fãs da banda: Peaches, CSS e os citados Scissor Sisters.
Fico muito feliz de vê-los sendo lançados pela Astralwerks (que lançou Air, Chemical Bros., Fatboy Slim e Beta Band etc.), que estão cercados de figuras interessantes e/ou no auge e continuam influenciando gente idem. Finalmente estão recebendo o devido reconhecimento – afinal, eles não precisam provar nada.

E Funplex, o disco? Talvez ele diga o porquê de não terem lançado disco antes – não entrariam num estúdio sem um punhado de boas novas canções que valessem a pena toda essa espera. O disco não tem uma música ruim. É um disco atual, mas sem deixar de ter a cara dos B-52’s. Para continuar no meu exemplo favorito, a faixa “Eyes Wide Open” poderia ser uma música do LCD fácil, mas é acima de tudo uma música dos B’s. O disco tem tudo que nos é familiar vindo deles: rock feliz (“Hot Corner"), eletrônico/ sci-fi (“Love in the year 3000”), fofo (“Juliet of Spirits” e “Deviant Ingredient”), a guitarra de Keith, os teclados divertidos, as letras sacanas, as percussões vagabundas... em várias músicas dá para imaginar o Bonde du Rolê botando base funk e cantando por cima: “Funplex”, “Ultraviolet”, “Pump”. E o melhor, nem parece que ficaram 16 anos sem lançar disco juntos.
Sejam bem-vindos ao ano 2000, The B-52’s! Ricky Wilson certamente está bem contente, onde quer que esteja!
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Já o outro Ricky Wilson a que me refiro também é loiro, mais bonitinho ainda, sexualmente, hum, “versátil” (diz a lenda), mas é vocalista e inglês – aliás, talvez seja o vocalista mais canastrão da Inglaterra em minha opinião (e isso é um elogio! é o tipo da coisa que cabe na banda em questão). Ele é a cara e a voz do Kaiser Chiefs, banda de Leeds que é famosa pelo bom humor, assim como a banda que iniciou este post – apesar do humor e sonoridade desta segunda serem beeeem britânicos.

Logo que li a respeito do KC que me veio a associação aos B’s por causa do nome do vocalista: “pombas, nunca mais esquecerei o nome da banda e desse xará do falecido Ricky”. Nem é um nome exótico, mas também não chega a ser um John Smith – e poderia ser Richard, Ric, Rich, Rick, Richie, Dick... mas era Ricky, o que me chamou a atenção de imediato. Desde então que sempre imaginei como faria para escrever sobre os dois Rickys num mesmo post sem forçar a barra. E eis a coincidência que ocorreu (mas antes, toda a beleza de Ricky Wilson, o inglês):



Huuummmmmmmmm...


O “Employment”, primeiro disco do KC, me pegou de jeito logo que saiu graças às suas músicas e letras divertidas e à voz de Ricky, que remetiam ao Blur de quando este ainda tinha senso de humor e esperança na humanidade (i.e. Modern Life- Parklife era). Mas, assim como me apaixonei rápido, logo cansei de músicas fáceis como “Na na na na naaa”, “Everyday I love you less and less” e “I predict a riot”. Ano passado lançaram seu segundo disco, “Yours truly, Angry Mob”, e não me empolguei de sair baixando tudo com net discada (como aconteceu com o primeiro) porque estava com essa bronquinha com eles: no fim das contas, era só mais uma banda engraçadinha que não ia adiante. Tempo depois o patrão baixou o disco para mim e deixou em meu computador, mas este pifou em setembro e só voltou à vida mês passado. Ou seja, com a exceção de “Ruby”, que ouvi por aí e até gostei, eu me esqueci completamente do Kaiser Chiefs.
Isso até o mês passado, quando achei o DVD “Enjoyment” dando sopa numa loja e botei na cabeça que tinha que ser meu, em respeito às outras músicas de que gosto bastante até hoje: “Modern Way”,”Born to be a dancer” e “Oh my God”.

Há muito tempo que eu o queria (mesmo porque não consegui baixar nada além do áudio de alguns shows do DVD), desde o lançamento, quando soube que tinha um filminho engraçadíssimo, narrado pelo ator Bill Nighy, com depoimentos dos integrantes quando crianças dizendo o que gostariam de fazer quando crescer (só vendo mesmo, as crianças são perfeitas!) e quando velhos, mais precisamente em 2030, amargurados, longe do showbiz... com destaque para, claro, Ricky Wilson velho-em-carreira-solo e ainda canastríssimo! De resto, tem aparições de Roger Daltrey, Damon Albarn (para minha surpresa, não achei que daria crédito aos “filhotes”), todos os clipes do primeiro disco, apresentações ao vivo, vídeos de quando eles ainda se chamavam Parva, Ricky cantando com The Cribs, palhaçadas como eles se vendo na TV e falando besteira... enfim, coisa à beça, infelizmente sem legendas em português. Isso sem falar no encarte mais engraçado e sem noção que eu já vi, com coisas que nem perderei tempo traduzindo, mas que merecem menção, como: “Hours of fun to be had inserting the enclosed DVD disc, pressing “eject” and watching it come out again, all at the push of one button”; ou, melhor ainda “minutes of fun to be had arguing over which bit to watch first, though you may find the apparent lack of menu makes up your mind for you”. Nem os DVDs do Monty Python chegaram com um encarte assim.
Enfim, o Kaiser Chiefs é tão adoravelmente bobo que me foi impossível ver este DVD e não voltar a vê-los com outros olhos. E foi assim que resolvi dar uma chance ao “Yours Truly...” e não é que acabei viciando e achando um discão?!? Foi aquele disco que quando ouvi a primeira vez achei nada de mais, mas quando dei por mim já sabia os nomes de todas as músicas e já estava cantando tudo sem nem ter lido as letras. As músicas “animadinhas/engraçadinhas” não estão tão descartáveis como as do primeiro CD – “Everything is average nowadays”, “Thank you very much” e “Retirement” são ótimas. As baladas estão mais maduras e interessantes – meu deus, o que é “Love’s not a competition (But I’m winning)”?!? Poderia ser uma balada do Parklife! E ainda tem maravilhas como “The Angry Mob”, que não consigo deixar de ouvir 489348938493 vezes ao dia.

Fiquei impressionada em ver como eles amadureceram tão rápido sem deixar de ser Kaiser Chiefs e não soar repetitivo. Nunca iria imaginar que logo eles, da safra de 2005/06, seriam os que passariam com mérito no famoso teste do segundo disco, deixando para trás outros que eu imaginava mais capazes como o Hard-Fi ou The Futureheads (que lançou, digo, vazou o terceiro disco agora e sim, gosto, mas isso é pra outro post). O que um DVD bom não faz por uma banda, hein? E que venha o segundo DVD logo Kaiser Chiefs!...
- Yours truly,
Sra. Tuppence Beresford.

;)

Para fechar, atendendo aos pedidos das meninas e meninos do fã clube "Amo o Ricky Wilson fazendo careta com roupa de frio!", preparem seus corações...




Já falei que AMO meu "capture frame" hoje?!?!?! hasjhasejkhajkhskjfhksj

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